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O que você pode compartilhar com o mundo?

O que você pode compartilhar com o mundo?

Você se lembra das histórias que ouvia quando criança? E se lembra de quantas vezes pedia para  seus pais, avós ou parentes repetirem a mesma história?

Eu lembro-me bem. E recordar esses momentos é como trazer de volta uma parte bonita e doce de minha infância. O grande contador de histórias em minha vida foi meu pai. Ele era um sonhador, ele era o meu herói. Eu ouvi muitos contos típicos da cultura japonesa, alguns musicados, e achava aquilo maravilhoso. Posteriormente, descobri que a minha história preferida não era de origem japonesa, mas sim uma fábula de Esopo: “ A Tartaruga e a Lebre”.

Ele me contava esta fábula, por meio de uma canção japonesa para crianças. Era tão bom que eu chegava a ver as personagens, chegava a sentir o cheiro da floresta onde tudo se passava. Na verdade era mágico. Creio que hoje sou apaixonada por livros, literatura e mitologia graças a estes momentos mágicos que vivemos juntos.

Todos nós temos uma história para contar. Esta que compartilhei com vocês é sobre a doçura no relacionamento entre pai e filha.

Esta foto foi selecionado para o “World’s Best Photo of Malaysia”. Licença Creative Commons para distribuição, não é permitido o uso comercial ou alterações nesta imagem, disponibilizado por Fadzly Mubin. https://secure.flickr.com/photos/shutterhack/1183844537/sizes/z/in/photostream/

Por que compartilhei esta história?

Porque acredito que compartilhar experiências e histórias é uma forma prazerosa de despertar sonhos. Quando meu pai me contava as fábulas, eu sentia-me acolhida, em paz com o mundo e com a vida, pois nada mais existia, apenas nós dois e a fantasia. Ser escritor é isso, compartilhar sonhos, sementes para um mundo novo. E quando uma história alcança nossos corações, ela tem o poder de transformar nossas vidas, ela muda a perspectiva que tínhamos em relação ao futuro.

A história da tartaruga e da lebre me encantava porque trazia em si a esperança: mesmo com toda a dificuldade, mesmo sendo tão improvável, a tartaruga vence a corrida contra a lebre.

Ilustração do conto de Esopo, A Lebre e a Tartaruga. Licença Creative Commons, não é permitido o uso comercial ou alterações nesta imagem, disponibilizado por CTLibrary. https://secure.flickr.com/photos/ctarchives/4898056127/sizes/z/in/photostream/

O improvável pode acontecer?

Muitas pessoas ao redor do mundo estão compartilhando tudo o que se possa imaginar. Atitude incoerente para uma sociedade de consumo e num sistema que visa o lucro acima de tudo, não é mesmo? Por que compartilhar gratuitamente suas histórias, suas ideias, suas pesquisas acadêmicas, suas fotos, seus vídeos, seus livros? Por que usar a licença Creative Commons? Por que desenvolver softwares livres? Mais improvável ainda!!! Por que compartilhar seu quintal para o cultivo de hortas coletivas? Por que compartilhar seu carro para estranhos? Por que compartilhar um quarto ou o sofá da sua casa para hospedar viajantes do mundo inteiro? Por que compartilhar suas ferramentas e eletrodomésticos com sua comunidade?

Você deve estar se perguntando, existem pessoas compartilhando tudo isso?

Sim, existem. E são muitas! Se a crise econômica mundial trouxe algo de bom, essa coisa boa foi o despertar dos povos. A crise e a comunicação entre os pares, favorecida pela Internet, fizeram com que as pessoas despertassem. Elas perceberam que estavam sendo enganadas. Perceberam que um sistema de consumo desenfreado não é sustentável. O planeta está sofrendo uma degradação extraordinária em nome do lucro e isto não pode mais acontecer. Milhões de pessoas subsistem em situação de miséria extrema, em nome da ganância de uma minoria rica, fato inadmissível. As pessoas estão acordando.

Você está satisfeito com o mundo baseado no consumo desenfreado?

Se a resposta for não, o que você pode compartilhar com seus pares?

Você escreve? Compartilhe seus pensamentos!

Você desenha? Compartilhe sua arte!

Você fotografa? Compartilhe suas fotos!

Deixe o conhecimento fluir e frutificar.

Faça a sua parte, informe-se sobre o que está acontecendo. Vista a camisa por um mundo melhor. Compartilhar é um ato de amor, um amor tão puro quanto o amor de pai para filho. E, assim como desejamos o melhor para nossa família, por que não desejar o melhor para toda sociedade? Difícil? Uma corrida entre a tartaruga e a lebre também é uma corrida difícil para a tartaruga, mas com persistência, esperança e coragem, tudo é possível! :-)

Para provar que estou falando sério, leiam o artigo de Jay Walljasper, co-editor do OnTheCommons.org. Neste texto, Jay semeia algumas sementes que podem brotar e frutificar em boas ações para o bem da sociedade. Ele apresenta doze razões para que valorizemos o que é público, comum e compartilhado. O texto está em inglês, acessem o link da matéria e inspire-se.  http://www.shareable.net/blog/12-reasons-youll-hear-more-about-the-commons-in-2012

Neste site é possível encontrar outros ótimos textos como o que estou apresentando para vocês. Ótimo despertar!


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Tereza Kikuchi

Empresária e designer. Em 2004 montou a empresa de produção editorial, Estúdio Bogari, juntamente com Marcelo Cordeiro. Neste mesmo ano, publica, como organizadora, a obra "José Mindlin, Editor" pela Edusp. Formada em Editoração pela ECA-USP, em 2011 foi selecionada para participar do Curso de Formación para Editores Latinoamericanos, pela Fundación Carolina e Universidad Complutense de Madrid, Espanha. Acredita que é possível construir uma indústria criativa justa e eficiente, por meio da liberdade de expressão, da livre e gratuita circulação do saber e da colaboração entre os diversos profissionais da área.

4 comentários sobre “O que você pode compartilhar com o mundo?

  1. T, adorei a sua mensagem. Compartilhar e mesmo um circulo virtuoso… Ao escrever esse post, voce compartilhou um pouco do seu tempo e pensamentos e me motiva a tambem compartilhar momentos e ideias. Nao existe forma melhor de aprender do que trocando experiencias;-)

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  2. A defesa do parasitismo apenas. Hoje no Brasil já tem site de notícia que o cara só dois empregados para fazer tudo, pois tudo que precisa chupa da net. Outro dia consultei de quanto custava duas semanas de propaganda/Banner de empresa e é mais caro que o mesmo tempo na Folha de São Paulo. Esse cara que acabou de ser preso ficou bilionário sem pregar um prego numa barra de sabão.
    E gente que nem aprendeu para que serve e-mail só sabe mesmo é defender que os outros trabalhem de escravo.

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  3. Alipio,

    as pessoas têm trabalhado como escravos há muito tempo para essas grandes corporações que hoje querem aprovar projetos de leis como o SOPA, PIPA e agora na Europa o ACTA (que é ainda pior) para que os cidadãos comuns continuem sendo manipulados à apenas consumir.

    Para vc ter um ideia de como essa filosofia de direitos autorais e patentes é nociva, voce sabia que se o ACTA for assinado na maioria dos países do mundo, não haverá mais a possibilidade da produção de remédios genéricos (estaremos presos às patentes das grandes empresas farmacêuticas e aos seus preços abusivos).

    Infelizmente, muitos artistas ainda não perceberam que esses projetos de lei não defendem o pagamento justo pelo trabalho criativo, eles visam manter a hegemonia de grandes corporações e um sistema de censura prévia na Internet.

    No caso do ACTA é ainda pior, porque além da censura, quer se impor a hegemonia das grandes corporações (por meio de patentes) na produção e comercialização de remédios e sementes (para a produção agrícola).

    Vivemos num mundo tradicionalmente dominado pela manipulação dos meios de comunicação. A livre circulação de ideias na Internet é nosso único caminho para que possamos acessar informações por meio de variadas fontes, o que nos permite comparar as abordagens dadas, trocar pontos de vista e reflexões com nossos pares e, a partir daí, construírmos o conhecimento, ou seja, o significado!

    Quando disse que podemos compartilhar sonhos, ideias, histórias, imagens, e milhões de outras coisas com o mundo, estou falando muito sério. E acredito que, mesmo compartilhando, podemos sim garantir uma remuneração justa aos criadores e trabalhadores da indústria cultural.

    Para isso é preciso que haja união e a horizontalização dos ganhos de produção. É preciso que o artista seja independente destas grandes corporações, pois não se iludam, as empresas que defendem o SOPA, o PIPA e o ACTA não estão engajados para defender os direitos do artista, pessoa física.

    É isso, gostaria que pensasse sobre o tema. Quem sabe podemos encontrar uma solução juntos.

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