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Cinco razões para acreditarmos que a volta do movimento “faça você mesmo” é o refinamento e evolução da gambiarra

Cinco razões para acreditarmos que a volta do movimento “faça você mesmo” é o refinamento e evolução da gambiarra

Quem nunca? Quase sempre que escuto alguém fazer essa pergunta eu a completo mentalmente com uma das minhas experiências de adolescência: quem nunca fez uma gambiarra? Não me refiro à gambiarra elétrica especificamente, mas aos meus arroubos de MacGyver, quando por necessidade ou por puro tédio me lançava em uma façanha criativa para salvar o planeta do caos. Quem nunca usou um livro para apoiar a cama, consertou chinelo com tachinha ou fez um churrasco na churrasqueira de latão de óleo?

Mas o que tudo isso tem a ver com a volta do “faça você mesmo”? Estamos vivendo um dos momentos mais significativos da economia criativa e o mercado tem percebido de forma cada vez mais clara as possibilidades advindas da cultura do “faça você mesmo”. Vejamos então cinco razões para acreditarmos que a gambiarra está em voga, de cara nova e que tem valor de mercado:

1. O consumidor assumiu de vez o seu lado de prosumer, uma combinação das palavras, em inglês, producer e consumer, o que significa que o cliente declara-se totalmente à vontade para ter uma participação ativa na produção daquilo que consome. De kits para fazer refrigerante em casa até a montagem do próprio celular, o mercado oferece todos os insumos para os nossos momentos Gepetto. E cobra bem caro por isso!

2. As impressoras 3D estão mais baratas e dessa forma vem impulsionando os setores de design, moda, modelagem e educação. De certa maneira, já podemos dizer que descobrimos um jeito para imprimir nossos pensamentos e desejos. Em uma jogada de marketing campeã, uma famosa marca de chocolates e doces oferecerá aos seus consumidores a possibilidade de imprimir a sua própria barra de chocolate e doces. Já imaginaram? Eu já!

3. Hackear nunca esteve em situação tão favorável. Diferentemente dos crackers, que tem motivações nada generosas, os hackers são arquétipos da engenhosidade. Eventos conhecidos como Hackathons reúnem profissionais que se propõe a solucionar enigmas e bugs, em um ritmo parecido ao de uma maratona. A promoção de tais encontros tornou-se corriqueira na rotina de muitas empresas, que contam com o talento de seus usuários para refinar seus produtos de uma forma ágil e barata.

4. A popularização dos dispositivos móveis e o aumento do índice de penetração da banda larga nos tornam testemunhas do crescimento exponencial da produção de conteúdo midiático. Somos todos criadores, consumidores e reprodutores de conteúdo. Recentemente a Vimeo lançou um fundo especial, bem apreciável, para incentivar a produção de conteúdo independente por jovens artistas. De verdade, só espero que o vencedor não seja um viral de gatinhos cantores.

5. O mercado de trabalho clama por histórias de protagonismo. O pensamento do ‘cresça e apareça’ desbotou, e agora a prática é: apareça e cresça. Quanto mais proativo você for, maior a chance de sucesso.

Assim como a gambiarra, o novo comportamento de botar a mão na massa pode ser apenas temporário. No entanto, é sem dúvida uma cultura que tem a cara da inovação e que promete mexer com os nossos hábitos de consumo e produção.

E aí, o que você vai criar hoje? Compartilhe com a gente!

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Giselle Santos

Formada em Marketing, pós-graduanda em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual. Atua como Coordenadora Acadêmica na Cultura Inglesa RJ/DF/GO/RS e é membro do Painel de Especialistas em Inovação do Horizon Report K12 2014. Geek assumida,curiosa por natureza e investigadora de tendências e tecnologias disruptivas. Acredita que para ser feliz é preciso hackear a vida e não se acomodar! Mãe e avó de cachorro e inventora aos finais de semana.

12 comentários sobre “Cinco razões para acreditarmos que a volta do movimento “faça você mesmo” é o refinamento e evolução da gambiarra

  1. Parabéns pelo artigo, Giselle. Não vejo a hora de comprar uma impressora 3D e me divertir fazendo ‘gambiarras’ em casa! A propósito, estou curioso para você publicar numa coluna futura algo sobre suas invenções de fim de semana…. será que anda inventando moda… ou só apps de dispositivos móveis???

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    Giselle Reply:

    Oi Graeme,

    Obrigada por ler e comentar meu texto =) As impressoras 3D serão, sem dúvida, um item que deverá chegar à casa dos brasileiros muito em breve. Não estamos muito longe do dia em que imprimiremos nosso próprio set de talheres, roupas e quem sabe até os nossos veículos. Mas quanto ao meu lado Mackgiver…eu, como mãe vó de quatro cachorrinhos, estou sempre remendando algo lá em casa…fio, cama, móvel etc…mas os aplicativos são,realmente, os meus favoritos…aliás, acho que o Helplese vai sair esse ano ainda hein?

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  2. Arrasou no texto, Giselle! E viva a cultura maker!!!! Viva o movimento maker!!!

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    Giselle Reply:

    Obrigada,Leila =)

    Você é testemunha de quanto curto a Cultura Maker e todas as inovações que estamos testemunhando. Quando vemos ainda essa cultura transbordar e atingir também as salas de aula…aí é puro bliss! Vamos continuar seguindo a linha: don’t get bored,MAKE something”

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  3. Muito bom Gi! Me identifico demais com essa cultura e espero que vingue! A proatividade cheia de auto estima e curiosidade responsavel traz um empoderamento vital para a independencia de cada um.
    Parabens! XX

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    Giselle Reply:

    Obrigada,Raquel =)

    Adoro o fato da palavra empoderamento estar ganhando as ruas…somos todos geradores de notícias, conteúdo e produtos e como autores temos a liberdade e a competência, aí com algums ressalvas, de criticar o que nos é oferecido! Viva a nossa liberdade!

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  4. Giba, acho q ainda posso chamá-la assim, parabéns pelo artigo super motivador. Um kit de cervejaria seria muito bom ter em casa, faria cada combinação… por enquanto ainda não tenho grana… nada que a futura Mega não resolva =)

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    Giselle Reply:

    Si,

    Você pode me chamar de Giba para sempre. Então, sabe que estou pensando seriamente em comprar uma máquina que transforma água em vinho…rs sim, isso já existe…mas antes podemos combinar uma sociedade no kit…o que acha? Obrigada por deixar o seu carinho em forma de comentário. Beijos

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  5. So proud to be your student! <3
    Keep putting your "ever-effort" in all that you do because we love it!
    Hurray for you!

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    Giselle Reply:

    Gabriel,

    Thank you for your kind words…I couldn’t be happier to have taught such a bright young man. I am a fan of your projects and I see in you a true MAKER. =)

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  6. Giselle, parabéns pelo artigo.

    A cultura do “faça você mesmo” ao meu ver tem tudo para vingar e se estabelecer como parte integrante no processo de educação. Lembro que quando criança, ainda no ensino fundamental em Brasília, das aulas de artes, educação moral e cívica e uma outra matéria que não me recordo o nome agora, mas lembro se tratar de uma aula onde até costurar éramos ensinados. Pois bem, essas práticas muito me ajudaram no processo criativo, quando até uma “rádio pirata” eu fiz, sim, comprei os componentes eletrônicos e por um tempo, junto a um amigo de sala, entrávamos em frequências de rádio populares e transmitíamos nossas brincadeiras e fofocas da escola. Era o máximo! Errado, mas muito divertido. Posso também falar dos mega ultra carrinhos de rolimã, dos brinquedos feitos de lata, das corridas com pneus velhos sendo empurrados com cabos de vassouras, dentre outros. Mas sem dúvidas, posso garantir que ser criança nos anos 80 era muito melhor que hoje. Voltando ao seu artigo, acredito que nossas crianças sendo criadas a mercê da tecnologia por si só e sem o devido cuidado, estão deixando de vivenciar relações e experiências que impulsionam a criatividade. Enfim… vamos criar algo hoje, pleaaaase?

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  7. Oi, Gi. Espero que as gambiarras sejam apenas o início de uma grande inovação. Quanto mais se tenta emendar ou modificar acaba criando uma coisa nova. Lembro-me de um conceito de criatividade que li no início da minha carreira e que me deixou aliviado: criatividade tb é a capacidade de uma pessoa adaptar, criar em cima de uma coisa ou ideia que já existe.
    Vamo que vamo.
    Gostei do texto.

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