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True Blood: O marketing viral

True Blood: O marketing viral

Sendo um bom admirador de séries televisivas (para não dizer “viciado”), quero abrir este espaço para conversarmos e convidá-lo a viajar para o universo mercadológico de uma das séries mais bem sucedidas. Peço que atente comigo ao investimento e estratégias desenvolvidas pela produção executiva para conquistar o público.

Se destacando nas mídias em todas as suas temporadas com um elemento fundamental chamado “criatividade”, a série esteve cada vez mais nas “garras” do marketing nos ensinando princípios básicos de sobrevivência, se assim posso dizer, em nosso campo de trabalho (não se preocupe texto sem spoilers).

Ontem (22 de junho), começou a sétima e última temporada. Observando esta jornada, pude identificar como perpetuar minha marca e construir um público sólido; uma ideologia a partir das minhas ideias gerando transformação com o meu produto; como impulsionar e incentivar o consumo. Não entro em méritos de só elogiar a série ou desmotivá-lo a assistir nos quesitos de produção, cast., atuação, roteiro e direção, ok? (Não sou crítico de cinema e a pretensão neste texto não é esta)

TR BLOOD DRINK 2A proposta de True Blood é mostrar a comédia dramática, o humor negro explícito e até os clichês sobre vampiros e criaturas místicas com mais veracidade, do jeito que nós, o público, pensamos. Seu criador, Allan Ball, baseou-se nos livros da escritora Charlaine Harris, “The Southern Vampires Myteries”. Em seu enredo, abriu-se espaço para discussões sobre a coexistência desses universos. Por isso, vai além do misticismo, trazendo significado em suas estratégias que se definem em assuntos atuais e consistentes que a sociedade está inserida, como por exemplo, a política. O objetivo é explorar o comportamento humano com boas metáforas criadas. Transmitida pela HBO, ganhou uma “mordida” mais ácida, com boas doses de terror e suspense, adicionadas às lendas urbanas e mistérios que passeiam pela cultura pop.

A série ganhou notoriedade antes mesmo de sua premiere pelo trabalho desenvolvido em mídias sociais, com engajamentos em marketing viral e campanhas promocionais atípicas. Em maio de 2008, foram enviados e-mails em massa de texto escritos em japonês junto às amostras da bebida “True Blood”, apresentado como o sangue sintético. Em seguida, criou-se a implementação de vários funcionários de sites fictícios (os da liga americana de vampiros, da Irmandade do Sol  e um blog que segue a integração dos vampiros na sociedade). Criaram-se propagandas enganosas com cartazes que incentivavam as pessoas a apoiar a alteração nos direitos dos vampiros (ou o contrário, negar a sua integração na sociedade) e um jornal falso chamado ”New York Anouncer”, anunciando a existência dos vampiros.

 Transformar uma opinião segundo seus princípios é uma tarefa árdua e isso o marketing entende como um grande desafio. Os conceitos foram bem explorados. A construção de imagens contraditórias de sexo, violência e religião, pela ótica do que se diz “sobrenatural”, abriu debates em como explorar ideias sobre redenção, perdão, aceitação, identidade e preconceitos. Em seu produto, a bebida “True Blood” conseguiu traduzir o “bom, bonito e barato” em “sofisticação”. Foi o gancho necessário, e bem usado, para manter o público curioso. Transformaram algo que deveria ser repulsivo, nojento, como o sangue humano e animal, em algo apreciável e, permita-me dizer, suculento. A dor tornou-se prazer.

A intenção é estender a curiosidade até onde ela possa ser esticada, diferente de filmes, onde você cativa o público em período de curto prazo. O marketing em séries segue uma linha mais interna, dentro do produto, o marketing externo passa a agir de maneira coadjuvante.

Se começar pelas mídias sociais deu tão certo, não poderiam apostar em um desfecho diferente: em suas redes o “#TrueTheEnd Truebie Testimonials” foi criado com a proposta do público deixar seus depoimentos sobre a series finale, com oportunidades destes, ganhar destaques na fanpage oficial da série, gerando envolvimentos ainda maiores. Algumas pessoas da produção e elenco também participaram com mensagens nostálgicas de histórias das suas personagens, atraindo mais olhares em suas redes sociais, difundindo cada vez mais a mitologia criada na série.

Querido leitor, o foco foi levá-lo a reflexão sobre como o entretenimento, o marketing digital e o empreendedorismo podem fazer por sua empresa, sempre com ideias sólidas e criativas, mesmo parecendo uma utopia ou loucura pra muitos. Espero que com este exemplo você idealize melhor seu produto. Há uma infinidade de ideias a serem exploradas.

Em nossa página no Facebook, citamos Paul Getty, que disse: “Nenhum homem pode tornar-se rico ou conseguir algum tipo de êxito duradouro nos negócios se for um conformista”. Então, saia de sua zona de conforto e arrisque-se mais! Conquiste seu público-alvo com boas surpresas, ou melhor, “sangue fresco”. True Blood viu a oportunidade de explorar um assunto em pauta nos últimos anos, aceitou o desafio e, mesmo censurado, conquistou espaço em seu nicho de comunicação. Trouxeram vida ao que supostamente deveria estar morto. Tenha empatia para que o sucesso seja contínuo e construa uma história que deixe marcas na vida das pessoas.

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Arthur Barbosa

Essa coisa de definir coisas... Escritor, professor, colunista e curioso. Produzindo o terceiro e-book. Licenciando em Filosofia, com foco nas artes e comportamento. Não vive sem séries - e dramas. Melancólico e péssimo de cozinha. O 2º livro #AConstrucaoDoOlhar PDF free aqui ó: bit.ly/aconstrucao | Vídeos sobre os livros em youtube.com/user/arthiebarbosa

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