É sabido que a construção de uma liderança vai muito além de acertar. Inclusive, é feita de errar. Elaborar uma ação, aplicá-la e perceber que não vai dar certo faz parte do ciclo de aprendizado das equipes. O importante, na verdade, é saber como reagir. Ou seja, identificar rapidamente e utilizar o conhecimento adquirido para tentar novamente. É a fórmula que muitos apontam como sendo a mais eficiente. No entanto, nem sempre errar é algo permitido, seja para colaboradores ou para quem os está guiando. Em determinados casos, o discurso não vem acompanhado da prática.

Uma liderança criativa está, sem dúvidas, na capacidade de permitir e aceitar os erros. Porém, encontrar quem de fato faça isso sem estar preocupado com a estabilidade no emprego é algo incomum. É raríssimo. O que demonstra que nem sempre há segurança. Sabemos que os homens agem instintivamente visando a proteção, o que acontece desde os primórdios. Porém, trocamos a caça do alimento pelo ambiente profissional. É lá que passamos boa parte de nossas vidas e o que garante aquilo que elencamos como prioridades. Simon Sinek, em seu livro “Líderes Se Servem por Último”, aponta que a nova selva é composta por cadeiras e mesas de escritório.

Aqui, entramos na questão de que uma liderança só será bem sucedida se os liderados perceberem e se  identificarem com os valores do grupo. Como fazer isso quando se está inseguro? Voltando novamente para a questão da sobrevivência, quando não há confiança e o seu colega pode se tornar um inimigo a qualquer momento, o primeiro instinto é o defensivo. O que quer que seja feito será movido pela necessidade de se defender. Não há segurança, não há trocas, mas sobra insatisfação e medo. Aliás, o medo torna-se palpável em situações como essa. Com isso, inevitavelmente, sua estratégia irá se deparar com um muro intransponível.

O ponto é que a segurança sozinha não fará uma estratégia dar certo, mas a falta dela poderá derrubá-la. E, quando é falado sobre o senso de confiança e pertencimento, entra também um ambiente que estimula a criatividade e, por consequência, aceita naturalmente os erros. Agora, transformar a falha em aprendizado é outra história.

Transformar erros em aprendizado não é tão simples

Errar é preciso, aprender mais ainda. Contudo, embora o discurso esteja pronto, conseguir transformar o erro em aprendizado não é a tarefa mais simples que um líder irá enfrentar. Mas se isso é fundamental para construir estratégias, como fazê-lo? Amy C. Edmondson, especialista em empreendedorismo e liderança, fala sobre como aprender com o erro. E, acredite, nem todos conseguem detectar quando não há um acerto. Como enfatiza a profissional, é necessário abandonar crenças e estereótipos para adotar uma cultura de aprendizado de acordo com o contexto.

Entre as dicas da especialista, resumidamente, podemos começar com:

  • Separar o erro da culpa, instituir uma crença que desvincule que é preciso pagar por um erro.
  • Uma compreensão dos tipos diferentes de erros, como os que são esperados, pois estão relacionados com complexidade, os que são evitáveis e os que podemos considerar como inteligentes.
  • Erros inteligentes acontecem quando a experimentação é necessária, quando isso acontece, descobre-se novas maneiras de agir.
  • A cultura de aprendizado é o pilar do crescimento, o líder é quem poderá criar e reforçar todos os itens anteriores e deixar claro que as pessoas estão autorizadas a se expor e a aprender com o erro.
  • Detectar o erro está no topo da lista, algumas vezes os pontos falhos ficam ocultos, pois não existe um dano óbvio ou imediato. Um plano de detecção é o que ajudará com que a situação não cresça e se torne irreversível.
  • Analisar o erros com disciplina e motivação, não é tão fácil olhar para algo errado despido da sensação de insegurança ou culpa. Mas a análise deve ser completa, superando as barreiras emocionais e cognitivas. Uma ideia é construir equipes interdisciplinares com perspectivas diferentes para cuidar dessa parte.

É preciso coragem para experimentar. É preciso coragem para enfrentar os erros sem culpa. Mas é o que fará sua estratégia alcançar o sucesso.

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Janine Costa

Especialista em Inbound Marketing, Planejamento Estratégico de Comunicação e Marketing Digital. Formada em Comunicação, pós-graduada em Marketing para Mídias Sociais e com experiência em agências e clientes de vários portes e segmentos. Também realiza Palestras e Workshops com foco em Inbound Marketing e Produção de Conteúdo Criativo.