A cada ano no Brasil, nascem mais de dois milhões de novos negócios. Origem da necessidade de sobrevivência, desejo ou sonho de ter a própria empresa, os novos empreendimentos que surgem possuem alta taxa de fechamento até o seu segundo ano de vida, juntamente com empresas já consolidadas aparentemente, de mais tempo de mercado, que há algum tempo buscam algo que as faça retomar os tempos bons. Resultado: empreendedores endividados, funcionários demitidos, problemas e dificuldades de recuperação, empresas lutando para sobreviverem e caos corporativo.

De acordo com estudo do SEBRAE, as principais causas mortis de empresas estão atreladas a:

1. Planejamento prévio: novos negócios nascem no calor da emoção e os empreendedores não desenvolvem um plano de negócios, ou aqueles “sólidos” não se reinventam no atual contexto e ficam obsoletos.

2. Gestão empresarial: não há domínio de 100% das áreas necessárias para o negócio funcionar plenamente, gerando inconsistências cumulativas no longo prazo.

3. Comportamento do empreendedor: há diferença entre saber fazer algo e ter visão holística completa para o negócio (isso pode ser desenvolvido ao longo do tempo), mas a questão aqui é a continuidade da “atitude empreendedora” após abertura de uma nova empresa, e a entrada no comodismo das mais antigas de mercado.

Essas habilidades ou bases de conhecimento têm a ver com algo que tenho falado ultimamente. O “jeito marketing” ou “jeito estratégico” de pensar. A falta do olhar estratégico (strategic mindset) compromete a evolução e sustentação de um negócio.

Veja os principais problemas:

– falta de cultura de planejamento em detrimento do imediatismo
– não ter conhecimento do mercado, concorrentes e as tendências
– não conhecer o cliente
– inconsistência na formatação dos produtos e serviços
– cotidiano voltado ao operacional e exclusão do olhar estratégico
– descomprometimento do empreendedor (acomodação e zona de conforto)
– não acompanhamento das movimentações do mercado

O estudo do SEBRAE olha especialmente para micro e pequenos negócios. Mas, uma coisa é fato: esses  esafios/problemas são comuns a novos negócios e se tornam comuns também para empresas já consolidadas, que entram em períodos de estagnação e engessamento de sua postura de mercado.

Em sua maioria, o contexto de negócio se torna “suficiente” para os empreendedores, gerando o comodismo e entrada na zona de conforto. Se esquecem de que lá fora as startups estão se multiplicando a todo vapor, quebrando velhos modelos de negócio e resolvendo problemas de forma mais escalável, rápida e barata, com suporte da tecnologia, dos dados e de todo ambiente digital.

Por isso, o pensamento estratégico se adequa a qualquer contexto de negócio, já que orienta seu desenvolvimento, crescimento, expansão e sustentação conscientes. As técnicas e ferramentas estratégicas de marketing, branding e comunicação, direcionadas ao alto impacto para evoluções e transformações, são mais que necessárias.
Porém, o desejo do alto impacto precisa estar culturalizado na diretoria, dono ou em quem toma decisão. A vontade do aprendizado, da evolução sólida, consistente, da transformação necessária para uma retomada estratégica, é imprescindível para o sucesso de qualquer nascimento ou revolução/retomada corporativa.

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Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)