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Criatividade X Pessimismo

Criatividade X Pessimismo

Hoje é a minha estreia no Blog Ideia de Marketing. E assim sendo, vou começar este texto com uma agradecimento ao Paulo Lima, idealizador deste espaço, que muito gentilmente me convidou para escrever sobre a indústria cultural, especialmente, o mercado editorial.

Mas antes de tudo, cabe aqui uma breve apresentação. Sou uma pessoa sortuda, tenho o privilégio de trabalhar com o que eu realmente amo: livros. Sou também sonhadora: Sonho com um mundo justo para todos e sei que isso é possível!

COMO?!!

Por meio da reflexão, da colaboração e do respeito entre os diversos agentes sociais, da liberdade de expressão do cidadão comum, da generosidade, do compartilhamento de ideias, do trabalho árduo e sério, e da ética.

Pronto! Agradecimentos e apresentações feitas, vamos ao que interessa.

Pretendo abordar neste espaço algumas questões sobre o mercado editorial, que como todos sabem está em profunda transformação, graças aos avanços tecnológicos e à Internet.
No mundo todo, as editoras estão preocupadas com o futuro do livro, angustiadas perante às incertezas geradas pelo surgimento dos e-books e as implicações que essas mudanças vão trazer no âmbito dos negócios, dos direitos autorais e dos hábitos de leitura.
Eis o nascimento de um novo produto, que possibilita uma série de oportunidades de criação, não só no que se refere à edição propriamente dita e ao design, mas também em relação aos modelos negócios que surgirão com o tempo. E para compreender melhor tudo isso, precisamos refletir sobre o assunto por partes:

O cenário atual para os livros digitais:

  • Convergência de mídias: texto, imagem, sons, filmes, animações, hiperlinks, tudo isso pode fazer parte de um mesmo suporte, o e-book. Já temos exemplos de publicações com essas características. Um dos mais famosos é o e-book Our Choice, escrito por Al Gore.
  • Ampliação da autonomia do autor: o escritor terá muitas opções para publicar seus e-books, inclusive de forma independente, contratando ele mesmo sua equipe de produção: editor, preparador de texto, revisor, designer, ilustrador, fotógrafo, iconógrafo etc. (Pois contratar bons profissionais faz toda a diferença!). Ou publicando diretamente com a empresa que comercializará seu e-book, como é o caso do modelo de negócios proposto pela Amazon. Há também a opção de contratar empresas especializadas em auxiliar o autor independente a publicar seus e-books, no Brasil, alguns exemplos desse tipo de empresa são: Simplíssimo; e Singular Digital .
  • A distribuição: As editoras estão aderindo, gradativamente, aos livros digitais e disponibilizando as publicações em sites de venda especializada em e-books. Aqui temos os exemplos de novo da Amazon, mas também da Apple Store e de empresas brasileiras, como o Gato Sabido, que neste caso, comercializa as obras em e-book da maioria das editoras nacionais e, claro, assim como as anteriormente mencionadas, fica com boa parcela do valor da publicação.
  • Pirataria: O grande dilema para as editoras e os autores, com o surgimento dos e-books, é a questão comercial, como tornar viável economicamente a produção de livros digitais, já que a possibilidade de reprodutibilidade de um arquivo digital é total e os códigos de DRM (proteção contra a pirataria) são facilmente quebrados. Enfrenta-se na indústria do livro, atualmente, o que as indústrias fonográfica e cinematográfica já estão enfrentando há certo tempo: o problema da pirataria. Porém todo o investimento voltado para proteger o produto cultural contra a difusão livre na Internet está fadado ao fracasso. Explico: A própria indústria de bens de consumo investe e investiu grandes quantias no desenvolvimento e na comercialização de tecnologias que possibilitam a livre reprodução de conteúdos, no entanto, essa mesma indústria insiste em criminalizar o consumidor que usufruir das possibilidades técnicas criadas. Ou seja, o mercado quer impor uma contradição ao seus consumidores, o mercado vende tecnologias que possibilitam a livre circulação cultural e, ao mesmo tempo, quer proibir o uso livre dessa tecnologia.

O que fazer?

Antes de mais nada, é preciso repensar a sociedade e, a partir daí, criar novos modelos de negócios. Este é um momento de incertezas, ou seja, o momento ideal para criarmos um futuro melhor, uma indústria cultural justa, que beneficie a livre e gratuita circulação do saber, que respeite e remunere bem os profissionais envolvidos no processo de produção (todos os profissionais!), que respeite e remunere bem os autores da produção cultural, que respeite o leitor/consumidor/ou usuário de serviços na Internet, que preze pela privacidade destes leitores/consumidores/usuários. Uma indústria cultural baseada na transparência dos dados, na ética, no respeito, na difusão do conhecimento e na credibilidade.

Isso é possível?

O homem pisou na Lua, qualquer pessoa do início do século passado diria que isso seria impossível, utópico. Mas não foi e não é! O limite somos nós quem definimos. No caso do mercado editorial, precisamos buscar alternativas criativas, criar soluções. E uma solução para ser boa, deve ser boa para toda sociedade, deve ser sustentável. Porque resolver um problema só para uma parte, não é resolver nada. Só estaremos bem, quando nossa sociedade como um todo estiver bem. E se usarmos nosso cérebro para este fim, logo conseguiremos encontrar um caminho.

Afinal somos ou não profissionais da área de criação?

Por enquanto, fiquem com essas reflexões. Daqui a quinze dias, aprofundarei mais o tema e darei exemplos de ideias criativas que já estão vigentes, além de espalhar algumas outras ideias que brotam deste lado do micro. Por enquanto, espero que você, caro leitor do Ideia de Marketing, também comece a criar seus próprios sonhos de uma sociedade melhor, de uma indústria cultural digna e da qual todos nós teremos orgulho de fazer parte. Até mais!

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Tereza Kikuchi

Empresária e designer. Em 2004 montou a empresa de produção editorial, Estúdio Bogari, juntamente com Marcelo Cordeiro. Neste mesmo ano, publica, como organizadora, a obra "José Mindlin, Editor" pela Edusp. Formada em Editoração pela ECA-USP, em 2011 foi selecionada para participar do Curso de Formación para Editores Latinoamericanos, pela Fundación Carolina e Universidad Complutense de Madrid, Espanha. Acredita que é possível construir uma indústria criativa justa e eficiente, por meio da liberdade de expressão, da livre e gratuita circulação do saber e da colaboração entre os diversos profissionais da área.

5 comentários sobre “Criatividade X Pessimismo

  1. Adorei!
    Sempre temos que criar soluções inteligentes para nosso trabalho, senão acabamos ficando para trás!

    Reinventar é a palavra.

    Muito bom, bem vinda ao blog, tereza!

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  2. Valeu, Natália!

    Reinventar é a solução. E essa reinvenção deve surgir por meio da união de forças entre diferentes profissionais. O espírito colaborativo em ação. Agora é possível trocar ideias, compartilhar conhecimentos e trabalhar em equipe com muita facilidade.
    Não queremos gurus para nos dizer o que deve ou não ser feito.
    Vamos construir novos caminhos juntos????

    Grande beijo, estou muito feliz de fazer parte desta bela equipe.
    Tereza

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  3. Oi, Tereza, concordo com quase tudo que você disse, mas ainda nos faltam ferramentas para equacionar a proteção do direito autoral e a remuneração justa do autor, da editora – e, por conseguinte, de toda a cadeia produtiva do livro – e a difusão de conteúdo. Vamos continuar pensando juntas? Beijo e parabéns pelo texto.

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  4. Tereza, concordo que precisamos desenvolver soluções em prol da difusão do conteúdo. Eu como produtor editorial penso nisso diariamente, e já pesquisei algumas ferramentas para este fim, mas sempre me deparo com os custos altos para desenvolvimento de algumas ferramentas (ideias).
    Mas não podemos desistir…

    Parabéns pela iniciativa.

    Marcel santos

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  5. Olá Soraia, olá Marcel!!!

    Obrigada por expor seus comentários neste blog e pelas palavras de apoio e de questionamentos! É sempre bom, saber que não estamos sozinhos neste grande sonho.

    Sobre a ferramenta para elaborarmos a equação, ressaltada pela Soraia: livre difusão do conhecimento, remuneração justa para autores, editores e todos os profissionais da indústria cultural.
    Penso que o fato dela ainda não existir é mais um incentivo para que a possamos criar!

    E criá-la do nosso jeito, como um mecanismo justo, transparente, baseado nos conceitos e no uso de softwares livres. Para que todos façam parte disso, de forma colaborativa!

    Podemos fazer isso e muito mais.
    Existem milhares de programadores utilizando seu tempo, inteligência e boa vontade na criação de softwares para melhorar a qualidade do nosso trabalho, vamos ajudar! São softwares e sistemas operacionais gratuitos, com código aberto!

    Precisamos fazer isso com a nossa indústria cultural. De forma efetiva. Criar uma grande comunidade/cooperativa de profissionais: escritores, editores, designers, programadores, revisores, professores, jornalistas, RPs, publicitários. Todos conectados e se ajudando!

    Vamos construir isso, tenho certeza que neste espaço de reflexão surgirão inúmeras ideias e projetos conjuntos! Assim teremos orgulho de fazer parte de uma realidade futura muito melhor do que a que vivemos hoje. E a parte mais gratificante disso tudo é que seremos, NÓS TODOS, responsáveis por este futuro promissor.

    Grande abraço para vocês!!! E obrigada mais uma vez!
    Tereza Kikuchi

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