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Internet: minha inteligência à prova todos os dias

Internet: minha inteligência à prova todos os dias

São lá pras 08h00 da manhã, acordo, me levanto, estico os músculos, ainda me encontro naquele estado “meio acordado”, mas já tenho uma leve noção do meu mundo exterior. Avisto meu celular e, ainda com minha atenção sonolenta, consigo visualizar o ambiente de minhas redes sociais e assim vou navegando por elas. Visualizando os posts e twites de meus amigos, colegas e páginas, vou explorando rapidamente o meu feed de notícias, registrando as imagens e textos que me chamam a atenção ou aguçam minha curiosidade.

É segunda-feira, é claro que têm muitas “novidades” – que nem sempre são novidades, mas… – das mais variadas: um amigo postou uma foto dele na balada com três pessoas desconhecidas – tanto a mim quanto a ele -; outra colega exibe o quão está feliz com o relacionamento da vida dela de apenas 25 dias – intensos 25 dias, claro -; tem aquele parente que não perde a oportunidade de publicar uma imagem de um bebê ou um animal com alguma frase (porque os mais de mil caracteres da área da legenda e a imagem em si não são suficientes) que as pessoas julgam “fofas” e dignas de compartilhamentos com mais texto do tipo “Tão eu” ou “O que acontece  quando…”, ou ainda alguma citação de personagens de que não se tem tanta certeza assim de suas origens, mas, tudo bem, a postagem se identifica exatamente com a pessoa e até comigo, às vezes; uma página compartilha um link dos vídeos mais vistos do mês e que, curiosamente, são parecidos com os outros do mês retrasado, só que diferentes.

internetEu, um usuário assíduo da internet – como a maioria é, mas não assume -, passarei o restante do dia renovando e abastecendo minha “gaveta” de conteúdo para comentar e interagir com o meu círculo social. E é assim durante a semana, com algumas nuances em alguns dias, um tempo a mais, um tempo a menos em conexão; algum vídeo que o mundo precisa saber, aquela fluidez de assuntos que parecem inacabáveis. Vejo mais publicações, agora, o meu vizinho, que não converso pessoalmente há tempos, mas que sempre estamos conectados pelo grupo do app do celular, está mostrando um produto que ele adquiriu e que veio com um objeto estranho  preso a ele. Mas, espere um pouco. Parece um tanto grande demais para esse objeto ter passado despercebido pela empresa e seus tantos fiscais e testes. Será que ninguém desconfiou? Bom, mas deixa pra lá. As pessoas já estão indignadas, e pelo número de curtidas, compartilhamentos e comentários, a empresa logo, logo, agirá com algum tipo de abordagem como resposta ou solução para o caso esclarecendo tudo, não há como deixar passar isto em branco. Eu falei do celular, certo? Existe um novo aplicativo, onde as pessoas podem me dar uma nota e avaliarem a minha conduta para os outros membros, estes avaliam se eu passo ou não no teste de escolha deles. Não fui informado de que eu estava na rede, mas parece até legal, minha nota está boa. Ouvir dizer que isso serve como marketing pessoal.

Recapitulando a semana na rede: vídeos engraçados e outros polêmicos; meu amigo desencalhou e agora está em um relacionamento sério (de novo); tenho mais assuntos sobre as pegadinhas mais visualizadas e com certeza já sei quando usar aquele jargão da propaganda e trollar meus amigos, quem sabe isso rende um foto de muitas curtidas? Li muitas notícias também, não posso ficar desatualizado. Encontrei aquelas marcas que nos divertem no twitter e mostram o que é capacidade de inovar com uma linguagem mais (muito mais) informal e interagem com outras marcas concorrentes. Rola até receita de gastronomia de empresas que, digamos, não são exatamente do ramo da gastronomia. Isso deve passar algum tipo de credibilidade ou flexibilidade, afinal, até dicas de receitas elas estão de prontidão para oferecer aos usuários da rede.

O mundo só tem gente louca, cada coisa que encontramos na internet, não é?

Espere um minuto. Vou aproveitar esses meus minutos présono para refletir sobre esse meu comportamento. Eu postei, retuitei, comentei coisas das mais variadas fontes, apoiei todo conteúdo que me foi exposto, quer dizer, não compartilhei tudo, só o que eu realmente gostei. Mas, eu gostei por que mesmo? Será que aquela notícia era de fato algo fiel? Mas eu nem precisei pensar, era só clicar e ponto! Sou eu ali, exercendo o meu poder de opinião. E ainda têm essas hashtags para facilitar nossas vidas, afinal de contas, os dias são muito corridos, nem terminei de ler aquele artigo, mas também, pra quê esse cara foi escrever tanto assim? Só de pensar em ler tantas linhas e parágrafos já dá uma preguiça. Talvez haja outro que fale sobre o mesmo tema, porém de uma maneira mais sucinta, se tiver uma frase resumindo todo o texto, melhor ainda. Compartilhamento na certa!

Mas eu também não quero parecer que curto de tudo sem ter uma opinião importante sobre o assunto. Vou me policiar mais. É, é isso que vou fazer. Começando a partir de agora. Foco será meu aliado. Vou ler, me atualizar, conferir as fontes, ter referências e emitir uma opinião baseada em… Ahn! olha esses gif’s, cara!


Marcos-Holanda

 

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Marcos Holanda

Curioso. Inconstante. Inconformado. Seria interessante me conhecer um pouco mais pelos meus textos, eles representam parte de mim. Então, boa leitura!

4 comentários sobre “Internet: minha inteligência à prova todos os dias

  1. Internet um lugar onde as pessoas se sentem livres para agir da maneira que querem na vida real, mas não tem coragem. Na internet é como as pessoas estivessem bêbadas – algumas porque outras só fazem criar uma imagem do que não são.

    Ótimo artigo, abraços!

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    Marcos Holanda Reply:

    Na “internê” é tudo mascarado mesmo.

    Obrigado pelo comentário, Yure! :)

    Abraço!

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  2. “Nem terminei de ler aquele artigo, mas também, pra quê esse cara foi escrever tanto assim? Só de pensar em ler tantas linhas e parágrafos já dá uma preguiça.”
    Amei esse trecho. Autenticidade pura!
    E sobre a internet, ela realmente anda nos alienando. É clichê, mas é verdade. E não há quem possa fazer nada por nós, o mais vasto conteúdo está disponível na rede, e cabe a nós sermos nosso próprio filtro!
    Excelente artigo, e pode ter certeza que quem começou, leu até o final.

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    Marcos Holanda Reply:

    Muito obrigado, Thayla! :D

    A nossa vulnerabilidade é muito grande na rede. Todo, absolutamente todo o conteúdo é questionável e chega até a nos desafiar por conta de sua amplitude e facilidade de acesso. E faço jus às suas palavras, somos nosso próprio filtro.

    Espero que, mais do que simplesmente ler, as pessoas tenham compreendido a mensagem, igual a você. ;)

    Até mais, Thayla.

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