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As faces do consumo

As faces do consumo

Nos últimos dias rolou na internet o caso de uma consumidora que comprou de um site chinês e recebeu com a mercadoria o bilhete “Help me I slave” – “me ajude, sou escravo”. Sabemos das condições de trabalho pelo mundo, mas corta o coração ver uma coisa dessas. E como não sentir culpa por comprar um produto barato, sabendo que alguém está sendo explorado através do nosso ato? O consumo aparece como vilão sendo o combustível de relações desumanas de trabalho.

O acesso à informação permite que algumas facetas da sociedade de consumo, aquelas que preferimos ignorar, se tornem evidentes. Assim, várias questões relacionadas ao processo de produção das mercadorias que consumimos são expostas gerando culpa e sensação de impotência. Quem não se sentiu perturbado ao assistir o vídeo “A História das Coisas”?

O vídeo retrata toda a nossa cadeia de consumo alertando para os rumos que a sociedade se encaminha. Mas este alerta não pode ser considerado apocalíptico, é um desafio para a mudança de atitude e comportamento de cada um nas relações de consumo e de vida como um todo.

O consumo tem dois lados, ao mesmo tempo que o sistema de produção acarreta em danos ambientais e sociais, vivemos em uma economia que depende dele, está enraizado na nossa cultura e relações sociais. Aprendemos que é necessário e é bom comprar, traz satisfação suprindo nossos mais variados desejos. E sim, vamos continuar comprando, mas por que não com uma atitude um pouco mais crítica em relação às marcas e empresas? O mesmo acesso à informação que nos expõem aos problemas relativos ao consumo, nos expõem a informações sobre as instituições, sobre as marcas e sua conduta. Também nos dá acesso a pessoas e grupos que buscam amenizar essas questões com vistas a uma sociedade sustentável.

Por que não fazer uso da conectividade que temos à disposição para colaborar com um mundo melhor? Vi uma reportagem há uns dias atrás sobre alemães que criaram um site de troca, para as pessoas doarem artigos que não usam mais para aqueles que estejam precisando destes itens. Um bom exemplo para encontrarmos formas de reutilização das coisas em um mundo onde tudo é muito descartável, substituível e pouco reaproveitável.

Fica a proposta de reflexão sobre nossas atitudes e sobre como podemos nos engajar em causas, grupos, conversas que busquem alternativas para os danos que estamos causando para as pessoas e para o ambiente, para que possamos consumir e descartar de forma consciente!

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Caroline Trapp

Publicitária e sócia-proprietária na AnimA Estratégias em Relacionamento. Estuda comunicação, marketing e comportamento de consumo, vê no relacionamento o diferencial de marcas e negócios!

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