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Conteúdo, personalidade e desafio – Entrevista com Alexandre Oliveira

Conteúdo, personalidade e desafio – Entrevista com Alexandre Oliveira

Cada vez mais a produção de conteúdo torna-se mais relevante para as marcas. Sempre foi dito que “o conteúdo é rei”, porém pouco se pensava nisso. Era mais uma questão de discurso bonito do que mãos à obra. Porém, este cenário está mudando e quem não quiser ficar para trás, precisa correr.

O conteúdo é parte vital da comunicação de uma marca, é por onde os seus consumidores e prospects tomam o primeiro contato com o que você é e produz. O content marketing, ou marketing por conteúdo, é o grande guarda-chuva que abriga todas as estratégias que envolvem a sua mensagem e posicionamento.

Ao contrário do que muitos profissionais dizem por aí, as redes sociais não são a personificação do marketing por conteúdo – são apenas um dos inúmeros canais de distribuição. Contudo, elas são muito importantes e demonstram bem a personalidade da marca.

alexandre oliveiraPara falar sobre personalidade de marca, o Ideia de Marketing entrevistou  Alexandre Oliveira, redator e planner da Movimento Comunicação. Ele é responsável por planejar e criar conteúdo para grandes marcas como a Schweppes, Matte Leão e Kuat – todas da Coca-Cola Company.

Sem mais delongas, senhoras e senhores! Com a palavra, Alexandre Oliveira!

1) Uma das tarefas mais desafiadoras na hora de trabalhar a personalidade de uma marca é dar voz a ela. Como você define a maneira com que essa personalidade será percebida pelo público e como é feita o direcionamento do tom das mensagens?

ALEXANDRE OLIVEIRA: A personalidade é um dos fatores decisivos para gerar relacionamento, é preciso dar um motivo para que sigam a sua marca. Se ela tiver um discurso vazio, ninguém prestará atenção, assim como se for bobo ou forçado demais vai acabar virando uma piada. Um bom direcionamento é entender como o produto ou serviço se encaixa na vida das pessoas.

Se ele é voltado para a diversão no mundo real, assim será o seu papel nas redes sociais. Isso nem sempre é uma decisão simples. Uma marca que fala de esportes pode tanto motivar seus fãs a irem para o treino quanto levar o clima de um estádio até ele, isso considerando que no momento em que o usuário é impactado, ele pode estar até em um escritório.

Dessa forma, chegamos no tom que reflete com quem a marca fala. Se o target é adolescente, você pode e deve usar abreviações e gírias, além de se apropriar dos assuntos que fazem parte do dia a dia dessa galera. Coisas que nunca devem entrar do discurso de marcas que falam com audiências mais maduras, como executivos ou a terceira idade.

2) Há quem diga que primeiro se deve definir a história e depois os meios pelos quais ela será contada. Você concorda com essa metodologia? Qual é o melhor caminho na sua opinião?

ALEXANDRE OLIVEIRA: A escolha das plataformas faz toda a diferença na maneira como você conta a sua história, mas dentro dos canais digitais é preciso ter em mente o alcance que cada um deles pode proporcionar. Como as definições estratégicas geralmente acontecem antes das escolhas criativas, não é comum inovar nesse sentido. Não existe um caminho ideal. A solução sempre vai depender da campanha e seus objetivos.

3) Apesar de existirem inúmeras plataformas de relacionamento com o consumidor, hoje existe uma imensa monocultura do Facebook. Quase todas as ações digitais de marcas (grandes e pequenas) têm ênfase nesta plataforma. Como você enxerga esse comportamento? Você acredita que esse direcionamento é “culpa” do cliente ou da agência?

ALEXANDRE OLIVEIRA: O domínio do Facebook é justificável pela sua ampla liderança no que diz respeito ao número de usuários ativos e pelas vantagens que a rede oferece em termos de investimento de mídia. Historicamente, inovações como o feed de notícias dinâmico o e sistema de ads fizeram a diferença para os anunciantes, que de uma forma ou de outra, acabaram concentrando o investimento e fazendo dele o fundamento de suas estratégias digitais. Tudo isso contribuiu para um cenário onde, de uma forma ou de outra, a maioria das marcas já tem uma estrutura digital construída a partir do Facebook. Pensar em outras plataformas significa justificar a relevância de outro modelo para a produção de conteúdo, além do esforço para atrair seguidores e engajamento.

4) Quais são as vantagens e desvantagens de trabalhar com contas grandes? Seria possível replicar as mesmas estruturas para marcas menores?

ALEXANDRE OLIVEIRA: A estrutura do trabalho depende muito da verba disponível. Se o cliente for pequeno, mas estiver disposto a investir na produção do conteúdo, com criatividade é possível fazer igual ou melhor do que muitas contas grandes. Sobre as diferenças destas para contas menores, em linhas gerais são as mesmas de qualquer tipo de propaganda: marcas fortes, mais possibilidades técnicas e clientes com pensamento estratégico são vantagens imensuráveis.

As desvantagens acabavam sendo uma cautela maior em relação a riscos e maiores períodos de aprovação, o que em social media é ainda mais importante pela necessidade de pegar carona nos assuntos do momento. Mas isso está mudando muito rápido e a maioria dos grandes clientes já se adequou a esse novo modelo.

5) Quais conselhos você daria a quem está começando a estudar a produção de conteúdo para marcas?

ALEXANDRE OLIVEIRA: É importante pensar na sua formação. O investimento em cursos e eventos é fundamental para quem quer entrar no mercado, até mesmo como networking. Pessoalmente, uma coisa que eu acredito muito é não se contentar com o básico: se você pensa em escrever para marcas em redes sociais, tente saber tudo sobre a redação na publicidade e jornalismo tradicionais.

Descubra as fontes sobre esses assuntos, leia assiduamente os livros sobre o tema e conheça o trabalho de quem faz diferença nesse universo. E é claro que isso vale para direção de arte, design e qualquer outra área dentro do conteúdo. E mesmo que seu currículo seja bom, o seu trabalho sempre pode falar mais do que ele.

Gaste um tempo montando seu portfólio e nunca contente-se com o que já fez. Sempre é possível melhorar. Não ter experiência não é desculpa para não ter material. Você pode arrumar um cliente micro e começar produzindo para ele, encontrar uma entidade sem fins lucrativos e desenvolver ações para ela ou até mesmo criar uma página sobre um tema que goste. O que não dá é para ficar parado!

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Luisa Barwinski

Jornalista, especialista em Marketing e Novas Tecnologias em Jornalismo, anda pela internet desde os idos de 1997, quando os modens ainda “cantavam” na hora de conectar. O que realmente prende a sua atenção é o conteúdo e as suas estratégias.

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