fbpx

Gerações e comportamentos – Entrevista com Sidnei Oliveira

Gerações e comportamentos – Entrevista com Sidnei Oliveira

Sidnei Oliveira

“Os maiores desafios acontecem por vivermos em um tempo onde as conexões assumiram conceitos sociais profundos e onde se busca o desenvolvimento de ferramentas que permitem suprir a intensa expectativa por comunicação e relacionamento.”

Expert em conflitos de gerações, Baby Boomers, Geração X, Geração Y, desenvolvimento de Novos Talentos e Redes Sociais,  Generation Y and Social Media. Formado em Marketing e Administração de Empresas, autor de vários livros sobre Liderança e Administração.

Atualmente é vice-presidente do Instituto Atlantis de Preservacao Ambiental, consultor associado da Empreenda Consultoria e sócio da Kantu Educação Empresarial.  É também articulista e colunista na Exame.com, onde reflete com jovens potenciais e especialistas, questões sobre Carreira, Relacionamentos e Estilo de Vida dos Jovens Talentos de todas as gerações.

Após escrever vários artigos sobre a Geração Y aqui no Ideia, nada melhor que conversar com um Expert no assunto gerações para entendermos o que tem acontecido no mercado de trabalho, ou melhor, “quem está fazendo acontecer”. Entrevistamos Sidnei Oliveira para tirar algumas dúvidas sobre as gerações e principalmente sobre essa tal Geração Y que tem dado o que falar.

IDEIA – O que são Baby Boomers, Geração X, Geração Y e Geração Z?

Sidnei Oliveira – Baby Boomers – nascidos nas décadas de 1940 e 1950

Estruturados e construtores – Pessoas que mudaram costumes e criaram novos paradigmas para a juventude, atualmente percebem que com o aumento da expectativa de vida, precisam reavaliar seus planos de vida, pois precisam lidar com conflitos pessoais sobre aposentadoria e trabalho.

Geração X – nascidos nas décadas de 1960 e 1970

Céticos e tolerantes – Primeira geração que desenvolveu comportamentos altamente influenciados pelo marketing de massa, é a geração que privilegiou as facilidades estruturais e descobre que sua carreira profissional será superior a 35 anos. Tolerante e passivo no comportamento, está atualmente reavaliando as prioridades que estabeleceu na própria vida, principalmente no relacionamento com a geração mais jovem.

Geração Y – nascidos nas décadas de 1980 e 1990

Desestruturados e contestadores – Nascidos em um cenário de crescentes facilidades pessoais, proporcionadas principalmente pelos avanços tecnológicos, desenvolveu grande intimidade com as novas ferramentas de comunicação. A dinâmica e competitividade exige maior flexibilidade e grande capacidade de inovação, por isso são visíveis os traços de constante questionamento e contestação.

Geração Z – nascidos nas décadas de 2000 e 2010

Conectados e relacionais – Nascidos em um mundo extremamente conectado e acessível, desenvolvem muitas habilidades com recursos tecnológicos e estabelecem uma nova forma de relacionamentos mais colaborativos.

IDEIA – As classificações de gerações foram definidas por períodos, independentes de comprovações científicas. Você acredita nas distribuições de rótulos e características atribuídas a elas?

Sidnei Oliveira – Não há como estabelecer uma comprovação científica. Os rótulos são estabelecidos apenas por critérios didáticos, obedecendo um critério de idade. Evidentemente é um critério generalista e sujeito a intepretações. Acredito que o maior benefício foi a ampliação nas discussões sobre o novo perfil da juventude, que agora é estendida e altera os relacionamentos pessoais, as expectativas profissionais e os interesses sociais.

IDEIA – Como e por quais principais motivos você definiria os conflitos de gerações existes no mercado atual?

Sidnei Oliveira – O mercado está um pouco assustado com as características desta geração e em diversos momentos observamos o despreparo de gestores e de empresas em promover as mudanças que se mostram necessárias e urgentes. O que mais se observa é uma constante busca por modelos que permitam o “enquadramento” dos jovens em processos organizacionais que foram estabelecidos nos últimos 30 anos.

Alguns estudos apontam que a Geração Y já representa mais de 35% da força de trabalho e que nos próximos 4 anos este volume estará acima de 50%. Dependendo do ramo de atividade uma empresa pode ter números acima de 80%, como acontece em Call Centers e Comércio de Varejo.

O que temos percebido é que empresas que trabalham fortemente no engajamento de suas jovens equipes, preparando seu líderes para esta geração, tem obtido resultados mais expressivos.

A melhor referência que temos sobre empresas que lidam melhor com a Geração Y, são aquelas ligadas às novas tecnologias, principalmente a Internet, que por ser um indústria relativamente nova e ainda sem muitos procedimentos rígidos, proporcionou um ambiente perfeito para acolher estes jovens, contudo como disse, a Geração Y está chegando em todas as indústrias e elas não tiveram o mesmo tempo para se adaptar para as peculiaridades de comportamento destes jovens.

Todo este cenário tem pressionado os jovens a uma constante adaptação em suas escolhas, contudo, as expectativas atuais da geração Y é formada por estímulos intensos e diferentes, Por isso, este processo de adaptação leva a busca de alternativas, principalmente fora da realidade corporativa vigente. Os jovens da Geração Y certamente são mais estimulados a serem empreendedores e possuem certamente mais caminhos por conta da globalização e da tecnologia.

IDEIA- Além dos conflitos de gerações, existe de fato algum preconceito com a Geração Y?

Sidnei Oliveira – Não creio que haja preconceitos diferentes dos normalmente observados entre as gerações. Alguns são frutos apenas de estereótipos estabelecidos como movimento de defesa dos interesses dos mais velhos diante das novas expectativas e comportamentos dos mais jovens, mas isso é muito comum e sempre aconteceu.

Talvez as palavras incredulidade e perplexidade  definam bem o sentimento dos mais veteranos. Normalmente o veterano oscila entre ficar incrédulo nas capacidades do jovem em utilizar tanta tecnologia, e ficar assustado quando observa que ele domina com muito mais destreza um equipamento moderno.

Isso ocorre porque o modelo mental que eles construíram durante toda vida foi analógico e linear, muito bem estruturado, com passos bem definidos e claros, baseados em dados concretos e mensuráveis

IDEIA –  O que é Mentoria Reversa?

Sidnei Oliveira – É um conceito inovador que busca viabilizar a construção de um relacionamento mais produtivo entre o jovem e o veterano.

Por definição, um veterano tem mais experiência que o mais jovem, isso confere a ele a condição natural de mentoria, quando ele pode oferecer todo seu conhecimento em favor do desenvolvimento do jovem. Contudo, isso não acontece de uma forma simples, pois há a necessidade do veterano acreditar no potencial do jovem para que ele se disponha a oferecer sua experiência.

A Mentoria Reversa acontece quando o jovem usa seu maior conhecimento e experiência em temas que o veterano não domina ( ex.: tecnologia ) para construir uma ponte de relacionamento que favoreça o próprio aprendizado. Assim, o jovem se torna mentor do veterano em questões mais atuais, para que esse se torne seu mentor em questões onde a experiência seja fundamental.

IDEIA – Como a Geração Y lida com as questões de desafios e reconhecimentos?

Sidnei Oliveira – Os jovens são questionadores por natureza, por isso estão sempre em busca de desafios. Evidentemente a busca é sempre por reconhecimento, que pode ser representado de diversas formas. Dinheiro é apenas uma dessas formas. Experiências inovadoras e inusitadas são também muito apreciadas pelos jovens.

Conduto, os jovens da geração Y também tem suas incoerências, afinal demonstram dificuldade em lidar com fracassos  e agem com baixa tolerância a frustações e falhas. Esse é um dos fatores de desenvolverem uma ansiedade crônica.

IDEIA – Diante da atual realidade brasileira, a Geração Y no Brasil se enquadra nas mesmas condições comportamentais que as descritas nas literaturas? Quais são as reais características dos jovens Y no Brasil?

Sidnei Oliveira – A Geração Y no Brasil está se enquadrando nas descrições realizadas em outros países.  Evidentemente alguns comportamentos foram observados antes nos países da Europa, o que permite concluir que  o “fenômeno” é observado em maior intensidade em sociedades urbanas e em grupos de maior poder aquisitivo. Na medida que o jovem brasileiro é exposto a um cenário mais semelhante ao dos grandes centros e amplia seu acesso à tecnologia, vemos os comportamentos típicos da geração Y se manifestarem.

A geração Y  brasileira é formada por jovens completamente conectados, que possuem uma grande intimidade com as novas tecnologias de comunicação (internet, celulares, redes sociais, etc).

Eles valorizam muito os relacionamentos e buscam participar de experiências inovadoras. Gostam de desafios onde possam usar todo seu potencial e que proporcionem feedbacks rápidos. São mais pragmáticos, contudo perdem o foco com facilidade.

Os maiores desafios acontecem por vivermos em um tempo onde as conexões assumiram conceitos sociais profundos e onde se busca o desenvolvimento de ferramentas que permitem suprir a intensa expectativa por comunicação e relacionamento.

Os jovens que nasceram neste período tiveram o privilégio de desenvolver uma grande intimidade com toda tecnologia de conectividade e portanto se apresentam muito mais preparados para extrair todo potencial deste novo comportamento. Isto é, na maioria das vezes, associado a melhor desempenho e produtividade.

Se quiser conhecer ainda mais o trabalho de Sidnei, leia outros artigos em seu blog na Exame.com  ou o segui-lo no Twitter.

QUERO RECEBER NOVOS ARTIGOS POR E-MAIL 

0

Mariana Melissa

Graduada em Marketing e Gestão de Recursos Humanos, é apaixonada pela arte da escrita e pelas relações pessoais. Já trabalhou com comunicação interna, redação e marketing. Atualmente é Gerente de Projetos na agência Target Mais e está a frente dos projetos internos do Ideia de Marketing atuando como gestora de pessoas e conteúdo. marianamelissa.s@gmail.com

2 comentários sobre “Gerações e comportamentos – Entrevista com Sidnei Oliveira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *