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Os princípios da Estratégia do Oceano Azul – Parte III

Os princípios da Estratégia do Oceano Azul – Parte III

No artigo anterior (Os princípios da Estratégia do Oceano Azul – Parte II), compreendemos os três primeiros princípios para expandir as fronteiras do mercado e criar novos espaços de atuação. Hoje, em nosso terceiro artigo da série, vamos desvendar os últimos passos para mergulharmos de vez em oceanos azuis de infinitas possibilidades.

4 – Acerte a sequência estratégica

Para seguirmos por oceanos azuis criando um modelo de negócios eficaz focado em resultados, é preciso acertar na sequência estratégica. Para os autores do livro A Estratégia do Oceano Azul – como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante, Kim e Mauborgne o quarto princípio prevê a sequência mágica: utilidade para comprador, preço, custo e adoção.

– Sua ideia de negócios gera utilidade excepcional para o comprador?

inovaçaoSuperar as necessidades e expectativas de forma positiva é um dos maiores desafios do mercado hoje, mas suas recompensas vêm mostrar o quanto vale investir em inovação. É importante perceber que inovação não somente está ligada à tecnologia. Quer um exemplo simples? O escorredor de arroz, presente nas casas de milhões de brasileiros. O produto foi criado na década de 50 por uma dona de casa brasileira que precisava suprir sua necessidade de lavar o arroz de forma prática. Uma simples junção de uma bacia com uma peneira de plástico trouxe utilidade excepcional para a dona de casa e para os clientes do que viria a ser o seu grande negócio. Inovar é trazer algo novo que represente e desperte novas percepções ao cliente e que gere a ele valor excepcional. Seja no produto ou na estratégia da marca, a inovação só se torna efetiva quando gera esta utilidade e algumas empresas se tornam tão bem sucedidas neste quesito que suas marcas se tornam adjetivos e o produto vendido, valor para o cliente. Ex: Coca-Cola. Vende felicidade, compartilhamento, harmonia e não apenas refrigerante.

– O seu preço é facilmente acessível para a massa de compradores (com análises específicas)?

A empresa não deve depender apenas do preço para criar demanda. De acordo com os autores, a pergunta chave é: “o preço do produto ou serviço foi definido para atrair a massa de ‘compradores-alvo’, de modo que o poder de compra deles seja inquestionável com relação à sua oferta?” Se o produto não for acessível, a oferta não será irresistível no mercado.

– Você é capaz de cumprir sua meta de custo para lucrar ao preço estratégico?

Pode-se realmente produzir a oferta ao custo-alvo, de modo a gerar boa margem de lucro? Gera-se lucro ao preço estratégico – o preço facilmente acessível para a massa de compradores-alvo? O custo jamais pode definir o preço do produto final.

– Quais as barreiras na adoção para que você realize sua ideia de negócio? Você a está encarando?

Tanto em oceanos vermelhos como em oceanos azuis existirão impedimentos para a implementação de ideias e estratégias, mas no cenário de águas de possibilidades quase infinitas dos oceanos azuis, enfrentar todos os obstáculos desde o princípio é fundamental e imprescindível para garantir a efetivação e o sucesso da ação/ideia.

Reconstruindo as fronteiras do mercado, concentrando no panorama geral, indo além da demanda existente e acertando na sequência estratégica, partimos agora para os Fatores de Execução que englobam os últimos dois princípios.

Fatores de Execução

5 – Supere as principais barreiras organizacionais

Sair dos conturbados oceanos vermelhos e adentrar em águas de oceanos azuis representa um grande desafio para qualquer setor do mercado. Entenda que para navegar em oceanos azuis é preciso romper com os métodos antigos das organizações e, portanto, sacudir o status quo; uma tarefa que requer mais que dedicação. É preciso agir com um grande propósito de superar os limites para gerar valores excepcionais no mercado.

Aqui, aparecem quatro barreiras organizacionais desafiadoras que, quando superadas, são capazes de modificar as estruturas de negócio transformando empresas de oceanos vermelhos em “grandes Cirque du Soleils”.

– Barreira Cognitiva: Despertar os colaboradores para a necessidade de mudança de fundamentos.
– Limitação de Recursos: Quanto maior for a mudança na estratégia, mais se necessita de recursos para executá-la.
– Barreira da Motivação: Como motivar as principais empresas do mercado a agir com rapidez e tenacidade para promover uma ruptura no status quo?

Ok. Não se assustem tanto! A análise da quarta barreira é capaz de proporcionar o gás que faltava para a superarmos os obstáculos anteriores.

– Política Organizacional: para superar esta e as demais barreiras com rapidez e baixo custo, Kim e Mauborgne afirmam que o segredo é virar a sabedoria convencional de cabeça para baixo, utilizando da liderança no ponto de desequilíbrio. Vamos entrar um pouco mais em três das barreiras organizacionais para entender como esse método pode gerar grandes resultados.

A liderança no ponto de desequilíbrio

Para romper a barreira cognitiva, por exemplo, a liderança no ponto de desequilíbrio propõe concentrar-se no que os autores chamaram influencia desproporcional: fazer com que as pessoas experimentem a dura realidade em primeira mão. Parece um tanto desafiador, um pouco duro, eu diria, mas é preciso analisar de forma mais ampla o poder do processo. “No campo das experiências, os estímulos positivos reforçam o comportamento, enquanto estímulos negativos mudam atitudes e comportamento”. A liderança no ponto do desequilíbrio apresenta, ainda, que para os colaboradores romperem com o status quo, devem encarar de frente os principais problemas operacionais com foco em solução. Tirar gestores do conforto dos escritórios e colocá-los em contato direto com os problemas operacionais e com clientes desgostosos é uma forma de romper com a barreira cognitiva nas organizações.
(Um método altamente eficaz de se trabalhar mudanças comportamentais nas organizações é o Coaching, otimizando recursos (humanos, dinheiro e tempo), diminuindo os riscos e perdas e maximizando os resultados).

Feita a mudança cognitiva, as organizações são defrontadas por uma das barreiras mais conhecidas do mercado: a falta de recurso. Do ponto de vista da liderança no ponto de desequilíbrio a questão central não é concentrar-se na obtenção de recursos ou na falta deles.

Os líderes do ponto de desequilíbrio concentram-se na multiplicação dos recursos disponíveis. Aqui os autores apontam uma solução simples, dividida em 3 fatores para superar esta barreira:

– Pontos quentes: atividades que consomem poucos recursos, mais proporcionam alto potencial de ganhos de desempenho;
– Pontos frios: consomem muitos recursos, mas exercem pouco impacto sobre o desempenho;
– Barganha: consiste em trocar o excesso de recursos de uma área/unidade pelo excesso de outra.

A ideia aqui é valorizar os pontos quentes, redistribuindo recursos dos pontos frios para essas ações e atividades com alto desempenho e baixo custo e barganhar recursos entre departamentos/áreas/unidades. Otimizar recursos é o desafio de todo grande líder e a estratégia do oceano azul está aqui para mostrar que isso pode ser mais simples do que se imagina.

6 – Introduza a execução na estratégia

Um dos maiores erros das organizações é criar um imenso abismo entre a estratégia e a execução. É preciso alinhar estratégias a propósito. Enquanto as ações das empresas não estiverem ligadas diretamente aos valores e metas destas, não haverá estratégia que a faça criar e navegar em oceanos azuis. Quantas vezes, você líder, se pergunta o quanto as suas ações estão diretamente ligadas àquilo que é importante para a empresa? Ações imbuídas de propósito tem um poder muito maior de engajar colaboradores e o sexto princípio vem nos mostrar que engajar todos numa mesma estratégia e nos resultados esperados, é alinhá-los para um mesmo propósito, maximizando recursos. Lembre-se: os resultados de qualquer organização dependem do bom desempenho de todos os envolvidos, da alta gerência ao chão de fábrica. Para isso, as ações devem ser efetivas, os líderes devem ativos e os colaboradores engajados. É como uma receita de bolo. Se você quer obter o resultado esperado, um bolo quentinho e delicioso, além de obter uma boa receita (que é o resultado surgido de inúmeras tentativas anteriores de chefes e donas de casa de se chegar ao melhor bolo – e que um dia se deu certo) é preciso efetivamente usar os ingredientes e fazer o bolo. Uma estratégia sem execução é como ter a receita e esperar o bolo sem fazê-lo.

Chegamos ao fim da nossa série de artigos sobre a Estratégia do Oceano Azul. Depois de desbravar este novo oceano, conhecer exemplos de sucesso e entender através dos 6 princípios como mergulhar nestes novos espaços de infinitas possibilidades, o próximo passo é com você: colocar a estratégia em prática, navegando em seus próprios oceanos azuis. A melhor forma de ter o bolo desejado é “colocando a mão na massa”.

“Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.”
(Peter Drucker)

José-de-Assis

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José de Assis

Consultor de comunicação e endomarketing, tem como motivação diária superar desafios. Apaixonado por pessoas, música e pelo Atlético Mineiro, acredita na geração de ideias como o maior instrumento transformador de uma sociedade.

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