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Do francês, Stratégie – Conversando sobre estratégias

Do francês, Stratégie – Conversando sobre estratégias

Quando pensamos na elaboração de estratégias, logo imaginamos uma grande sala de reuniões com uma enorme mesa ao centro, rodeada de cadeiras confortáveis, com diretores e gerentes discutindo o futuro da organização, baseados nos gráficos do passado e nos indicadores do futuro. Certamente esse é o modelo mental que montamos ao nos reportar para tal situação.

Ao iniciarmos um processo de formulação de estratégia, contamos com inúmeros modelos a serem seguidos, cabe a nós analisá-los e identificar quais os que mais se encaixam com o nosso objetivo final, assim conseguiremos alinhar o trabalho realizado com o resultado pretendido. Podemos montar uma estratégia quanto à dominância de mercados, analisando seguidores e nichos.

Podemos também estabelecer uma estratégia de inovação, na busca em ser o pioneiro em determinado produto ou serviço, ou buscar uma estratégia de crescimento e até mesmo de agressividade. Enfim, modelos de estratégias não nos faltam para que possamos buscar a mais adequada ao nosso momento empresarial.

Um dos principais autores a escrever sobre estratégias é Michael Porter, um dos pensadores de maior influência no mundo dos negócios. Entre suas inúmeras e bem sucedidas teorias sobre o tema, ele nos explica que podemos obter vantagem competitiva nos negócios se montarmos nossa estratégia baseada na liderança total de custos ou na diferenciação de nossos produtos ou serviços.

Mas diferentemente da visão tradicional que temos, sobre como pensar e montar uma estratégia, o que gostaria de trazer a vocês, leitores do Ideia, é a teoria de estratégia estabelecida por Henry Mintzberg, professor, escritor e pensador canadense. Ele apresenta outro modelo que chama de estratégia artesanal, e assim o define:

Os gestores são os artífices e a estratégia é sua argila. Como a escultora, eles situam-se entre um passado de capacidades empresariais e um futuro de oportunidades de mercado. E caso sejam artífices de verdade, levam para seu trabalho um conhecimento íntimo dos materiais que utilizam. Isso é a essência da criação artesanal de uma estratégia.

Parece-nos um pouco estranha esta analogia com a escultora, mas pensemos um pouco mais sobre o assunto. O processo tradicional de formulação de estratégias possui os seguintes passos: primeiro devemos pensar para depois agir, é necessário formular para só então implementar. Parece óbvio que o processo deva ocorrer nessa exata ordem e ninguém percebe motivos para que isso seja alterado.

O autor nos traz em um dos seus exemplos a história de um vendedor que visita um cliente, o produto que ele oferece não é exatamente adequado às suas necessidades, então, juntos realizam algumas modificações. Assim, o vendedor volta a sua empresa, implementa as modificações e após algumas tentativas chegam a um acordo. Surge um novo produto, que dará origem a um novo mercado. A empresa acaba de mudar o curso de sua estratégia.

A grande questão é que dentro das organizações esse vendedor pode estar bastante distante dos profissionais que formularam a estratégia, assim ele não teria autorização para realizar as alterações necessárias no produto e consequentemente não conseguiria suprir as necessidades do seu cliente.

Uma estratégia puramente deliberada bloqueia a aprendizagem, tornando todos os colaboradores escravos dessas diretrizes. Busquemos ser formatadores de estratégias mais artesanais, sentindo o trabalho que estamos realizando e aceitando as mudanças que ele mesmo pode nos sugerir. Um pequeno ajuste no meio do caminho pode ser o diferencial entre o cumprimento de um meta ou a descoberta de um novo mundo.

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Marcus Tonin

Sócio da Candoo Comunicação e Branding e Consultor de Marketing pelo Sebrae. Apaixonado pela comunicação, que ainda acredita que esta deva ser realizada pelas pessoas, e não por seus meios.

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