Por que tantas pessoas se sensibilizaram (e ainda sentem) com a perda de Stan Lee? O que podemos aprender com ele sobre branding?

Stanley Martin Lieber, ou Stan Lee como ficou conhecido, conseguiu estabelecer o propósito por trás das histórias de uma forma tão clara que as pessoas se identificam facilmente com os personagens que ele criou, como o Homem-Aranha, Thor, Homem de Ferro e Quarteto Fantástico, por exemplo.

Podemos dizer que a humanização por trás de seus personagens praticamente criava uma persona diferente para cada segmentação de leitores que surgia. Surgia? Sim! Como é possível ver no documentário produzido pelo History Channel, a editora estava em uma crise de vendas.

Stan Lee conseguiu fazer com que os jovens leitores (e por que não os mais velhos também) se enxergassem nas páginas. O Quarteto Fantástico era uma família com problemas como qualquer outra na “vida real”, chegando a lidar até mesmo com despejo domiciliar. E o Homem-Aranha então? Jovem, nerd, atrapalhado e azarado. Duro e sem sucesso com as garotas. Quantos garotos não se viram nessa situação?

A humanização da Marvel Comics trouxe junto para o público os valores e crenças imbuídos à marca. O entretenimento deveria ser algo familiar, ensinando e inspirando os leitores – quem não conhece a famosa frase “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades!”, dita pelo Tio Ben Parker?

Através dos quadrinhos, humanizou e discutiu temas como alcoolismo, drogas, preconceito racial, tudo dentro de uma estratégia e visão adotada e praticada mesmo anos após a sua saída.

Essa Cultura Lee-Marvel pode ser vista nas pessoas que trabalham de alguma forma com a marca, seja desenhando, escrevendo ou atuando. O comportamento público destes stakeholders não são conflitantes com a Cultura estabelecida.

Stan Lee conseguiu se tornar um ícone não só para os fãs da Marvel, mas de todo um mercado, o da Cultura Pop. Pense em outros profissionais que atingiram este feito. Serão poucos em sua lista.

Stan Lee conseguiu mais do que proporcionar entretenimento para crianças, ele transformou uma marca em uma referência, com fãs fiéis aos produtos que consomem, algo muito parecido com o que Jobs fez com a APPLE.

Para terminar, quero deixar uma reflexão. Como está o superpoder da sua marca? Ela consegue se relacionar com o seu público-alvo? Consegue traduzir seus valores e suas crenças desta forma?

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Marcelo Oliveira

Jornalista e entusiasta da Gestão do Conhecimento e Inovação, com uma passagem de 17 anos pela EMBRAER, onde atuei na edição de Publicações Técnicas e como focal point de inovação. Estruturei e estive a frente de um programa voltado a conectar pessoas, ajustar processos, melhorar a comunicação e aplicar uma gestão colaborativa e inovadora de equipes, ajudando a desenvolver o potencial humano, através do engajamento e da capacitação. Em paralelo, como freelancer, produzi textos para a revista Villaggio Panamby e para o site infoescola.com. Fundei a Inovadoramente Consultoria para oferecer serviços em gestão de equipes e comunicação. Também sou conteudista no Ideia de Marketing e na Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, além de professor de Pós-Graduação na ESPM, dentro do Centro de Inovação e Criatividade.