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Marketing religioso: A espiritualidade manifesta-se nos relacionamentos

Marketing religioso: A espiritualidade manifesta-se nos relacionamentos

Há muitas discussões em pauta sobre este tema. Argumentos fundamentados em fé, outros somente na razão. O método empírico, também difundido, é feito através de tentativas e erros; caracterizado pelo senso comum, onde cada um compreende à sua maneira. Percebo muitos comentários equivocados sobre o assunto. Mas do que se trata realmente o marketing religioso? Permita-me expor um pouco deste campo, muitas vezes mal interpretado, polemizando formas e meios errados.

A Teologia é uma ciência, uma ramificação do conhecimento a respeito de questões da realidade; pensamento e discurso a respeito de Deus. É um ato consciente, voluntário e intencional, por meio do qual, o mesmo Deus revela ou comunica ao homem a verdade referente a si mesmo em relação com suas criaturas; devoção à uma aliança. É ter uma cosmovisão cristocêntrica, e não egocêntrica.

O marketing religioso ganhou notoriedade com o surgimento no marketing social, com o objetivo de praticar a disseminação de um credo; o desenvolvimento qualitativo das organizações religiosas em uma relação de troca voluntária com seus constituintes, havendo crescimento na eficácia e eficiência de suas missões propostas. Seu conceito está consolidado de uma forma mal interpretada ou pouco apreciada, uma vez que o próprio marketing é visto pela opinião pública em geral como apenas promoção e vendas (Kotler e Levy in Enis et al., 1990; Shawchuck et al., 1992; Chapman e Cowdell, 1988; McMurdo e Jones, 1999; Lambin 2000), logo, criou-se preconceitos e desvalorização. Deve-se predominar a necessidade espiritual dos que servem, e não os produtos ou ideias prévias ou opções particulares de quem entrega o serviço. Todavia, os posicionamentos não têm sido estes.

Eduardo Refkalefky em seu artigo “Comunicação e Marketing Religioso: definições conceituais”, o qual indico para um estudo mais aprofundado, explica: “Para o senso comum, se isoladamente a palavra ‘marketing’ carrega um sentido pejorativo, associá-la a algo ‘sagrado’ cheira a heresia. A religião trata das “verdades superiores”, enquanto o marketing seria pura retórica. A única forma de reconhecer seu valor é rebaixando-o em relação ‘verdade’, seja da prática subjetiva das relações divinas, seja do esforço racional da teologia. ”

Um produto, serviço, ideia ou pessoa que não corresponda a necessidades, desejos e demandas “verdadeiros” da estrutura social, certamente não terá uma vida promissora. A doutrina de Cristo, por exemplo, poderia ter tido sua eficácia apenas naquela época, no entanto, permaneceu viva e cresce até hoje. Podemos supor, que perdurou em virtude da “verdade” sobre a moral do ser humano. Vejo que é preciso diferenciar o marketing adaptável do marketing mais denso e forte, que se propõem mergulhar na alma no que está sendo vendido; dito. O próprio Jesus é exemplo em muitos trabalhos acadêmicos como percursor da didática em liderança e propulsor de ideias e ideais; persuasão e o dom da palavra. Sua oratória é material científico até os dias de hoje. Ouso em dizer que Ele foi um grande marketeiro (e este tópico renderia boas conversas em outros artigos).

O objetivo, embora perdido, é ensinar doutrinas, e não impor. A retórica, embora primordial, precisa ter uma porcentagem pequena. A tensão entre verdade revelada do sagrado e as transformações do mundo representa o grande desafio para teólogos, pregadores e fiéis. Entender crenças, hábitos e práticas religiosas, permite que o conhecimento se transforme em oportunidade. Há falta de organização e sistematização.

O Homem é uma criatura insaciavelmente curiosa. Sua mente está sempre perscrutando o desconhecido, mas quando esta começa se preocupar, torna-se perplexa e tropeça em suas próprias palavras. O marketing religioso propõem esclarecer e expor argumentos ontológicos, morais e teleológicos (“Telos”: ordem ou desígnio ou ainda fim). Meu concelho é que você entenda o que é útil e o que convêm, quando conversa-se sobre espiritualidade, embora uma coisa é certa: ela se manifesta nos relacionamentos. Converse, ouça e explore este campo, pra que haja troca de valores e atualizações constantes.

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Arthur Barbosa

Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa

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