Me peguei pensando isso nas últimas semanas e cheguei a dura percepção de que meu diploma tem tido mais utilidade às traças do que a minha consciência.

Que dura conclusão cheguei. Quando estava me planejando para escrever o texto da semana pensei em tantos temas: Inteligência artificial, Robot e automatizações, Google e “seus braços” em constantes mudanças e tantas outras temáticas que respiramos quase que obrigados todos os dias, já que todo dia algo muda.

Mas aí me deparei com um vídeo da Chen Lizra no TEDx Vancouver onde ele fala sobre o comportamento dos cubanos sobre eles mesmos e como a cultura e a ausência dessa publicidade massacrante e exagerada muda a forma como eles encaram a vida como um todo.

Assisti esse vídeo por duas vezes para refletir em diversos aspectos e detalhes que em uma primeira visualização, passam batidos e acredite, só piorou ainda mais o peso sobre os meus ombros.

Cheguei a dura conclusão que eu ainda não consegui atuar como publicitária, com base no meu juramento como profissional.

Eu ainda não mudei a vida de ninguém com as minhas ideias inovadoras, ainda não tive a certeza da utilidade de muitos dos meus textos – Apesar de acreditar que o meu blog sobre viagens e imigração ajuda muitas pessoas e ainda não consegui ver uma mudança significativa ao meu redor através da minha erudição tão aclamada por mim mesma.

Eis que minha saga continuou, entre comerciais (repetitivos) de carros que te “inspiram” a se aventura e a sujar bastante os pneus, troquei para um canal infantil. Que arrependimento! Vendiam bonecas, ursinhos de pelúcia, Dvds, ingressos para show e por fim falavam de gentileza, 3 minutos.  Coitada da minha filha, já está crescendo e ouvindo da televisão que precisa ser, ter, comprar e fazer.

“Nossa Sabrina coloca ela no youtube para ver galinha pintadinha”, não preciso te contar que a #galinhapintadinha no Instagram tem cerca de 400k mil publicações só em português do Brasil pois não?! E com ela muita publicidade, muuuuuuuita mesmo.

Aliás, minha escolha mais difícil do dia foi entre as publicidades das mídias sociais, e até mesmo minha querida Netflix entrou na dança, e os comerciais da televisão que eu posso pelo menos pausar e pular para a programação que escolhi.

O que na verdade percebi é que não estamos fazendo tanta coisa assim de diferente não. Tem campanhas boas por aí? Com certeza, Deus livre meu diploma das traças se eu disser o contrário, mas a grande e massacrante publicidade e propaganda no Brasil e fora dele, só estão nos incentivando a comprar mais, a precisarmos de um carro super pimpão para viver, de uma maquiagem à La Gisele para ficar bonita – E claro se endividar para parcelar, de uma roupa de linho fino (que vem de Bangladesh, mas custa bem caro), de um celular tão cheio de tecnologia que já já não preciso nem fazer as torradas e de uma vida perfeita e idealizada (que ninguém tem).

Grandes marcas já entenderam o potencial que possuem principalmente através de influenciadores digitais e o que elas fazem muitas vezes é utilizar influencer que, apesar de grandes públicos, continuam tentando transparecer a ideia de que possuem vidas perfeitas, na grande maioria deles.

Entendo que é completamente normal do ser humano aspirar coisas grandes, melhorias de vida, de condições financeiras, de status social e de bens materiais. E não há pecado nenhum nisso.

Então, qual é a porcentagem da nossa responsabilidade no uso exagerado das redes sociais como vitrine e qual a nossa responsabilidade na penosa e depressiva competição por uma vida social, na maioria das vezes online, perfeita?

Será que o lucro e a visibilidade das redes sociais a todo custo está contribuindo positivamente para uma sociedade melhor e mais reflexiva ou só estamos enchendo a internet de conteúdo bonito, bem editado, cheio de técnica, mas que no fundo será logo esquecido e talvez tenha deixado boa parte dos possíveis clientes, desesperado, com a certeza de que tem uma péssima vida e que precisa a todo custo mudar?

O que estamos fazendo com a responsabilidade que assumimos em comunicar e convencer as pessoas do que realmente importa? Lembro que na época da faculdade, eu dizia para umas más línguas que riam de mim e perguntavam por que eu tinha escolhido fazer publicidade e propaganda e eu respondia com mais ironia ainda: “Para fazer seu filho te fazer comprar o iogurte bonito da prateleira mesmo que ele não preste”.

Se eu pudesse voltar no tempo …

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Sabrina Kelly

Mineira de Belo Horizonte, publicitária em formação, apaixonada por viagens e fotografia. É técnica em Sistemas da Informação pelo Colégio e Faculdade Cotemig e fez um intercâmbio em Jornalismo na Universidade de Coimbra, Portugal. Escreve para a Obvious Maganize, produz conteúdo para e-commerce e é criadora da Loja Virtual Feitio.