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A falta de tempo em ter tempo

A falta de tempo em ter tempo

Parece que o que foi feito para nos ajudar, auxiliar nossos afazeres, guiar certas escolhas, enfim, só parece, é o grande responsável pela alta pressão interna que acabamos por criar dentro de nós mesmos. Existe uma força que paira no ar que nos faz ter a certeza de que a única coisa certa é a nossa falta de tempo. Falta tempo para dormir. Falta tempo para pensar. Falta tempo para pensar no que eu vou fazer depois de dormir. Falta tempo para me programar para um próximo tempo. Falta tempo para ter tempo. Falta o tempo para entregar o job. Falta o tempo de cada um, o nosso tempo. Ou seja, não quero confundir, mas, nessa escravidão, onde se vive para trabalhar, ao invés de se trabalhar para viver, o tempo existe para nos espremer e nos sugar cada vez mais. Pelo menos é o que parece. Só parece.

Quem goza do poder de organização e de um bom planejamento seguido, é claro, de ações, pode sofrer menos com a cobrança desse relacionamento eterno com o tempo (ou até mais, não sei). Acontece que, a impressão que fica é de não termos mais o mesmo prazo para as coisas da vida, umas essenciais outras efêmeras, mas não menos importantes. Mas, o tempo é o mesmo sempre, nenhum número é acrescentado em nossos relógios. Vinte e quatro horas têm sido vinte e quatro horas desde que conhecemos o mundo como mundo. Então, eu, sendo inquieto que sou, e mais uma porção gigantesca de pessoas que, na teimosia de querer sempre o mais e mais, no querer do consumir e no querer em querer estar e fazer sempre mais, nos pegamos apanhando de nosso “parceiro”? Talvez, penso eu, estejamos fazendo errado. Ele (o tempo) é o nosso aliado, mas estejamos esquecendo um pouco dele e dando mais atenção a tudo que podemos fazer, porém, negligenciando um elemento importante para que essas ações se tornem realidade e saudade.

Sendo o tempo quem ele é, invisível, mas presente, intangível, mas digno de tortura, é um dos elementos que nos acompanhará pelo resto de nossas limitadas vidas. E nisso, somos muito parecidos com ele, pois compartilhamos da mesma limitação, porém, ele se renova a cada pôr e nascer do sol. E quanto a nós?

Como podemos acompanhar esse movimento infinito? Não podemos viver para sempre, muito menos viver para trabalhar, muito menos ainda viver sem termos um propósito e um sentido para viver.

Esse tempo que cobramos e que se pudesse compraríamos mais, investiríamos na bolsa de valores, é sempre o acusado de nossas inconsequências e limitações. Pobre coitado. Eu mesmo me sinto sempre um ingênuo quando me pego atrasado no tempo, como se não aprendesse nunca que sou eu que tenho que me adequar a ele. Apesar de mais e mais cobrança aparecer do trabalho, dos estudos, da sociedade, apesar de tantos pesares próprios a cada um, ninguém parece se importar com o tempo que resta dos outros. Cada um que se vire com o seu tempo. Parece que o tempo que todos nós compartilhamos, uns têm mais, outros, não.

A cada dia que passa, adequar e alinhar tudo o que eu faço me parece uma questão de tempo. E lá vamos nós de novo, o prazo encerrou.

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Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!

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