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A necessidade de pensar complexamente

A necessidade de pensar complexamente

Não adianta dizer para o público que ele precisa fazer algo, mas sim, comunicar o quanto a ação poderá contribuir na sua vida e comunidade, relacionando-a à sua cotidianidade e indicando a importância da sua participação para a construção de um mundo melhor.

A sustentabilidade é atualmente palavra recorrente em todas as esferas da nossa sociedade. Muito se comenta sobre metas, ações necessárias, bem como, benefícios de uma lógica que concilia o econômico, social e ambiental. No entanto, por vezes é esquecido que para o alcance desse objetivo, há de se realizar uma verdadeira revolução na consciência do homem e na forma deste perceber sua relação com o meio. Portanto, trata-se da necessidade de uma nova forma de percepção e pensamento acerca da vida.

De acordo com Rita Mendonça, no livro Conservar e criar: natureza, cultura e complexidade, “para ocorrer mudanças fundamentais, é preciso que pouco a pouco as iniciativas se tornem reflexo de um verdadeiro processo de ampliação da consciência”. Nesse sentido, o papel da comunicação para a sustentabilidade é estratégico e fundamental. É primordial atuar na promoção de um pensamento holístico e multidisciplinar, onde os públicos consigam contextualizar as ações comunicadas e agir como protagonistas pelo fato de entender a sua intrínseca relação com o meio ambiente.

pensar-estrategicamentoNesse contexto, a comunicação necessita construir estratégias colaborativas e que façam sentido para as pessoas, suscitando então, engajamento. Fatos isolados e distanciados das suas realidades, por mais persuasivos que possam parecer, não angariam resultados. Ou seja, não adianta dizer para o público que ele precisa fazer algo, mas sim, comunicar o quanto a ação poderá contribuir na sua vida e comunidade, relacionando-a à sua cotidianidade e indicando a importância da sua participação para a construção de um mundo melhor. Em suma, é imprescindível “fazer sentido”, pois conforme discorre Fritjof Capra, no livro As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável, nada tem sentido em si mesmo, para dar sentido, é preciso relacionar uma coisa com outras e com o ambiente”.

Assim, à comunicação para a sustentabilidade, urge criar significação, integrar e proporcionar a percepção do “pertencer”. Tal fato implica na edificação de um pensamento complexo o qual é defendido por Edgar Morin. Para o autor, pensar de forma complexa é pertinente sempre que nos defrontarmos com a necessidade de articular, relacionar, contextualizar. Desta forma, o “comunicar” para a sustentabilidade carece de fugir da lógica das receitas prontas e da verticalidade na forma de pensar e propor ações. A comunicação para a promoção de um pensamento complexo com vistas à sustentabilidade, deve produzir entendimento da não linearidade das coisas, e, igualmente, contextualizar o homem como parte da rede de relações e conexões da natureza e da vida, de tal forma que o mesmo perceba, as implicações – positivas e negativas – da sua existência no mundo. Resumindo, comunicar nessa óptica, é criar a cultura da (re)ligação do sujeito com o meio. É a edificação de uma consciência que entenda a existência dos diversos e por vezes, ocultos vínculos que compõe nossa vida.

Referências:
CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável; tradução Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Cultrix, 2005.
MENDONÇA, Rita. Conservar e criar: natureza, cultura e complexidade. São Paulo: Editora Senac, São Paulo, 2005.
MORIN, Edgar; MOIGNE, Jean-Louis Le. A inteligência da complexidade. tradução Nurimar Maria Falci. São Paulo: Peirópolis, 2000.

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Fabiane Altíssimo

8 comentários sobre “A necessidade de pensar complexamente

  1. Concordo plenamente! Estou atuando em projeto próprio para a ressignificação do lixo e para isso estou colocando a mão na massa, me relacionando, articulando e contextualizando a questão, fazendo a conexão de pontos.

    Parabéns para artigo.

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    Fabiane Altíssimo Reply:

    Olá Fernanda. Obrigada pelo seu comentário e, parabéns pelo sua atitude e seu projeto! É de pessoas como você que o mundo necessita. Sustentabilidade é isso ai: (re) significar; articular e agir!
    Grande abraço!

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  2. Gostei muito do tema, tambem acho que se pode fazer outros estudos sobre destinacao sobre residuos solidos, reciclagem. Como se poderia retornar esse investimento para a sociedade.E um estudo a aprofundar.Um abraco.

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    Fabiane Altíssimo Reply:

    Olá Leonor, obrigada pela sua contribuição. Abraços

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  3. Olá Fabiane, parabéns pelo artigo. Gostei muito dos links que você fez, pois tenho uma maneira muito parecida de pensar. Neste monento, estou no processo de pesquisa para elaborar minha dissertação de mestrado. Estou oscilando entre: “Sustentabilidade, o quanto as empresas ganham investindo em ações sustentáveis” e “Sustentabilidade e a marca, como as ações sustentáveis influenciam no share of market, fidelização e simpatia à marca. O que você acha mais interessante?
    Sou publicitária, joranlista. Pós em MKT, MBA em Gestão de Negócios e o mestrado em curso é em Marketing de serviços.
    Obrigada

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    Fabiane Altíssimo Reply:

    Olá Deborah,

    Primeiramente, lhe parabenizo pela sua trajetória profissional e, agradeço pelo seu comentário.
    Quanto aos seus temas, acredito que o segundo poderá lhe conduzir a uma melhor delimitação – ao focar nas 3 variáveis que destacastes, bem como, permite trabalhar com propriedade os fatores intangíveis, tão essenciais para a construção e consolidação de marcas, elencando os benefícios da sustentabilidade nessa edificação.
    Também, penso que essa segunda linha de pesquisa, possibilita fazer um recorte sobre a “humanidade” das marcas (fato muito esperado pelos stakeholderes atualmente), e relacioná-la ao exercício da sustentabilidade.
    O comprometimento com a sustentabilidade, evidencia, por parte das empresas, uma tendência à humanização (embora que ainda existem muitas ações “forçadas” ou “maquiadas”, com o respaldo do marketing as vezes) das mesmas. O movimento
    é lento, mas creio que, as empresas cada vez mais aderirão, espontaneamente, ou forçadas pelo mercado. A forma a qual essa adesão será feita, repercutirá no share of market, na fidelização e simpatia pela marca. E aqui a comunicação e o
    marketing ocupam papel estratégico na gestão da sustentabilidade.
    Grande abraço e muito sucesso na sua dissertação (me envia a mesma depois de a defenderes).

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    Deborah Reply:

    Obrigada Fabiane. Não entendi muito bem a questão da humanização. Você se refere às marcas ou às empresas? Será que você teria disponibilidade para conversarmos por skype? Grata

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    Fabiane Altíssimo Reply:

    Deborah, me adiciona no facebook que lhe passo meu contato.

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