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Fomos macacos, e agora, o que seremos?

Fomos macacos, e agora, o que seremos?

Não faz muito tempo em que todos éramos macacos, e agora, o que somos? O que seremos? Peço licença para vocês leitores do Ideia e coloco a minha opinião sobre o assunto, parecemos um povo sem identidade, influenciado e seguidores de uma manada que segue a sua presa, mesmo sem saber se temos fome.

Optei por esperar um pouco para escrever sobre o ocorrido com o jogador Daniel Alves no jogo do Barcelona, justamente para perceber quanto tempo durariam nossas fantasias de macaco, e no momento que escrevo este artigo eu falo para vocês, não durou duas semanas. Esse tema faz parte do mundo da comunicação, pois tão cedo a campanha #somostodosmacacos foi divulgada pelo jogador Neymar, rapidamente ficamos sabendo que nada mais era do que uma grande ideia de um agência de publicidade.

Apesar da minha admiração por Daniel Alves como jogador de futebol, nem consigo mais acreditar que o ato de mastigar a banana em campo foi algo impensado, uma atitude espontânea, até isso começo a questionar. Até quando sofreremos esta influência devastadora, que deixa de lado um grave problema social, o racismo, para beneficiar algumas pessoas a vender camisetas?

Em minha opinião, o que a agência procurou fazer foi fortalecer as marcas pessoais das pessoas que estavam ligadas a ela, mas para isso precisou fazer com que todas elas se interessassem de repente por um problema social que até então não parecia ser problema deles. Percebem alguma relação dessas atitudes de pessoas “normais” com atitudes que empresários tomam dentro das empresas? Será que no mundo corporativo as decisões não são cheias de interesses particulares e o coletivo é esquecido?

Já falei aqui no Ideia sobre vários assuntos que eu poderia linkar agora, falei sobre o Branding Brasil, Marketing Social e sobre Ética Profissional, mas o que eu quero trazer novamente à tona é o assunto A Verdade das Marcas. Quando assisti aos jornais no domingo após o jogo, fiquei tão orgulhoso ao ver o país se manifestando, as pessoas postando suas fotos e parecendo tão engajadas que me parecia estar vendo verdade em tudo. Mas a minha decepção foi tão grande ao perceber a campanha pensada, em ver oportunismos comerciais de grandes estrelas, que a verdade que percebi, deixou de existir.

Exatamente por isso deixamos de ser macacos tão cedo, e agora estamos à espera da próxima fantasia. Quero deixar claro aqui todo o meu repúdio pelo racismo, o artigo renderia linhas e mais linhas se continuássemos a discutir o assunto, por isso aviso que o tema abordado não se refere ao grave problema social que vivemos, e sim sobre o oportunismo de algumas marcas, pessoais ou empresarias sobre um tema tão delicado.

Nossas atitudes diante de casos como esses refletem o nosso comportamento cotidiano, seja em casa, na rua ou em nossas empresas. Precisamos nos posicionar, não podemos permitir que nos ofendam e também que nos controlem, busquemos ser cada vez mais críticos do que vemos. Busquemos então, menos oportunismo e mais espontaneidade, menos controle e mais liberdade, menos mentiras e mais verdades.

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Marcus Tonin

Sócio da Candoo Comunicação e Branding e Consultor de Marketing pelo Sebrae. Apaixonado pela comunicação, que ainda acredita que esta deva ser realizada pelas pessoas, e não por seus meios.

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