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Minha identidade, um pseudônimo. E minha essência, onde foi parar?

Minha identidade, um pseudônimo. E minha essência, onde foi parar?

As pessoas estão com seus bluetooth’s e wifi’s ligados quase que o tempo todo. Mantém seus “status” (lê-se publicações) atualizados a qualquer simples movimento, atitude, mudança de clima, tropeço de alguém, a cada avaliação nova, filme antigo “novo”, uma louça lavada, um carro estacionado, a cada luxo de outrem, uma diversão não alcançada, uma carência proclamada… uma infinidade de efemeridades cotidianas a qual não condiz com a magnitude da natureza das coisas. Ou será que condiz?

Não se sabe mais ao certo o que, de fato, é a essência de cada ser e o que seria o seu pseudônimo, porém, em inúmeras vezes, essa assinatura criada a partir de nossas mais longínquas jornadas imaginárias brotou exatamente daquilo a qual parece fugir: a essência de cada um. A essência de cada um nasce de nossos anseios, de nossos medos, vontades, de nossas atitudes nas horas mais incomuns, da nossa trajetória, dos lugares que conhecemos aos lugares que adoraríamos conhecer, das pessoas com que convivemos, do que produzimos às feridas consagradas. Nasce dos nossos sentimentos e nossos sentimentos nascem da nossa essência. É uma troca mútua. É uma história de milhões de anos de evolução que se vê, agora, em outros patamares.

Hoje em dia, temos nossos aparelhos multifuncionais, que exercem funções antes inimagináveis – o próprio aparelho já foi algo inimaginável – funções que nos auxiliam em outras funções e que não tínhamos o conhecimento de que precisávamos (nunca precisamos) delas para tal. Esses aparelhinhos carregam a identidade de uma vasta parte de nossos contatos, e, sim, a de nós mesmos. As músicas que carregamos em nossos cartões de memória. As imagens que registramos pelo caminho. Os diferentes tipos de aplicativos que fazemos uso e de “como” fazemos uso de forma geral disso tudo, etc. Acabamos por transferir muitas das nossas características pessoais para um dispositivo de 200 gramas (não faço ideia ao certo sobre esse peso), mas o peso dele é muito maior do que imaginamos, e que as pessoas protegem com unhas e dentes qualquer tipo de informação que contenha nesse produto.

Este dispositivo se tornou parte de nós, quase como um membro, e nem é preciso um manual para nos informar como nos proteger desse vício. Na verdade, seria importante um manual que alertasse de como não deixar o dito cujo se tornar mais essencial do que aquilo que carregamos dentro de nós mesmos.

Porém, muitas dessas coisas extraímos ou tentamos exportar para nossa vida digital e a essência se perde em meio a tantos megabites navegando pelas nuvens, desviando de caixas de spam, recebendo suas hashtags, e isso tudo entre bilhões de informações de bilhões de outras pessoas.

Já não sei ao certo o que é mais a essência e o que é transferência de dados móveis. O que é pseudônimo e o que é a identidade? Tudo se transformou em um emaranhado de coisas, “coisadas”, que, criadas para simplificar, podem nos desumanizar ainda mais.

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Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!

3 comentários sobre “Minha identidade, um pseudônimo. E minha essência, onde foi parar?

  1. Olá Marcos,

    Ótimo texto, isso nos remete as doenças da alma, doenças modernas, como a depressão por exemplo.

    O individuo que não se indaga, que não busca saber qual é sua essência, não se faz as seguintes perguntas – De onde vim? Onde estou? Para onde vou?-, esse individuo sofre muito e, somatiza doenças com frequencia.

    Enfim, seu texto pode ser um alerta a essas pessoas, espero que continue escrevendo.

    Gratidão!

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    Marcos Holanda Reply:

    Obrigado, Raphael!

    Foi por esse caminho que tentei trilhar nas palavras acima,o da indagação. E observando o que você mencionou, é bastante válida essa questão de doenças da alma, que eu não havia pensado, no momento da criação do texto. Muito interessante, por sinal.

    Obrigado por participar, Raphael.

    Abraço!

    0

    [Reply]

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