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Cenouras, latas brancas e odores – BrandSense II

Cenouras, latas brancas e odores – BrandSense II

“Aposto que você não sabia: as cenouras costumavam ser de todas as cores, menos laranja. Eram vermelhas, pretas, verdes, brancas e até mesmo em variações de roxo. Então, em algum momento no século XVI, os plantadores holandeses decidiram dar a essa raiz vegetal um viés patriótico. Usando uma semente mutante do Norte da África, os agricultores começaram a desenvolver uma variação laranja em homenagem a seu monarca, William I, o Príncipe de Orange, que os levou à independência contra os espanhóis. Um país com uma bandeira laranja agora tinha sua própria cenoura laranja. Esse é um dos exercícios de branding mais bem sucedidos da história, apesar de nunca capitalizado.”

Você sabia dessa ligação das cenouras com a Holanda?

Comecei nosso segundo texto relacionado ao brandsense, citando um trecho do livro “Brand Sense – segredos sensoriais por trás das coisas que compramos”, obra já citada no post anterior. Isso para provar mais uma vez o poder de uma marca construída além de um logo.

O caso acima me lembrou de outro bem mais atual. Há um mês, a Coca-Cola lançou uma edição promocional (limitada) de latas na cor branca, em parceria com a World Wildlife Fund (WWF), que seriam comercializadas nos Estados Unidos e Canadá. A ação era prevista até fevereiro, porém, diversas reclamações levaram a Coca-Cola repensar e voltar a distribuir as tradicionais latas vermelhas, mesmo bem antes do previsto. As maiores críticas diziam que a lata podia ser confundida facilmente com a versão light da bebida. Ainda outros, disseram sentir um gosto diferente do original, apenas por virem armazenadas em latas com cor diferente. Leia a notícia toda.

É mais um caso que mostra a importância de uma identificação através de outros elementos além logo, mesmo que em situação não tão agradável.

Cerca dos cinco mil anúncios, mensagens e informações que recebemos todos os dias, é fruto do “veja-me” e “ouça-me”.

Somos todos íntimos dos nossos sentidos. Por algum motivo, grande parte da indústria da propaganda, ainda se comunica com um ou no máximo dois sentidos, visão e audição. Cerca dos cinco mil anúncios, mensagens e informações que recebemos todos os dias, é fruto do “veja-me” e “ouça-me”. Isso precisa mudar e as marcas já perceberam isso, agora virou questão de sobrevivência. Utilizar os cinco sentidos na comunicação, criando vínculos e sentimentos com os públicos, irá cada vez mais fazer parte das estratégias das marcas.

Você já observou um animal em um local novo? Percebe que a primeira coisa que ele faz é sentir o cheiro? Os odores dão aos animais as informações que precisam para calcular seu potencial de segurança, e uma vez, no Dia Mundial do Animal, a Pedigree colocou adesivos perfumados nos pisos e calçadas em frente a pet shops e supermercados. Assim, quando um cachorro inalava o falso cheiro de comida, ficava feliz imediatamente e deixavam os donos dos animais (que não entendiam nada) perplexos, sem conseguir passar pelas lojas sem ver as latas de Pedigree expostas na vitrine. Essa ação está relacionada a um sentido que quase não damos importância: o olfato.

São pequenos cases em que já conseguimos entender melhor sobre o brand sense e sua importância, e de forma concreta, já começarmos a planejar levando em conta os cinco sentidos, ao invés de apenas um ou, no máximo, dois.

Bem, por enquanto é isso. No próximo texto, faremos alguns exercícios para entendermos na prática a importância do formato nos produtos (diretamente relacionado ao tato). Até logo e muito brand sense no seu dia-a-dia!

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Paulo Lima

Acredita que somente pessoas são fator de mudança. Fundador e Gestor do Ideia de Marketing, é consultor em marketing e branding.

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