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As marcas da Copa do Mundo da FIFA. Da FIFA!

As marcas da Copa do Mundo da FIFA. Da FIFA!

No dia 19 de março, participei do Seminário de Proteção às Marcas da FIFA, aqui em Natal, uma das cidades que irão sediar a Copa do Mundo e, desde o fim do mesmo, que não está ocorrendo somente aqui, mas também em outras cidades, muitas pessoas estão criticando a FIFA, dizendo que não podem fazer nada, que o mundo vai acabar e outras coisas mais radicais que tenho lido. A imprensa tem divulgado os pontos tratados e aí a coisa piora. Por aparecer muita informação sem sentido ou repassada de maneira incorreta, mais e mais pessoas passam a interpretar e falar sobre o assunto, tomando partido e em tom agressivo.

Fui lá, ouvi, refleti e confesso que entendi de outra forma. E não estou aqui defendendo A ou B, apenas pretendo passar algumas informações para esclarecer que a situação não é como está sendo colocada por alguns. A questão da proteção às marcas registradas e o que diz respeito a fazer valer a lei é totalmente legítima. Não tem o que discutir. A FIFA está correta. Ela registrou as marcas nominativas através do INPI, como deve ser feito e não houve contestação por parte de ninguém. Ou seja, se, somente se, houve excesso na quantidade de possibilidades de nomes que ela registrou, faltou atenção por parte dos interessados e reclamantes das restrições.

Proponho invertermos o ponto de vista. E se alguém usar um nome registrado por você, copiar ou falsificar um produto da sua marca, se aproveitar de um evento que você organizou para ganhar dinheiro sem te apoiar na organização e viabilização, como você se sentirá?

Eles foram claros em todo momento, o uso das marcas, imagens e exploração das áreas próximas aos eventos, denominadas como “áreas de restrição comercial” para se criar VANTAGEM COMERCIAL será observado, notificado e punido. Portanto, ao contrário do que alguns entenderam ou leram em jornais, moradores não serão penalizados, pois não existirá essa relação comercial. Já os comerciantes, poderão sim manter suas atividades regulares, mas com a ressalva que deverão ter cuidado com a exploração comercial através do marketing de emboscada por associação. Ou seja, criar associações diretas ou indiretas ao evento para fins comerciais. E o  marketing de emboscada por intrusão que se refere às tentativas de dar visibilidade a uma ou mais marcas dentro dos locais considerados espaços exclusivos do evento também será combatido.

Agora, por outro lado, temos dois problemas culturais, mais complexos e que esse texto não tem a intenção de oferecer solução definitiva e única e, sim levantar uma discussão. O primeiro é a falta de planejamento endêmica que o país possui. O governo e organizadores locais esperaram muito para esclarecer esses pontos importantes. O Brasil e parte dos brasileiros queriam tanto a Copa, mas agora, que estamos no auge da falta de competência e planejamento, observamos e entendemos o quanto essas questões são importantes.

O segundo ponto é que somos completamente descuidados, desinformados e mal educados na questão do respeito ao uso de imagens, direitos autorais e direitos de uso das marcas. Não existe controle e punição ao comerciante que vende produto falsificado, o produto “pirata”, a informalidade é característica marcante do país e acabamos criando, por muitos e muitos anos, gerações de “donos de negócios” e não empreendedores, por falta de preparo mesmo. Sei que existem instituições que ajudam e muito na construção de novas percepções para quem abre ou pensa em abrir um novo negócio, mas ainda é pouco e a predominância é sim de empresários com pouco conhecimento em administração e marketing. Isso fica mais latente quando, uma marca com o poder que a FIFA tem, chega ao país para organizar um evento privado e gigante, trazendo outras marcas gigantes como parceiras e apoiadoras e exige que se respeite essas relações.

Que tal pensarmos em soluções para tentar obter lucro e vantagens sobre o evento Copa do Mundo da FIFA de maneira consciente e onde todos possam se respeitar e se relacionar? Uma possibilidade seria a união mais forte e mais sincera entre o público e o privado para a criação de espaços alternativos onde o comércio formal e até mesmo o informal possam estar presentes de maneira organizada. Não vai ser possível e nem viável combater radicalmente e acabar com a atitude informal. Mas é possível criar uma harmonia. É difícil, mas sempre tem um jeito inteligente.

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Thiago Garcia

Jornalista pela UFRN é diretor de criação da agência Virttus Propaganda e acumula 14 anos de experiência no mercado publicitário. Possui MBA em marketing estratégico e pós-graduacão em Docência no Ensino Superior. Professor da Universidade Potiguar, nos cursos de Comunicação social, além de ser docente nos cursos de pós-graduação Planejamento Estratégico em Comunicação, Assessoria de Imprensa e MBA em Mídias Sociais.

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