O Natal chegando e, vivenciando o mês das crianças, o nosso espirito altruísta torna-se presente, e daí começamos a pensar em várias ações sociais direcionadas as instituições carentes para que possamos assim cumprir nosso papel de cidadão de bem.

Mas quero falar exatamente sobre ações isoladas e uma vida guiada por meio da consciência da devolutiva social como uma constante. Você tem noção que, ainda que o seu curso superior tenha sido realizado em uma instituição privada, existiu subsidiou do governo para que pudesse estudar? E isso significa também que de modo geral a sociedade contribuiu para sua formação, e mais, todos temos a obrigação de pensar coletivamente e buscar ter uma vida pautada nos princípios da devolutiva social! Por isso, mesmo de forma indireta, quem não precisou de nenhuma bolsa para estudar só conseguiu realizar esse sonho, pois por meio de financiamento o governo colocou pessoas para estarem contigo em sala e assim ter o mínimo de alunos necessários para a formação de turmas.

Mas o nosso foco principal não é esse, essa fala serve para uma breve reflexão acerca do nosso papel na sociedade.

Vamos então para a segunda parte da nossa conversa. Quando pensamos em melhorar o mundo seja por meio do nosso voto consciente ou ainda ajudando as pessoas de modo pontual em datas específicas. É normal que imaginemos às vezes que uma atitude isolada não resolve muita coisa, mas por outro lado, precisamos agir e tentar tornar o mundo melhor. E diante dessa situação dicotômica nasce o dilema: como conseguir ter uma vida baseada em pensar o bem coletivo e ao mesmo tempo cuidar de mim?

Para responder a indagação acima podemos começar entendendo coisas simples, como por exemplo o fato de reconhecermos que não estamos sendo bons quando fazemos caridade, não somos almas generosas quando ajudamos o próximo, e não temos que ser reconhecidos por fazer isso! E trazer essa discussão para âmbito corporativo exige que estejamos atentos à algumas ressalvas, isto é, ter clareza que a empresa é um ser inanimado, mas são pessoas que constroem a comunicação e esta é realizada para outras pessoas, dotadas de inteligência, vivencia e sentimentos ávidos por algo que tenha essência. Logo, se o seu conceito pessoal de devolutiva social encontra-se deturpado e limitado à datas, certamente está comunicando algo sem consistência e raso. E diante disso, digo: cuidado com sua comunicação quando for divulgar os seus atos de caridade, ela pode ferir o que seu público espera sobre uma postura autêntica e real da sua marca. As escrituras bíblicas já nos ensinam há bastante tempo a máxima: Dê com a mão direita e esconda da esquerda. E assim, encontramos aí um grande desafio, que é criar valor para a marca, seguir o calendário editorial para postagem nas redes sociais e desenvolver uma comunicação real e com entregas com significado para o nosso público.

Para tanto, podemos começar a verificar se o que falamos tem alguma serventia para melhorar a realidade do outro ou apenas estamos exercendo nossa vaidade humana, existe ainda a possibilidade de ficarmos atentos sobre o que postamos se isso tem função social de educar ou só fere a opinião alheia e expõe uma possível limitação intelectual do outro. E há ainda formas de criamos conteúdos com relevância que exerçam de modo continuado a função de disseminar conhecimento, sanar dúvidas e ajudar pessoas a viverem melhor.

Antes de criar sua estratégia de comunicação ou até mesmo de proferir palavras numa reunião, ou fazer posts aleatórios, aprenda a medir as consequências disso a partir da realidade do seu interlocutor, do seu seguidor, do seu possível cliente. A devolutiva social é papel de cada um de nós, em toda e qualquer ação que nos dispusermos a executar! Fazemos caridade ao falar, e também quando conseguimos nos calar, ser bom para nós e para o mundo não é apenas participar dos eventos sociais e de cunho público. Pasme, é possível fazer o certo o tempo todo, sem esperar um momento apoiado em datas para isso.

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Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.