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E quando o discurso sai pela culatra? – PARTE II

E quando o discurso sai pela culatra? – PARTE II

(Antes que você inicie sua jornada comigo para um tiro certeiro em sua oratória, recomendo a leitura da parte I, clicando aqui)

A proposta nos três artigos é trabalhar com aspectos didáticos, vamos lá?

Você já foi em alguma palestra em que as pessoas constantemente levantavam, se moviam e até mesmo você se sentia desconfortável? De repente, tudo atrapalha: a luz, a cadeira, os sons, cochichos, a voz do orador… tudo acontece para que sua atenção seja distorcida e perca o foco. Mas, talvez o erro esteja em como o discurso foi planejado. As palavras não somente soam, mas podem dizer muito do que está se passando sobre o seu comportamento e postura, não é verdade? Por isso, cada parte de seu discurso deve ser preparada e analisada separadamente, para que não haja falta de interdependência e as passagens ocorram naturalmente, sem que o público perceba e consiga observá-lo como um todo (para que não fique aquela sensação de cansaço). E é sobre isto que quero conversar com você nesta segunda parte: os elementos estruturais para a elaboração de sua oratória. Trabalhe com a elucidação, para que o público te compreenda melhor. Marque cada ideia e informação sem forçar a concentração e o raciocínio. Seja paciente.

ROMPA BARREIRAS

Evite a previsão e não crie expectativas! Já dizia Cícero: “A introdução é a oração que prepara o ânimo do ouvinte para receber bem o restante do discurso.”, portanto, esteja atento ao seu objetivo logo no início; não deixe para apresentá-lo quando não houver mais barreiras ou resistências. Rompa com a duração na introdução! 10% do tempo de sua de toda sua fala já é o suficiente para que o público perceba a relação do assunto abordado. Mas, o ponto que gostaria de destacar em primeiro instante é o vocativo, caracterizado pelo cumprimento ao auditório (ninguém gosta de pessoas mal educadas e ranzinzas!). Acredito que esta seja talvez a principal barreira a ser vencida e a qual conquistará de fato, sua plateia. Lembre-se de ser amistoso, gentil, cordial e sorria! Muito menosprezam os elogios, mas isto pode valorizar e traduzir em muitas características positivas ao interesse e disposição da plateia.

PREPARE-SE

Considere importante a proposição, narração e divisão do discurso, pois informar sobre o tema (já na introdução, como disse ali em cima), expor soluções, levantamentos históricos, pesquisas científicas e até retrospectos, creditam, e muito, à sua fala.
Após isto, chegamos ao assunto central. E é aqui que surgem os principais tiros errados. Então, como transmitir credibilidade? Bom, sua postura corporal, por exemplo, pode ditar muitas coisas, as vezes, tudo (veremos isto no próximo texto). Mas há ainda como gerar fluxo e rentabilidade ao seu discurso atentando para algumas diretrizes. Você já ouviu falar nas “ordenações do discurso”? Existem alguns métodos ou técnicas de confirmação do que você está propondo falar, que podem orientar a exposição ordenada da mensagem, e elas servem como um bom “fichário”, organizando suas ideias, são elas:

Ordenação no tempo: indica todos os fatos ocorridos;

Ordenação no espaço: indica onde os fatos ocorreram;

Ordenação crescente: baseia a mensagem partindo das informações mais fracas ou básicas até às maiores ou complexas. (E é aqui onde você fornece ao público uma linha de raciocínio);

Ordenação de natureza intrínseca: “quais possíveis poluições ambientas ou sonoras eu devo me preparar para enfrentar, de acordo com o ambiente em que eu estiver?”;

Ordenação de causa e efeito: Indica quais motivos que ocasionaram um determinado acontecimento. (Onde você poderá usar a persuasão, porque ao estabelecer e provar que um fato ocorreu com base em uma determinada causa, terá como fortalecer seu trabalho);

Ordenação pelos prós e contras, experiência e solução de problemas: claro, precisamos sempre analisar os dois lados da moeda. Ouça ideias, leia artigos e ouça seu público. Resolva todas as questões que você mesmo levantar em sua narração (leve um rascunho, se for necessário – não há problemas em consulta-los durante todo esse processo).

Até aqui, já elaboramos nosso texto, analisamos, estruturamos, e agora podemos revisá-lo. Enquanto revisa, lembre-se que poderão ter possíveis objeções aos seus argumentos. Por isso, a refutação (ou defesa) destes é um ponto que você precisa estar preparado. O momento de refutar e a forma como conduzir a discussão serão qualidades que você precisará trabalhar (e até estabelecer um plano, guardando algumas “balas” na manga e ter mais opções de tiro).

De tudo que expus nesta segunda parte, a palavra em que posso traduzi-la é :leveza. Você sim precisa ser técnico e coeso em seu preparo, mas o público não. Seja leve, pondere, solte boas risadas e divirta-se! No próximo – e último -, artigo sobre esta temática, vamos conversar sobre a conclusão, algumas habilidades técnicas e comportamentais e cuidados com a sua voz para que suas expressões não saiam pela culatra. Espero te ver em breve!

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Arthur Barbosa

Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa

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