Quando o assunto automação é abordado, é necessário que exista uma série de cuidados para que a discussão não seja  tratada de forma simplista, tão pouco generalista. Isso significa que fazer generalização é afirmar de modo simples que toda automação é ruim! É um erro grotesco.

A automação não é o lado mau da força como também não faz milagre. O que precisamos compreender é que para usarmos a automação e alcançarmos êxito com ela, é imprescindível que consigamos a chamada licença social para operar.

Este termo passou a ser mais usado  agora esse ano para fazer menção ao espaço subjetivo que uma determinada  marca ocupa em comunidades que tratam com profundidade e autoridade assuntos que são reconhecidos como ativismo social.

Por exemplo, o feminismo. Este tema requer muito estudo, engajamento real da marca na causa e representatividade para que exista uma criação de conteúdo denso. Não é uma questão de repetir ações ou imitar campanhas de outras marcas que deram certo. Pois, quando falamos de uma causa ela precisa ser atemporal, e mais, o consumidor irá buscar identificar traços reais desta comunicação em todas as esferas que a marca se fizer presente. Vivemos a era da sociedade sem paredes!

Logo, a aplicação da automação para conseguir gerar engajamento tendo como pauta esse tipo de assunto é assumir um risco muito alto.

Não adianta em nada uma marca usar da automação para divulgar preços da sua ração em promoção em um post que um dono está divulgando de forma desesperada a perda do seu cão de estimação. A prensença ok, mas o significado do contexto da ação será descabido.

Existe uma corrente de pensamento que defende que de alguma forma, as marcas por uma questão de reputação, precisam considerar o ativismo social de modo geral na criação da sua estratégia de comunicação. E para tanto vale ressaltar o quanto faz total diferença quando existe uma equipe preparada para fazer pesquisas, ouvir os burburinhos do comportamento das pessoas nos meios digitais e conseguir extrair o melhor de tudo isso e transformar a comunicação com relevância e alinhamento com os valores da marca. Para tanto você vai precisar:

  • Contratar profissionais empáticos
  • Formar e qualificar  equipes de gente que entenda de tecnologia, mas que goste de gente
  • Descobrir uma causa social que de fato esteja dentro dos pilares da sua marca e que a comunicação possa fluir de modo natural
  • Priorizar a integração das partes interessadas em todo o processo de criação da comunicação
  • Desapegar dos dados na verdade é aplicar uma leitura mais humanizada a eles, use-os para conseguir ter um norte e não como uma verdade absoluta.

Aqui vale darmos uma atenção para um fato recente que ilustra bem o que estamos tratando. A foto mais curtida do Instagram que fez Kylie Jenner perder o seu posto para uma imagem de um ovo num fundo branco! O perfil chamado @world_record_egg foi criado com o objetivo de ter o post mais curtido da rede social e já são mais de 48 milhões de likes, contra os 18 milhões de Kylie.

Esse feito só foi possível, pois as pessoas que ajudaram curtindo estavam totalmente envolvidas no processo. E assim, perceberam um pouco da sua ação quando o objetivo foi alcançado. As pessoas querem se sentir fazendo parte. Um dado sem uma boa causa é apenas um número, ele não mobiliza!

Nosso papel é proporcionar acesso a elas, e ter capacidade analítica para gerir todos os passos e ferramentas que serão necessárias. Capacite seu pessoal para que eles consigam ter vontade de ouvir, paciência para interagir e disposição para mudar sempre de ideia.

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Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.

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