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Demonização do Consumo: O Consumismo

Demonização do Consumo: O Consumismo

“A compulsão se baseia numa lógica social que supervaloriza o ter em detrimento do ser” Joel Birman

Estou a 5 dias, 11 horas e 20 minutos controlado, sem comprar nada desnecessário às minhas necessidades básicas. Apesar da brincadeira, acredito que a compulsão frenética por algo pode ser considerada como uma patologia do ser humano, mas será este, uma vítima das sedutoras peças publicitárias, que prometem status, bem-estar, conforto, projeção imediata e muitas vezes ilusão de segurança?

Entenda que Consumo é totalmente diferente de Consumismo. O Consumo está ligado à necessidade de suprir funções básicas relacionadas à sobrevivência de cada pessoa,  já o Consumismo está relacionado ao consumo demasiado de algo. Muitas vezes o  Consumismo é estimulados pela curiosidade, apelo de uma propaganda que consequentemente impulsiona alguma lembrança e acaba por um momento, tornando aquele produto ou serviço algo essencial para uma pessoa. Um momento? Sim, muitas das compras relacionadas ao impulso imediato são frustradas pouco tempo depois da aquisição pelos sentimentos do remorso e decepção. E por que isso ocorre? A resposta está exatamente na incapacidade de controle da pessoa perante o impulso, isto muitas vezes é remediado por outra compra na projeção de sanar o problema, mas o que ocorre normalmente é estabelecer um ciclo vicioso.

Seria possível então produzir situações capazes de alterar a realidade? Claro que sim! A nossa consciência pode oferecer mecanismos protetores, porém há tantos outros que induzem emocionalmente nossa mente que são capazes de confundir.

Estudos apontam que na impossibilidade da compra podem aparecer sintomas como irritação, tremor, raiva, ansiedade, tédio e pensamentos de desvalorização pessoal. Exatamente como aponta o psicanalista Joel Birman da UFRJ: “A compulsão se baseia numa lógica social que supervaloriza o ter em detrimento do ser”.  Agora, será que estamos reféns deste cenário?

O nosso cérebro funciona praticamente no automático, no entanto nosso inconsciente processa muito mais informação que consciente. Estamos limitados ou moldados ao padrão? Acredito que o sistema padroniza as pessoas. Pense (…), tenho certeza que já comprou algo por impulso, vamos tentar descobrir?

consumismo e consumoEstava você em alguma dessas grandes lojas de departamento e até o caminho do caixa, enquanto aguardava na fila, encontrou um verdadeiro “arsenal” de produtos sendo oferecidos de maneira tão simples e há um preço tão baixo que acabou tornando-se necessário: “Poxa, este pacote de 24 pares de meias está tão barato que comprarei simplesmente para guardar, mesmo não precisando neste momento”. Há estudos direcionados que buscam exatamente o entendimento do comportamento do consumidor na fila do caixa, já pensou por que um simples pagamento pode demorar tanto? Ou até mesmo, por que há poucas pessoas operando a quantidade de caixas disponíveis?

“Milhões viram a maçã cair, mas Newton foi quem perguntou por quê.” Essa expressão utilizada pelo ex-conselheiro presidencial dos EUA, Bernard M. Baruch, demonstra exatamente a intenção deste artigo, provocar a curiosidade.

É neste princípio que o neuromarketing, entre suas diversas vertentes, estuda a cabeça do consumidor e tende a mapear nossa conduta consumidora. Estudos na área da neurociência apontam que é necessário aproximadamente 3 segundos para atrair a atenção do consumidor e influenciá-lo e isto caracteriza exatamente o que vimos a pouco, a compra por impulso. Sem pedir licença, somos bombardeados pelas “marcas” e em nossa mente ficam sinais invisíveis que futuramente tendem a conduzir nossas vontades para o consumo.

Mas será razão ou emoção?

A grande “sacada” no avanço do entendimento da comunicação foi entender que a emoção é o que aproxima o consumidor de uma marca. Podemos até dizer inicialmente que agimos com a razão na compra de algo “desnecessário”, pois a nossa mente cria estímulos necessários para tal afirmação, porém é o inconsciente que gera a emoção e logo após, muda totalmente a percepção do que acreditávamos.

Paul Ekman, especialista na Linguagem das Emoções, diz que durante quase todo tempo (para algumas pessoas, o tempo todo), nossas emoções nos atendem bem e nos mobilizam para lidar com o que é mais importante na vida, permitindo-nos diversos tipos de satisfações. No entanto, às vezes, nossas emoções podem nos deixar em apuros. Isso acontece quando temos reações emocionais impróprias e, podemos sentir e demonstrar a emoção correta (a lembrança que remete um produto para a realidade), mas a intensidade errada (a compra por impulso). Este estudo das emoções é algo fantástico, pense que nosso corpo fala tudo o que as marcas precisam saber, basta saber exatamente como ler cada sinal oferecido.

Seria possível então produzir situações capazes de alterar a realidade? Claro que sim! A nossa consciência pode oferecer mecanismos protetores, porém há tantos outros que induzem emocionalmente nossa mente que são capazes de confundir e, se por 3 segundos forem eficientes, terão alcançado seu propósito, pois nossas decisões são tomadas com base na maneira como percebemos a realidade.

Faça um teste, saia do piloto automático ou “efeito hipnótico” que te cerca, analise como está sendo influenciado, estabeleça suas prioridades e preferências para está semana anotando em um papel e guarde-o, ao final (no domingo), compare o que realmente foi necessário e desnecessário, talvez te surpreenda com seu resultado e volte aqui para compartilhar. A final, como fazer para escolher o que escolhemos é a pergunta que responderemos diariamente na relação Consumo X Consumismo.

Um grande abraço!

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Eduardo Silva

Apaixonado pela vida e suas surpresas, adora uma boa conversa. Especialista em Planejamento Comercial, é palestrante em negociação e vendas.

Um comentário em “Demonização do Consumo: O Consumismo

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