Já tinha outro texto pronto para essa semana, quando a febre amarela me pegou. Não, não estou falando da doença comum em países localizados perto dos trópicos, e sim de algo que atinge 34 países, com valores de vendas anuais sigilosos, mas que aumentam cada vez mais. Estou falando da Forever 21!

Nesses últimos dias, diversas notícias têm saído sobre a chegada do coreano Do Won Chang e sua Forever 21 em terras tupiniquins. A primeira loja inaugurada foi no shopping Morumbi, em São Paulo e a segunda no shopping Village Mall, no Rio de Janeiro. Com previsão de mais 5 lojas (Rio de Janeiro, São Paulo, Ribeirão Preto, Brasília e Porto Alegre), levando 3.000 pessoas a sua inauguração em São Paulo no último dia 15, com filas, filas e mais filas no Rio de Janeiro, essas mulheres estariam alvoroçadas à espera de quê? O que Mr. Chang pode oferecer que as outras empresas não?

A resposta passa pelo velho querido mix de marketing, os famosos 4P’s, que dentre eles o que tem mais destaque é o…Preço! Produtos de qualidade vindos diretamente das passarelas mais conceituadas para o shopping mais perto de você. Blusas a 8,90 reais, calças jeans a 34,90, vestidos a 44,90 reais e saias a 28,90 reais, como exemplo do poder de preço que a marca traz ao Brasil. Além disso, uma reposição diária de peças diferentes fazendo com que as mulheres queiram sempre dar uma “passadinha” na loja para olhar o que tem de novo.

Mas como todos sabem, a tributação brasileira é uma das maiores do mundo, impedindo muitas vezes que meros mortais como nós, sejam impedidos de comprar itens considerados comuns em outros países, como seus gadgets (PC’S, Celulares, Tablets) e roupas, nesse caso como uma tarifa de importação de 35%, além de PIS/Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e ICMS. Ou seja, um produto vendido nos EUA por 20 dólares, após conversão e adição de impostos, pode ser vendido por volta de 90 reais aqui no Brasil.

Então como a Forever 21 faz para conseguir trazer produtos relativamente baratos? Os preços baixos serão uma constante ou uma estratégia de mercado para “fazer barulho” e em seguida se reposicionarem? Chang diz que o compromisso da marca é manter o preço sempre acessível, faz parte da identidade da Forever 21.

Kristen Strickler, gerente global de relações públicas e mídias sociais da marca, disse em entrevista que não iriam vir para o Brasil sem poderem competir nesse grande mercado. Acredito que problemas como a carga tributária e possíveis problemas logísticos estavam em pauta.

O que posso dizer é que, sem planejamento não se chega a lugar algum, quer dizer, sua empresa pode até chegar, mas uma hora ou outra, uma pequena garoa pode parecer tempestade se não houver uma estruturação prévia, com objetivos e metas bem definidos.
Como exemplo, em 1999, a espanhola Zara tinha como objetivo abrir em 3 anos 50 lojas e passado 15 anos ainda não conseguiu essa expansão.

Pode se observar então que não adianta apenas querer estar no mercado brasileiro, diversos pontos devem ser analisados, como:

  • Pontos de venda e como será toda a logística de produtos fabricados em outros países e vendidos aqui – Praça.
  • Com a política dos 3B’s – Bom, Bonito e Barato – a marca viu seus produtos com requintes de passarela ter demanda na América latina, principalmente no Brasil – Produto.
  • Como divulgar a chegada ou até mesmo sua empresa nesses novos locais de venda? Uma política da Forever 21 é não gastar com super celebridades para promover sua marca. Aqui no Brasil, por exemplo, foram realizados soft opening com diversos canais de moda, com isso ocorria uma divulgação em massa da marca, o que alimentava ainda mais o desejo das mulheres para enfrentar até 4h de fila no dia seguinte – Promoção.
  • O que dizer de produtos vendidos a preços mais competitivos que as já instaladas lojas brasileiras e outras internacionais? – Preço.

Uma análise dos concorrentes foi ponto crucial nessa empreitada, saber o que eles fazem, como fazem e como competir com isso é de extrema importância. Agora a pergunta que não quer calar: o que estarão planejando Renner, Marisa, Riachuelo, C&A(Holandesa) e a Zara(Espanhola)? Qual será o próximo passo nessa concorrência, em qual dos 4P’s eles irão trabalhar mais?

A nível de curiosidade: Em 1981, Do Won Chang, CEO da Forever 21 acumulava três empregos nos EUA (em uma cafeteria, em uma empresa de limpeza e em um posto de gasolina). “Sonhe grande, mas o planejamento deve ser maior ainda.”

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Felipe Dias

Analista de Business intelligence at Agência GRITO.cc
Marketing em formação (2ª graduação), com um MBA em Gestão Empresarial saindo do forno e pensando no próximo. Trabalha como Analista de Business intelligence na agência GRITO.cc. Carioca da gema, apreciador do mate de galão, apaixonado pelo digital, fã de séries, esportes e um bom petisco.