Outro dia, conversando sobre gestão do tempo, percebi o quão complexo estava se tornando manter o foco. Na ocasião, minha reflexão ia ao encontro das tarefas operacionais, como quando se está lendo sobre um assunto e um colega começa uma conversa. E, logo depois, aparece um e-mail importante na caixa de entrada. Fácil se perder. Mas, a partir disso, comecei a questionar sobre o que vai além do cotidiano, como o engajamento e a liderança. Michael E. Porter e Nitin Nohria, no artigo “Como os CEOs administram o tempo”, trazem um ponto importante: pouco sabemos dos desafios e das restrições dos líderes.

É certo que comandar uma equipe ou uma organização inteira não contempla uma agenda simples. É preciso conciliar questões internas e externas, é fundamental interagir com todos. E, ainda, refletir o propósito da empresa. Como os especialistas afirmam, os CEOs não têm lá uma consistência em seus recursos, pois na mesma medida em que dispõem de vários, acabam sofrendo com a falta de tempo. É aqui que entra a organização e o foco: priorizar e executar suas agendas é o que separará o sucesso do fracasso (ou, pelo menos, de uma crise aguda de estresse). Então, como eles fazem para que os minutos se tornem horas?

Um estudo iniciado em 2006 e abordado no mesmo artigo, destaca algumas características que ajudam os líderes a manter o foco. Primeiramente, o que se espera da liderança é que ela esteja não só pronta, mas muito disposta. Para isso, há algo essencial: reservar um espaço para o bem-estar pessoal. O preparo para assumir um cargo com tantas responsabilidades é tanto físico quanto mental. Depois, é necessário ser sempre cuidadoso em suas interações. Se a interação presencial é onde se exerce maior influência, a equipe deve saber o grau de importância que se está dando para isso. Também se deve evitar algumas armadilhas tecnológicas: o e-mail promete economizar tempo, mas interrompe a linha de pensamento e a jornada de trabalho.

Uma solução para controlar a comunicação digital é estabelecer padrões de quais tipos de e-mail devem ser encaminhados para os líderes e quando serão respondidos. Um assistente executivo com experiência pode auxiliar a filtrar as mensagens e delegar as demandas e conteúdos para quem for mais condizente. A limitação não deve parar por aí, deve avançar para o controle das responsabilidades do dia a dia. O que significa assumir as rédeas da sua própria lista de tarefas. O que só acontece com uma análise das atividades que passam a fazer parte da rotina: são realmente essenciais ou apenas um hábito instituído anteriormente?

Por fim, a pesquisa traz ainda outros fatores a serem observados: conexão com outros gestores, saber o que está acontecendo em diferentes áreas da empresa, a utilização de mecanismos de integração, alinhamento da cultura organizacional com a estrutura, criação e monitoramento de processos (e aprimoramento deles), desenvolvimento da equipe (cada indivíduo) e relacionamentos, prezar por reuniões menores e eficientes, ser acessível, ter tempo para clientes, saber administrar o tempo com investidores, promover encontros com os conselheiros.

O poder do foco em uma liderança de sucesso

É comum que ao assumir um papel de liderança, o profissional acabe sendo consumido por atividades diversas. É mais normal ainda que, tendo em vista o crescimento das responsabilidades, os números tomem os lugares das pessoas e o resultado se torne a linha de chegada. O foco, dentro desse contexto, está em se manter atento para o básico: o seu propósito como líder. Dominic Barton, diretor executivo global da McKinsey & Company, ensina que quando se está com colegas e membros da equipe, se deve fazer o melhor para estar concentrado no que eles estão dizendo. Isso gera estímulo para ambos os lados, afinal, se você não está ali, focado, é uma brecha para a entrada do desengajamento.

Mais do que planilhas e gráficos, o foco deve voltar para o princípio, para os indivíduos. Sem eles, não há liderança. Por isso, recomenda-se uma preparação para não sair da linha. Doug Conant, quando foi CEO da Campbell Soup Company, criou rituais para aprimorar seu relacionamento físico e psicológico com os diversos níveis da organização. Pelas manhãs, reservava um período para andar pela fábrica e cumprimentar quem ali estivesse, aproveitando para conhecê-los. Também escreveu cartas de agradecimento pelos esforços. Quando era preciso, ele elaborava mensagens de encorajamento. Foram mais de 30 mil cartas. Fazia questão de memorizar os nomes dos membros da equipe e de seus familiares.

Qual o propósito no qual o líder estava focado? Não se tratava de aumentar produtividade e reduzir gastos, mas de desenvolver sua equipe.

Trazendo para a sua realidade, qual é o seu foco atualmente?

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Janine Costa

Especialista em Inbound Marketing, Planejamento Estratégico de Comunicação e Marketing Digital. Formada em Comunicação, pós-graduada em Marketing para Mídias Sociais e com experiência em agências e clientes de vários portes e segmentos. Também realiza Palestras e Workshops com foco em Inbound Marketing e Produção de Conteúdo Criativo.