Um conselho bastante comum dado aos profissionais de marketing é de que as marcas não precisam se tornar publishers. Em vez disso, elas precisam melhorar em pontos importantes como criar conteúdos estratégicos, acredita Nick Blunden, vice-presidente e diretor de estratégia de conteúdo do The Economist.

Este conselho de Blunden foi dado durante o Content Marketing Association Summit 2013 em Londres, no último dia 27 de novembro de 2013. Ele ainda completou, “Isso tudo está relacionado com o fato de que os profissionais de marketing melhorem suas capacidades de produzir melhores estratégias de conteúdo com narrativa consistente no contexto que cria conversação sobre as histórias que a marca quer contar. Não é preciso ser um publisher para fazer isso, basta entender como o conteúdo preenche este papel estratégico”.

O que Nick Blunden está tentando dizer é que chegou, finalmente, a hora de as marcas ficarem mais atentas às relações que estabelecem com os seus consumidores. Pessoas, empresas, produtos, tudo isso tem uma história e todas podem ser contada de maneira eficiente e clara. Com isso, ganhamos mais relacionamento, retenção, qualidade e, por que não, economia de verba.

Existem vários exemplos de marcas que contaram histórias rápidas e extremamente caras como o salto estratosférico da Red Bull e o vídeo “Just Do It” de 90 segundos veiculado pela Nike. Contudo, nem toda marca precisa ter uma roupa de astronauta ou um LeBron James para conseguir levar uma mensagem eficiente. Para falar bem a verdade, são poucas as marcas que conseguem bancar algo assim – especialmente aqui no Brasil.

A ideia que muda tudo

Blunden admite que precisamos de empresas dispostas a quebrar padrões e abrir novos caminhos para que a indústria evolua como um todo. Um exemplo disso é a campanha feita pela Volkswagen para o Super Bowl, com o Darth Vader. Para ele, é preciso sair da zona de conforto, já que a publicidade por si só já está à beira do apocalipse. É preciso ter mais para criar engajamento.

“Todo aquele conceito de alcance e frequência, sobre o qual nós trabalhávamos como verdadeiros cavalos por tanto tempo, está fundamentalmente quebrado. Entretanto, substituir a publicidade com o conteúdo também não é a cura para o grande déficit de atenção do qual sofremos hoje”, afirma Nick Blunden.

A solução para isso é voltarmos à essência do ser humano e, em vez de nos tornarmos grandes vendedores, passarmos a ser grandes contadores de histórias. Em sua fala no Content Marketing Association Summit 2013, Blunden citou J.K Rowling – a autora da série Harry Potter – como uma grande contadora de histórias que não apenas desenvolveu uma boa narrativa, como também conseguiu algo muito importante: a conexão mais profunda com a sua audiência.

E qual seria a solução para isso tudo? Sabemos que os formatos atuais de publicidade, quer seja online ou nos meios tradicionais, já não são mais responsáveis por gerar impactos duradouros de qualidade. A quantidade de informação que recebemos de forma interruptiva é tão grande, que quase toda a publicidade que chega até os nossos olhos e ouvidos se torna mero ruído, paisagem.

Uma ideia apontada por Nick Blunden é a publicidade nativa, que usa das características editoriais do próprio veículo (neste caso um jornal, revista, canal de televisão, etc) para falar sobre uma história da marca ou relacionada a ela. Para ele, é um meio fantástico de experimentar uma forma de comunicação de maneira linear e não interruptiva com o usuário/consumidor.

Porém, ele só levanta um problema neste ponto: “Como driblar a pressão de produzir aquele conteúdo comercial sob à pele de uma linha editorial sem comprometer seus resultados e a reputação do publisher?” Ainda não temos uma resposta formulada para esta pergunta.

Vocês têm palpites? Participem da discussão aqui nos comentários! Vamos adorar saber a sua opinião.

*Este artigo contém a tradução livre de “The Economist: ‘Brands do not need to become publishers’”, do MarketingWeek

banner clique
The following two tabs change content below.
Jornalista, especialista em Marketing e Novas Tecnologias em Jornalismo, anda pela internet desde os idos de 1997, quando os modens ainda “cantavam” na hora de conectar. O que realmente prende a sua atenção é o conteúdo e as suas estratégias.

Latest posts by Luisa Barwinski (see all)