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E quando o discurso sai pela culatra? – PARTE I

E quando o discurso sai pela culatra? – PARTE I

“É mais grave as pessoas não saberem se defender pela palavra do que pelas suas próprias mãos.” Aristóleles

Todos já cometemos erros ao discursar, sejam em temáticas novas ou até mesmo as que dominamos. Então, o que fazer para que o discurso não saia pela culatra? Este é a primeira de três partes que quero conversar com você sobre essa grande arte: a de falar ao público ou em público. O objetivo é clarear suas ideias com alguns tópicos e não deixar que o seu tiro saia pela culatra.

“Parte da pistola ou espingarda, onde colocava-se o cartucho com a bala ou projetil. Culatra é a parte detrás da arma – portando o lado oposto ao cano, uma vez que o cano é a parte da frente da arma.”

Mas que palavra estranha essa: “culatra”, e você provavelmente a ouviu por uma vida e não se questionou o motivo do uso dela. Mas não se trata de desuso, e sim a falta de oportunidades para que a usemos, como nossa rotina, por exemplo (até porque, existem palavras que já estamos fartos de ouvir todos os dias). Por isso, a escolha de palavras certas torna seu discurso exclusivo e que, junto a sua postura e cuidados com suas expressões e código verbal e não-verbal e algumas habilidades técnicas, podem mudar a concepção dos decodificadores ou receptores (ouvintes) e então, gerar bons feedbacks.

Existem dois termos que “esbarramos” quase todos os dias, e nortearão as três partes do artigo: a eloquência, referindo-se à fala na sua dimensão prática; sua capacidade de falar, de se exprimir com facilidade e ligada à arte de persuasão (LOPES, 2000); e a retórica, caracterizada por um conjunto de regras teóricas relativas à capacidade da eloquência; é o tratado que encerra estas regas. (Ferreira, 1975)

Mas, o que muitos acham simplório, a oratória vai além disto. É possível observar muitos líderes em ação com argumentações persuasivas sem caráter inspirativo, mas que só buscam próprio interesses. Não faça isso! É preciso apresentar este tipo de argumento em justificativas e defesas, mas que em todas elas, haja também o intuito de inspirar quem quer que esteja ouvindo.

Lembre-se dos conceitos figurativos, e se você não os conhece direito, não use-os, porque seu tiro pode sair pela culatra por isso. Eles são ótimos para enfatizar argumentos e embelezar seu conteúdo, despertando a atenção do ouvinte. São eles: metáfora, metonímia, anáfora, pleonasmo, eufemismo, sinédoque, hipérbole, antítese, apóstrofe, prosopopeia, elipse, ironia, repetição, interrogação, epístrofe, gradação e reticência. (Eu sei, muitas palavras estranhas, mas não se assuste!).

Em um primeiro instante, organize suas informações; o assunto e objetivos: qual é o público alvo; o porquê de você ter sido convidado; trate de um assunto que você domine; coloque uma nova roupagem nos velhos assuntos; opte por uma questão pertinente à circunstância; Informe, motive, (e por que não) entretenha.

A preocupação em falar vem desde a idade da pedra. No começo, a força bruta era utilizada em nome do grupo. Com o tempo a força da inteligência passou a dominar. Foi na Grécia que o domínio da comunicação verbal começou a permitir a resolução de problemas, possibilitando progressos mais acentuados e começando então registros evolutivos sobre a oratória, indo à Idade Média, Renascença, História Moderna e Contemporânea, com grandes nomes. Te encorajo ao estudo histórico.

Lembre-se que “a imaginação é sua própria forma de coragem”, então o uso teórico não pode ser um fardo, pelo contrário, precisa te deixar mais livre ao criar e redigir seu discurso. Mesmo com toda eficácia e didática, com introdução, narrativa, argumentações, afirmações e conclusão, preocupe-se com o ouvinte, como você irá expor seu pensamento. Considere a forma como as pessoas ouvem: prejulgamento e distorções, qualidade da mensagem, dificuldade de concentração, audição seletiva e quanto tempo eles tão dispostos a ficarem parados te ouvindo.

De tudo, posso concluir esta primeira parte em duas palavras: equilíbrio e ponderação. Não peça paciência ao público, seja você paciente. No próximo artigo, quero te mostrar os elementos estruturais para a elaboração do seu discurso e os tipos de comunicação que pode usar. Espero vê-lo em breve!

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Arthur Barbosa

Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa

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