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Natal: tradições, storytelling e branding – parte II

Natal: tradições, storytelling e branding – parte II

Continuação de “Natal: tradições, storytelling e branding – parte I”

Storytelling para tranquilizar um país em crise

Há mais ou menos 180 anos, os Estados Unidos passavam por uma crise terrível e o período do Natal era uma época complicada e muito diferente da festa familiar que vemos hoje. Naquele tempo, as coisas eram mais parecidas com um Carnaval ou o Mardi Gras – a quantidade de bêbados pelas ruas era realmente preocupante.

É exatamente neste ponto que os livros de Irving e Dickens somados ao bom espírito da lenda de São Nicolau ajudam a transformar o caos em algo organizado, gentil e benevolente.

Simpático e bonachão, o senhor barbudo de roupas vermelhas se tornou o melhor garoto propaganda de todos os tempos. Com a recém-absorvida prática de dar presentes e tratar crianças como crianças e não como “mini-adultos”, o mercado aquece e quem melhor do que a representação de São Nicolau para incentivar?

Um bom exemplo é o filme “O Milagre da Rua 34” (1947), que conta a história de Kris Kringle, um grande defensor do espírito natalino – conforme estabelecido nas histórias de Irving e Dickens. Kringle começa a trabalhar na Macy’s, a maior loja de departamentos do mundo, na esquina da Rua 34 com a Broadway, em Nova York. Assim, a Grande Maçã ganha mais um ponto como grande difusora dos “hábitos natalinos”.

O filme, além de ser uma ação que tornou a marca “Macy’s” praticamente imortal, é apenas um dos primeiros filmes do gênero, que ganhou muita força no período após a Segunda Guerra Mundial, e desde então se tornou recorrente.

Mais tarde outros filmes natalinos como os vários “Esqueceram de Mim”, “Meu Papai é Noel” e tantos outros reforçam a prática, lembrando que já é hora de fazer compras de Natal e ajudando a esquentar a indústria cinematográfica.

Elevar espíritos, entrar no clima

Desde que o Papai Noel se tornou figura obrigatória, centenas de musicais, filmes e outras peças culturais são produzidas e reprisadas, no caso de grandes clássicos. Algo muito forte e perceptível na cultura norte-americana é a importância dada aos “rituais modernos de Natal”.

macysdayparade

Os preparativos e as festas começam no Dia de Ação de Graças, na última quinta-feira de novembro (quando acontece o desfile de balões da Macy’s), e vão até o Dia de Reis, em janeiro. Os balões gigantes também funcionam como reforço de marca para empresas e franquias como Pillsbury, McDonald’s, Hello Kitty, Muppets e várias outras. Todos são inflados com a ideia de “elevar os espíritos” de quem lota as calçadas de Nova York para assistir.

A partir daí é dada a largada para as decorações, brinquedos, filmes, músicas, roupas, chapéus e tantas outras coisas que poderíamos passar dias enumerando cada uma delas.

É interessante observar o movimento das tradições conforme as condições sociais, econômicas e culturais de cada tempo, bem como a maneira com que tudo isso cria oportunidades de mercado.

O Natal representa uma grande fatia do faturamento do comércio e por causa disso deve ser considerado como um dos maiores casos de sucesso quando o assunto é criação e fortalecimento de marcas, contar histórias e até mesmo influenciar no comportamento de pessoas de diferentes partes do mundo, inclusive aquelas que compram o CD da Simone. ;)

Assim, desejo um ótimo Natal a todos! Até a próxima!

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Luisa Barwinski

Jornalista, especialista em Marketing e Novas Tecnologias em Jornalismo, anda pela internet desde os idos de 1997, quando os modens ainda “cantavam” na hora de conectar. O que realmente prende a sua atenção é o conteúdo e as suas estratégias.

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