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Facebook: uma ferramenta para atribuir ou para limitar?

Facebook: uma ferramenta para atribuir ou para limitar?

Os dias parecem corridos ultimamente, levando em conta que cada vez me levanto mais cedo e o dia teima em fazer o mesmo, se pondo antes da hora. Na verdade, existe a tentativa de se controlar as horas do dia para que não percamos a produtividade e nem desperdicemos nossas fontes de energia, por exemplo. Passo mais tempo em meu trabalho, com os olhos iluminados por uma luz artificial, refletindo páginas e páginas, entre sites e redes sociais, estes últimos principalmente.

Meu copo de café já me acompanha e me observa e, muitas vezes, eu me confundo pensando entre mim e ele, qual ser o mais produtivo nesta sala. Ele, que sempre aparece para me dar um pouco mais de ânimo e, talvez, mais inspiração; e eu, que nos dias que me considero mais produtivo, o tenho como combustível e nos menos produtivos, também. Porém, meu café sempre tem a mesma composição, essa é a diferença entre nós dois. Estou na rede social procurando ser o que gostam, estar no lugar que estiveram, curtir eles para parecer um deles, talvez. Tentando me mudar em meio a tantas mudanças.

Acho que isso veio para atribuir ao meu trabalho e para os meus relacionamentos. As opções se reproduzem feito um vírus e me parece que eu nunca tive tanto poder como hoje. Entro no meu facebook carregando em mim uma certa ansiedade por notificações. Quero saber se me responderam, se me adicionaram ou se tem algum convite novo para evento. Refletindo, o facebook veio para atribuir. Nunca conheci tanta gente como agora. O contato é rápido e pode ser o suficiente para o momento (as pessoas estão se gostando mais, mas também o efeito pode ser o contrário). Veio para atribuir. A busca por informação não é tão trabalhosa como já foi, eu selecionei minhas páginas e temas favoritos, agora as notícias saltam em minha timeline. Veio para atribuir. Vejo belas imagens de todos os cantos do globo. Me fascino com os lugares que existem e como as pessoas viajam tanto. Mas também vejo que posso estar me limitando nesse momento.

Principalmente quando noto que adiei com os amigos uma viagem, justamente para um dos locais dessas fotos que mencionei a pouco. Pelo visto as imagens estão me satisfazendo a ponto de eu me conformar em ficar por aqui mesmo, só curtindo. Estou me limitando. A proatividade que antes eu almejava tanto se perdeu em meio a tanta conformidade, conformidade essa proporcionada pela rede social, no caso. Parece que eu a sinto – essa proatividade -, porém não deve ser real, já que estou simplesmente fazendo o que me proporcionaram a fazer por aqui. Estou me limitando, amigo. Exatamente, meu amigo, penso que perdi a noção ou ela não me foi ensinada, pois, com a minha juventude excêntrica, me mostro mais interessado no facebook das pessoas em vez de mostrar mais interesse por elas propriamente ditas. Sabe, o silêncio de uma resposta não dada – mas visualizada – no facebook é menos desconfortável do que o silêncio constrangedor cara a cara.

Eu queria me mostrar mais presente, fisicamente falando. Me pegar mudo e sem graça num papo descontraído e reparar que as pessoas têm disso, porque isso não se aprende num tutorial.

No fim das contas, acredito que preciso encontrar esse equilíbrio entre a rede e a vida fora dela. Isso não é tão simples quanto parece, nem tão rápido, considerando que meu café já esfriou e eu ainda me encontro nesse impasse. Só espero não me perder nessa rede e, sim, ir aprendendo com ela. Aí sim, ela pode me atribuir, mesmo com algumas limitações.

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Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!

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