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Experiência X Inovação – Um Conflito Empresarial

Experiência X Inovação – Um Conflito Empresarial

Durante estes anos de trabalho, não foram uma nem duas as empresas na qual tive a oportunidade de visitar, que ainda possuem gestão familiar na sua administração. A história se repete, geralmente homens, que com muito esforço, muito empenho e dedicação ao longo de muitos anos, conseguiram construir empresas sólidas, tornando-se empresários bem sucedidos e exímios conhecedores dos seus negócios.

Neste último ponto, realmente não a discussões, todos tornaram-se conhecedores dos mínimos detalhes de compra e venda dos seus produtos ou serviços, aprenderam entre erros e acertos, e por fim, trilharam o rumo do sucesso. Mas a pergunta que sempre me faço é a seguinte: Os erros do passado seriam concertados nos dias atuais? Conseguiriam esses mesmos empresários contornar esses percalços com tamanha concorrência, com toda a exposição de mídia relatando nossos erros constantemente?

Pois bem, parece que os tempos mudaram, empresas inovadoras em todo o mundo estão nas mãos de jovens mentes. Não falo aqui que a experiência não serve para o mercado atual, não é isso, mas acredito que essa experiência deva ser mesclada com a juventude, sagacidade e inteligência de uma nova geração que surge. Não vejo fórmula de sucesso maior do que essa, mas baseando-me nas empresas que visito diariamente, a experiência ainda está esmagando a inovação.

Às vezes me parece que paira uma falta de confiança no ar, ou mesmo alguns empresários se sustentam na seguinte frase: Sempre fiz desta maneira! Pois bem, cabe a nós jovens, explicar que podemos fazer de uma nova maneira, quem sabe mais rápida e lucrativa. Sei que não é tão fácil quanto escrevo agora, não são poucos os relatos de jovens, filhos de empresários que gostariam de ter suas ideias mais aceitas dentro das suas organizações, e que hoje se resumem a meros executores de tarefas.

Isso se agrava quando questão é a sucessão de comando dentro das empresas familiares, o desapego não parece fácil por parte do empresário que dedicou mais de 30 anos de trabalho pesado dentro da sua organização. A ideia de não ter mais o comando de voz, o poder de decisão, parece que deixa à todos um pouco incomodados, e assim, acabam administrando suas empresas por mais alguns anos, sem o interesse de inovação ou atualização de gestão, apenas para não perder o gosto da decisão final. Isso pode ser muito prejudicial para a organização, pois o sangue novo que está pedindo passagem, pode não ser percebido e desestimular-se, ou pior, pode procurar novos caminhos, na busca de empresas que valorizem as suas ideias.

O diálogo deve ser a base de qualquer processo de sucessão, onde todos devem entender os três elos envolvidos no processo, a família, o patrimônio e a empresa. É aconselhável que as empresas contratem consultores especializados para gerirem este momento, assim, garante-se imparcialidade e a certeza de estar realizando um processo com o profissionalismo que o mesmo necessita.

De qualquer forma, a teoria já está muito bem escrita, e não é somente sobre o processo de sucessão que gostaria de me referir, mas sim sobre o processo de aceitação das jovens ideias. Podemos ser administradores experientes e inovadores, por que não? E somente esse profissional teria a capacidade de mesclar o seu conhecimento a uma nova realidade de mercado que se apresenta, com um novo jeito de se comunicar, um novo jeito de se relacionar, e um maior discernimento para aceitação das mais distintas opiniões.

Juntos somos mais fortes! Se o ditado é verdadeiro, por que não aliar isso tudo e mesclar experiência, inovação, cautela e ousadia? Meu recado a nós jovens, filhos de empresários ou não, é que mantenhamos nossas opiniões, na busca da aceitação, com argumentação e embasamento para tal. E se não for muita presunção de minha parte, meu recado aos administradores mais experientes, é que dediquem alguns minutos do seu dia para perceberem como estes jovens trabalham, como se comunicam e como se comportam, pois não demorará muito para esta geração ser o principal comprador do seu produto ou serviço.

 

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Marcus Tonin

Sócio da Candoo Comunicação e Branding e Consultor de Marketing pelo Sebrae. Apaixonado pela comunicação, que ainda acredita que esta deva ser realizada pelas pessoas, e não por seus meios.

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