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Quanto vale sua amizade virtual?

Quanto vale sua amizade virtual?

Se esconder atrás de um avatar ou simplesmente de fotos carregadas de seus filtros. Fechar a conversa ou não responder quando não sentir confiança suficiente ou à vontade para estender um papo mais reflexivo e que te exponha mais.

– O que aconteceu com você, amigo? Perdeu o controle de si? Não sabe mais o que é segurar um olhar no teu? Não sabe mais se comportar socialmente da maneira mais espontânea que seja e conhecer o seu “amigo off-line” pelo o que ele construiu e vem construindo até aqui, os passos que ele deu e por onde andou, os hematomas de dores superadas, o semblante de um riso sincero e contagiante, e não somente um mero “HAHAHA” seco? Qual é a sua diferença que você tem a me atribuir, amigo?

– Bem, muitos desses amigos que você mencionou como “off-lines” eu conheci no mundo digital e fora da rede também, e consigo mantê-los assim. Não perdi o controle de mim, talvez eu esteja me conhecendo e conhecendo o mundo ainda mais. Navego por páginas que você não encontrará nas ruas, não, amigo. Aliás, o melhor itinerário a gente consegue pela internet.

– Eu vi o que você curtiu, mas que tal trazermos nossos likes, follows e “instagrams” pra cá, para fora? Nessa tela aí, você nem pode ter tanta certeza assim do mundo, ela – a internet – nos ajuda e ainda ajudará muito mais com conhecimentos infindáveis, porém, ainda gosto do off-line, apesar de minha hesitação perante alguns contatos, mas é sempre mais agradável, no final.

– Na nossa rede conseguimos encontrar nossos contatos a hora que quisermos, e ainda encontramos outros em comum. Expandimos, assim, nossas experiências.

– Mas e a sua identidade?

– Está aqui, tenho comigo.

– Não essa. Me refiro a uma que não está no papel, a que você carrega consigo intrinsecamente. Perde a identidade quem não se comunica.

– Mas estou me comunicando! Por acaso você ficou falando sozinho em algum momento?

– Não.

– Então, não vejo problema neste meu meio de comunicação.

– O seu meio de comunicação é o mesmo que o meu. Não há um problema nele, talvez, com todo o respeito, há em você. É belo manter nossos laços lembrando nossos amigos e pessoas queridas de que estamos conectados, mas há um outro valor fora da conexão. Que tal sairmos para tomarmos um café ou uma cerveja e colocarmos o papo em dia?

– Quando?

– Hum… Dia 15. Pode ser?

– Tenho um evento que já confirmei presença, não vai dar.

– Então, diga uma data que você possa… Ou melhor, vamos agora, está cedo e é possível aproveitar o centro da cidade.

– Agora?

– Sim.

– Não dá, amigo.

– E por que não?

– Estou terminando meu download…

– =/.

 

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Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!

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