Até qual ponto o jogo do contente (ou jogo do feliz) funciona na sua vida profissional? Talvez você já tenha se deparado com o clássico Pollyanna, mas, de toda forma, vou relembrar um dos seus aspectos mais populares. Nele, a protagonista exagera ao mudar sua visão sobre um acontecimento sempre para o lado positivo. De algo frustrante para a maioria, ela tira uma lição e uma motivação para continuar. Não raro falamos sobre a síndrome de Pollyanna como uma tendência de dourar a pílula, focando apenas no otimismo e deixando de lado outros pontos importantes do contexto.

A síndrome de Pollyanna também pode se referir ao passado, ao filtro mágico que muitas vezes é utilizado para fazer com que as lembranças ganhem contornos ainda mais satisfatórios e prazerosos do que realmente aconteceu. Não raro, encontramos em nossos feeds nas redes sociais uma enxurrada de imagens que retratam uma verdadeira epidemia de Pollyanna, retratando um mundo repleto de amor, amizade, viagens e tudo que há de bom. Parece, então, que a síndrome de Pollyanna é algo negativo. Depende. Se olharmos de forma comedida para o jogo do contente, podemos encontrar ali um motivo para fazer nossas carreiras seguirem em frente e superar obstáculos. A questão não está em mascarar um acontecimento, mas transformá-lo em motivação.

De que forma podemos transformar o jogo do contente dentro da profissão como algo positivo e, até mesmo, saudável? Não há dúvidas que qualquer excesso nessa mesma prática pode acarretar em uma série de consequências negativas, não só para carreira como até mesmo para a saúde. Mas, novamente, cabe ressaltar o equilíbrio, em saber utilizar as ferramentas até onde elas se propõem a corroborar de forma sadia com os nossos objetivos. Contudo, em um ambiente negativo, em que parece existir uma nuvem de desânimo, o jogo do contente pode ser uma ótima saída para começar uma revolução.

Transformar ambientes pode requerer bastante esforço, mas trata-se sim de ponto de vista (entre outras variáveis). Por que não pensar em um que seja mais para o lado do contente do que do infeliz? Pense no quão fácil é ficar irritado e culpar o outro ou ao cliente. O quão fácil é se apegar a cláusulas e contratos e não se permitir entregar mais valor. O quão ainda é mais fácil reclamar e transformar o “não” em uma resposta padrão. É aqui que pequenas e cautelosas doses do jogo do contente podem ser aplicadas para causar, pelo menos, um estranhamento otimista dentro de um padrão que pende mais para o lado negativo.

É um exercício diário que, claramente, tem limites, mas que pode ser feito e refeito sempre que possível. Por exemplo, ao receber um e-mail mais objetivo de um fornecedor ou cliente. Se você está em um ambiente impregnado por reclamações e por atitudes negativas, o caminho mais comum é fazer uma interpretação que vai mais para o lado da falta de tato do que, realmente, da objetividade. Ao responder o mesmo e-mail com essa emoção dominante, é provável que se estabeleça uma comunicação hostil. Como evitar isso? O jogo do contente traz um lado bastante proveitoso, o da empatia. Ler e reler de forma mais imparcial possível é capaz de fazer com que o tom (que é o leitor que dá) seja neutro. Por sua vez, a resposta irá seguir a mesma linha e as chances de chegarem ao objetivo da comunicação são ainda maiores.

O que o jogo do contente pode revelar sobre sua carreira?

Outro ponto que o jogo do contente pode nos auxiliar é na análise das carreiras ou do ambiente de trabalho. Por exemplo, se há um excesso de reclamações e não se consegue ver o lado positivo ou se comprometer a fazer mais do que já é feito, bom, onde será que está o problema? Tentar e não conseguir fazer o mínimo do jogo do contente pode ser um indício de diversas causas que merecem ser analisadas com atenção, desde um ambiente tóxico até quadros de stress e síndrome de burnout. Se nada é bom, certamente é preciso reavaliar o que se está fazendo e onde se está.

Preparado para trazer um pouco de positividade para o seu dia?

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Janine Costa

Especialista em Inbound Marketing, Planejamento Estratégico de Comunicação e Marketing Digital. Formada em Comunicação, pós-graduada em Marketing para Mídias Sociais e com experiência em agências e clientes de vários portes e segmentos. Também realiza Palestras e Workshops com foco em Inbound Marketing e Produção de Conteúdo Criativo.