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A “burrocratização” brasileira

A “burrocratização” brasileira

Você sabia que para as empresas estrangeiras se instalarem no país leva cerca de 4 meses, enquanto que para um brasileiro abrir um negócio na Suíça, por exemplo, o tempo médio gasto é de 2 semanas?
Na semana passada, nossa amiga Hayane Souza, blogueira do Ideia, escreveu categoricamente sobre os procedimentos que devem ser adotados pelos empreendedores brasileiros para abertura e regularização formal de uma organização empresarial de médio e pequeno porte no país.

Segundo pesquisa do Banco Mundial e da PricewaterhouseCoopers, as empresas no Brasil gastam em média 2,6 mil horas por ano, ou 108 dias corridos, apenas para cumprir com as obrigações burocráticas a fim de se manterem “limpas”. É mais do que o dobro de tempo que gastam as organizações ao redor do mundo.
O assunto em questão gera bastante polêmica e muita discussão. Por isso vamos abordar os diversos pontos de vista e debater as proposta de cada um. Nosso intuito no Ideia de Marketing é gerar e divulgar conteúdos de qualidade. Dito isso, vamos ao que interessa.
Primeiramente, vale esclarecer o significado de burocracia. Ainda ressalta-se que a origem do termo já é uma crítica as repartições públicas da França no século XVIII. De acordo com o Dicionário Online de Português é: “Poder, influência e rotina dos funcionários no andamento dos serviços públicos.”

Dificilmente, creio eu, será possível desvencilhar o conceito pejorativo da palavra. Já que partimos do princípio de que ela é um empecilho a obter algo junto ao Poder Público. E evidencia uma administração lenta e cheia de regras da qual fazemos parte.

O que a burocracia tem haver com a competitividade?

Não faltam exemplos para ilustrar como a burocracia afeta a competitividade brasileira. São vários os levantamentos de organizações internacionais e análises de especialistas no assunto que comprovam o sentimento do brasileiro.

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As organizações formais no país têm uma excessiva carga de impostos e taxas a serem pagas ao Poder Público. Além destas contribuições, as organizações são impostas a enfrentar uma eternidade de procedimentos que percorrem várias instâncias do erário e parecem nunca ter fim, sempre dificultando. Ao invés de agilizar a abertura do negócio.

Ou seja, mesmo que o país apresente bons indicadores econômicos – entre as 10 maiores economias do mundo, a competitividade continuará estagnada pela enorme lista de obrigações acessórias. Se você ainda tem dúvidas sobre este fato, de acordo com notícia vinculada no site da DSGQ Consultoria e Treinamento, sobre um levantamento realizado pela Grant Thorton International: “Desde 2007, a burocracia tem sido apontada como fator determinante na expansão dos negócios. Já em 2010, a burocracia é citada como o maior empecilho por 37% dos empresários.”

Quando ouvimos críticas de líderes internacionais sobre o protecionismo brasileiro devemos atribuí-lo ao fato da interdependência na relação entre Estado e empresariado. Pois historicamente, os setores privados brasileiros sempre foram “reféns” de incentivos, subsídios e regulamentações governamentais. Ora é beneficiado um segmento econômico com maior força na política atual, em outro momento apenas se busca resolver uma questão de equilíbrio fiscal.

Se já não basta a demora na entrega dos documentos, ainda me cobram multa sobre o próprio atraso?

Acompanhe o caso a seguir retirado do Portal de Notícias da Fecomercio de São Paulo. Avalie você mesmo os esforços do Governo Federal contra a crise econômica mundial. É possível pagar multa porque um órgão público atrasou na entrega de um documento ao contribuinte? No Brasil estamos presenciando este fato.

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Sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor.

Gostaria de encerrar este texto, primeiramente dizendo que sou Brasileiro com muito orgulho e muito amor – assim como a música cantada nos Estádios durante os jogos da Seleção Brasileira de Futebol. Também deve-se o entendimento de que as críticas são feitas apenas quando nos importamos com algo, se não, deixaríamos como está.

Por fim, aquele país do: “Brasil: Ame-o ou deixe-o” já passou. E o país do amanhã, da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas no Rio 2016 é hoje, é agora!

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Augusto-Talarico

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Augusto Talarico

As vezes você ganha, as vezes você aprende. O seu grande mestre deveria ser o seu último erro. Perfil: Estudante da Pós ADM- FGV e colunista no Ideia.

4 comentários sobre “A “burrocratização” brasileira

  1. Augusto..interessante seu texto.
    É bom frisar que a proposta da burocracia não é ruim. Quando Max Weber (um de seus pensadores) expôs suas ideias sobre burocracia foi no entendimento de organizar a empresa. Contudo, ele esqueceu o fator humano: são as pessoas que determinam como as coisas são realizadas na empresa. É por isso que muitas empresas (sejam elas públicas ou privadas) perdem competitividade…por não saber gerenciar como as pessoas realizam suas atividade.

    Grande abraço!!

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    Augusto Talarico Reply:

    Meu caro, sua abordagem é perfeita.
    As pessoas são responsáveis pelos resultados da organização (pública ou privada).
    A burocracia não é de todo ruim, muitas vezes ela é até necessária.O que na minha opinião não justifica sua aplicação é o excesso.
    Hoje, no Estadão tem uma matéria do Valcke, aquele gerente da FIFA que coordena as atividades no Brasil, falando sobre a dificuldade no desenvolvimento dos projetos, por conta da “burrocatização”.
    No final das contas, o que nos queremos mesmo é um país melhor para viver.

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  2. Existem dois fatores que não foram citados no texto, um é a corrupção, que vive em relação simbiótica com a burocracia estatal em todos os seus níveis, e portanto, simplificando-se a burocracia a corrupção fica à mostra e isso parece que não é de interesse de muitos, o segundo ponto, e nevrálgico é mexer no vespeiro do funcionalismo público, na minha atividade diária sempre me questiono porque certas funções devem ser exercidas por funcionários estatais, porque a senhorinha que passa fita crepe em processos precisa ter todas as garantias, e por vezes salário próximo, a de um juiz? Não há razão lógica,some-se a isso sindicatos preocupados com o imperialismo brasileiro no Haiti e menos com eficiência e prestar contas ao cidadão, enfim, esses dois temas, a corrupção e o funcionalismo precisam ser revistos e debatidos pela sociedade, isso se quisermos deixar o século XVI.

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  3. Belo texto que expõe uma das principais dificuldades enfrentadas pelos brasileiros. A questão pode ser resumida pelo velho ditado: “Cria-se dificuldades para se vender facilidades”. Um grande avanço está sendo a substituição de processos em meio físico pelos autos virtuais. Vários tribunais já estão implantando tal ideia. Acredito que estamos evoluindo, porém para chegar ao ideal, dependemos de que a sociedade crie uma cultura mais participativa em relação à Administração Pública.

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