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A Empresa Beta

A Empresa Beta

Um dia a globalização atingiu a economia, e a partir desse fatídico dia de miscigenação econômica, as empresas nunca mais puderam ser as mesmas.

Nesta época já não havia mais tempo e espaço para um planejamento estratégico de cinco anos, porque os consumidores se reinventavam a cada novo salário e as empresas, que despendiam  uma semana inteira com toda sua diretoria em um hotel de luxo à beira mar, e depois mais uma semana para corrigir a tal estratégia, e mais uma semana, e outra e outra… No final de um longo tempo, o cacique percebe que não é mais possível um planejamento estratégico, porque o custo de sua confecção e o gasto de suas constantes correções traziam mais ônus do que retornos à empresa.

E assim, a nossa história chega ao verbo “presente”, com diversas empresas se chocando com o paradigma de se acharem cegas sem um planejamento estratégico, ferramenta que se tornou muleta para os inseguros e obrigação para os descrentes. Nessa mudança de realidade, nascem empresas que têm desde seus primeiros dias o DNA da transformação. Elas trazem ao business a teoria de Darwin e fazem da velocidade seu principal diferencial competitivo!

Existem empresas com estas características nos mais variados segmento, e a elas damos o nome de: Beta. O Orkut até hoje é beta, isso quer dizer que o Orkut até hoje está em fase de testes, ainda não é um produto finalizado, e provavelmente ele cairá no ostracismo e será retirado do ar ainda na condição beta!

E o que isso quer dizer?

Isso nos remete a uma reflexão um degrau abaixo: se um produto está finalizado, isso quer dizer que ele já não possui mais melhorias, o que quer dizer que ele é, em síntese, perfeito. E aí vem à derradeira pergunta: quantas empresas podem dizer que têm um produto realmente perfeito hoje?

As empresas que prendem seus produtos em laboratório até a sonhada perfeição costumam ver seus concorrentes Betas, passarem na frente ao lançarem um produto inacabado no mercado. A partir de então, iniciou-se o processo de adaptação do produto, de acordo com o feedback colhido dos próprios usuários, ou seja, a co-criação!

O mais experiente profissional de marketing não sabe o que os consumidores querem, pois dentro de uma empresa não existem respostas! Dentro de uma empresa só existem perguntas! As respostas dos consumidores são bens inalienáveis, e você terá que ir até eles e merecer seu tempo para conseguir esse elixir dos profissionais de marketing

O erro

Esqueça toda a filosofia arcaica que você recebeu em alguma empoeirada aula da faculdade. Hoje, errar faz parte do business, é melhor permitir erros rápidos e pequenos, como lançar um sabonete de determinada fragrância, e se houver aceitação no mercado, produzi-lo em formato líquido, do que lançá-los simultaneamente, arcando com o custo do desenvolvimento desse produto, fabricação, logística e etc, para descobrir posteriormente que o público só quer o sabonete em barra!

O erro é parte primordial do aprendizado! Um passarinho que se propõe a voar, precisa correr o risco de se atirar ao ar, mas ele não tem necessidade de fazer isso de forma inconsequente! Ele pode se atirar de uma árvore que possuía algo no chão para amortecer sua queda, ou procurar alturas que não comprometam sua saúde caso o vôo não saia como planejado!

Dessa mesma maneira é uma empresa, ela precisa calcular seus riscos, mas não esperar que exista a margem 0% para se lançar ao mercado. Os erros em uma empresa Beta são parte do cotidiano, mas tão importante quanto errar e saber mensurar e analisar este erro! Um erro é um teste que não deu certo, e se você não possuir mecanismos para entender o porquê de o teste não ter dado certo, aí sim, você cometeu um grande erro!

Vou evitar os “novos” clichês da comunicação. Não quero gastar o tempo de vocês dizendo que vivemos em mundo mais dinâmico, mais complexo, com muito mais informações, e blá, blá, blá… Tenho certeza que o leitor do Ideia de Marketing sabe de toda essa quebra de paradigmas (outro expressão que virou clichê na comunicação). Gostaria então de convidar, você leitor, a repensar sua definição de erro.

Errar é fraqueza? É burrice? É perda de tempo? Incompetência?

Errar é se permitir descobrir?

O grau de atividade do consumidor, alimentado pela velocidade da informação, cresce hoje de forma exponencial. Aprenda a utilizar essa atividade a favor de sua empresa, envolva seu consumidor na criação do produto que você quer oferecer a ele! Não trate mais seu cliente como manda a famosa expressão “target”, seu cliente é mais que um alvo, o Marketing 3.0 está aí, nos ensinando que os consumidores são mais complexos que simples alvos móveis. Eles têm sentimentos e anseios, que precisam ser ouvidos, compreendidos e saciados.

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Rodrigo Fukunaru

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