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Por que é tão difícil se sentir bem hoje? Uma conversa sobre empatia, autoestima e humanidade no trabalho. PARTE I

Por que é tão difícil se sentir bem hoje? Uma conversa sobre empatia, autoestima e humanidade no trabalho. PARTE I

No último final de semana, em meio a devaneios numa roda de amigos, alguns questionavam a habilidade constante em serem humanitários – cada um dentro de sua realidade profissional. Parece-nos então que, além de serem sentimentos intrínsecos que todos deveríamos ter, hoje tornou-se parte da seleção dos recrutadores e a galera do RH. “Porque ser empático é a tendência de mercado e consumo” (?). É o que pode trazer tanto resultado quanto feedbrack nos planejamentos. Não era para ser mecânico, mas tem sido. Nos falta ser mais intuitivos e afetivos. E para que isto aconteça, olharmos para o nosso comportamento.

As humanidades são um repositório de ideias úteis e consoladoras que podem ajudar-nos a enfrentar ociosamente dúvidas profissionais. Podemos nos voltar para romances e narrativas históricas para dar instrução moral, pinturas para despertar nossos poderes empáticos e filosofia para sondar nossas ansiedades e oferta de consolação, mas precisamos adquirir a habilidade de voltar a nós mesmos.

Empatia, antes de mais nada, está relacionada em como estamos nos assistindo também. Pois é, o apreço por nós mesmos, com alta autoestima, é crucial para qualquer sensação de bem-estar, e então, o desenvolvimento das atividades do dia. O que é estranho, por tanto, é o quão imprevisível a atribuição de estima muitas vezes acaba por ser. Apesar da ausência de quaisquer sinais vigorosos de aprovação do mundo em geral, estamos sempre sendo cobrados e por isso, nos cobrando.

Depois deste exercício, cabe ter afinidades e se identificar com outra pessoa. É saber ouvi-la, compreender os seus problemas e emoções. Assim desenvolveremos a faculdade altruísta. O foco da liderança atual não tem sido exatamente este. Produzir, produzir, produzir… ganhar, ganhar, ganhar. Mas se a saúde da equipe não vai bem, não tem como desenvolver. Buscar compreensão dos sentimentos e emoções, traz experiências de forma objetiva e racional do que o outro sente, independentemente de seu currículo, formação, status, etnia, gênero, colocação política, do que curtiu ou deixou de curtir nas redes sociais.

Quando argumentado sobre isto, importante observar o cenário que estamos empregando o “aceitável”; o que diz ser “imagem” e “belo” (vou abrir um grande parêntese neste parágrafo). Ao qualificarmos a imagem como bela ou feia, estamos colocando nela um atributo que está permeado de construção social e então, individual. Esta definição, dentre tantas outras, tem haver com o que fomos programados para ser e com quem desejamos ser (bom, talvez “desejamos” não seria a palavra correta, não é?). Isso implica identidade. Não só pessoal – aceitar-se – mas o que construíram para nós enquanto crescíamos. A moral e ética que nos apresentaram, dentro do contexto cultural que estivemos – e ainda estamos – inseridos. E o “modo de vida” está claramente envolto da percepção cultural de cada país. Não se vê a flutuabilidade e o equilíbrio (também psíquico) das relações entre o que almejamos e o que é ideal de fato. (Felipe Machado em seu estudo dos arquétipos e comportamento, articula sobre isto e mais. Aconselho a leitura de seu texto clicando aqui).

A autoestima e o espelho do consumidor te trazem percepções do quê e como abordar as questões dentro de você. Acredite, eles estão preocupados sim com seu humor. A satisfação não pode trazer o sentido de reversão. Podemos pensar: “Colocaram a gente aqui. E nós aceitamos, sem mesmo saber o que aceitamos.” Nos conformamos? Dizemos ter opiniões próprias, mas estas peculiaridades estão permeadas de influências. Mas é uma conformidade adquirida, e não construída. Tornou-se rotina. Ser conformado é querer ser aceito. O conformismo virou um dos padrões. A sociedade construiu, junta, conformismos aceitáveis. Ilusões aceitáveis.

Sentir-se bem não é em última análise, algo que pode trazer por meio de realizações profissionais ou econômicas por si só. Palestrantes de inovação batem na mesma tecla, dizendo que: “preciso ser o que eu quero parecer.” Mas faço uma pequena correção: “posso ser o que quero parecer”. Porque esta é a graça da vida, me permitir a mudanças, e não ser imposto a elas. Não ficar dormente, achando que tudo são flores. Você não está no topo – ou melhor: você não precisa estar no topo para ser realizado (porque não ouso usar a palavra “feliz”). A imposição de ideais, que vendem a imagem do que seria “sucesso” ultrapassa – e para alguns, afronta – a realidade física. Sua dimensão de discurso não é para todos, apenas um nicho. E não há erro em pregar para este nicho, desde que aja consciência de tal público-alvo, e não a massa. E aí, vê-se a intrínseca necessidade de criar uma persona. O inatingível. Para que, então, tenha-se aprovação. Quais influências este indivíduo obteve? Existe uma raiz de informação e formação que sustentem tal teoria?

Entenda que até mesmo sua carreira não te define por completo. A plenitude de competência não pode pressupor ou embasar sua história. Por mais importante que seja para o mercado, não expõe a beleza que você, enquanto ser humano, é.

Por isso, vê-se muitos rompendo e saindo de seus trabalhos, mudando de carreira, reinventando-se. É a busca pela satisfação plena. Mas, até onde isto é saudável? Ou, quais influências você tem ouvido?

Não quero concluir ainda, mas de antemão, concordo da importância de ponderação organizacional, a organização estratégica e a autorreflexão – e autocrítica – de sua jornada de trabalho. Talvez, a ênfase precisa estar na (re)educação emocional em comunidade, numa cultura de introspecção e em um tipo mais honesto do capitalismo. É coerente afirmar que o conceito de uma vida significativa é eminentemente plausível – que compreende elementos que podem ser claramente nomeados e, gradualmente, conquistados.Não é o reiterar-se que fará diferença, é o querer-se inteiro. Retificar-se. Isto é ser autêntico. Tal autenticidade pode te proporcionar frescor, liberdade e, quem sabe, felicidade.

No próximo texto, quero continuar colocando estes conceitos, e ainda, a compaixão como elemento fundamental na caminhada profissional.

(Fonte: este texto tem o auxílio das palavras do site http://www.theschooloflife.com/ e das anotações do meu próximo e-book.)

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Arthur Barbosa

Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa

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