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Design colaborativo: foco nas experiências e não no produto

Design colaborativo: foco nas experiências e não no produto

Relacionamentos baseados no“nós” são permeados por colaboração, e exemplos (do passado e do presente) não faltam para deixar um pouco mais claro porque devemos resgatar as características de sociedades passadas. Quer ver?

Você já viu a típica cena de filme onde um vizinho vai pedir açúcar para outro?

Lembra de quando estávamos na escola, em plena hora do recreio e dividíamos um lanche com um amigo?

Você já ajudou alguém, conhecido ou não, a se levantar após uma queda?

Já doou roupas, alimentos ou dinheiro a alguém que precisava?

Acredito que a resposta de pelo menos uma das perguntas é sim. Apesar de culturalmente não sermos tão estimulados a desenvolver relações sociais pensando no “nós”, mas sim no “eu”, existe uma tendência, cada vez mais pulsante e crescente, de repensar o modus operandi da sociedade atual devido a incontáveis desajustes de ordem social e ambiental. Como assim? Vemos, ouvimos e lemos muitos casos sobre a falta de respeito a opinião do outro… sobre como diversos casos de violência física e verbal deixam as pessoas amedrontadas… ou ainda, sobre como existem pessoas e empresas com tamanha falta de consciência ambiental a ponto de poluir de forma desenfreada e de abusar no consumo – praticando o consumismo. E ai você pode me perguntar: e o que o design tem a ver com isso? TUDO.

Desde sua origem até os dias atuais, o papel do design foi de coisificar, ou seja, criar um produto do nada e lançá-lo no espaço de consumo – ignorando o complexo processo social e biológico por trás da produção de mercadorias. Vemos, assim, produtos que se tornam moda (aparecendo e desaparecendo), que são muito interessantes preenchendo nosso ímpeto exibicionista, mas que são essencialmente desnecessários (alguns). Diante de uma sociedade conectada, que trabalha e vive em rede, e de pressões ambientais e exigência de consumidores, os designers devem se concentrar mais na facilitação do que na criação do objeto: devem projetar experiências em detrimento de coisas.

Os designers vão continuar a moldar nossas ações cotidianas, a reconfigurar nossos espaços e a influenciar nossos desejos de consumo? Claro que sim! A questão central é como isso vai acontecer. Paul Hawken, em Natural Capitalism, afirma que 80% do impacto ambiental de um produto, serviço ou sistema é determinado na fase de design. Muita coisa, você não acha?!

O que deve ser criado deve ter potencial para ter longevidade dinâmica, e não ter embutido a obsolescência (programada e/ou perceptiva). A fabricação dos produtos deve sair da lógica do sistema aberto – produção, venda, consumo e descarte-, e entrar no sistema fechado – que, ao invés do descarte, propõe a volta do produto ao sistema. Cada vez que é oferecida ao consumidor uma oportunidade de reciclar, redistribuir, repersonalizar e reinventar o produto, o designer está produzindo um novo ponto de contado e colaboração entre empresa e consumidor.

Sendo assim, o designer precisa ter uma compreensão holística da tecnologia, da ciência do comportamento humano e do marketing para repensar e reinventar não apenas o que consumimos, mas a maneira como consumimos. Entregar valor na forma de experiências é deixar a ultrapassada visão centrada no objeto para aquela que reconhece a atividade do designer como um processo vivo de interação e colaboração, com bases na sustentabilidade.

“Projetar o contexto de inovação e aprendizagem é promover interações complexas, e não ocupar espaços com bugigangas”- John Thackara, em In thebubble: designing in a complex world.

 

Texto baseado no livro “O que é meu é seu – como o consumo colaborativo vai mudar o seu(o nosso) mundo” de Rachel Botsman e Roo Rogers.

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Ricardo Verçoza

Professor; Administrador formado pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP); Pós-graduando em Docência no Ensino Superior pelo Senac; Acadêmico de Recursos Humanos pelo Instituto Brasileiro de Gestão e Marketing (IBGM); Estudioso de empreendedorismo, responsabilidade social e da Geração Y. Tenho na educação a esperança de transformação deste mundo: pessoas conscientes contribuem para um mundo melhor!

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