A comunicação seja ela de um para um ou de um para muitos requer a percepção acerca da realidade do outro para que seja eficaz. E neste momento quem consegue transcender o óbvio certamente alcançará mais sucesso na arte de se fazer entender.

O grande desafio está em ter sensibilidade para perceber que determinadas informações que nos são óbvias podem ser totalmente desconhecidas para os nossos interlocutores. Diante desse tipo de situação, que vale ressaltar é corriqueira, todos os envolvidos saem perdendo, pois as pessoas em sua maioria passam alheias a situações e deixam de aprender, pois não conseguem expor sua falta de conhecimento prévio que os demais julgam desnecessário explicar por considerarem óbvio.

E essa realidade pode ser percebida em diferentes cenários, desde uma reunião diretiva  até mesmo numa campanha publicitária, quando as partes interessadas no processo não possuem conhecimento acerca do que está sendo transmitido, o resultado sempre será mal interpretado.

Assim, formamos um círculo vicioso de comunicação truncada, pautada em três pilares errôneos, são eles: vaidade, julgamento e vergonha.

Muitas vezes, com a intenção de informar as regras de uma promoção, por exemplo, a empresa peca por não expor tudo, considerando que determinadas informações são claras e que todo mundo deveria saber. Mas na realidade não é bem assim que acontece. E o que era pra ser algo positivo acaba gerando desgaste para o relacionamento com os clientes.

 Nessa linha, a vaidade humana é responsável por estabelecer uma relação perigosa na comunicação, pois é por meio dela que as pessoas constroem uma berlinda para que sua fala não seja contestada, questionada o que limita o diálogo e consequentemente a disseminação de conhecimento. Se imaginarmos uma marca que tenha esse perfil na sua forma de se comunicar com o público, dificilmente esta conseguirá alcançar os corações das pessoas, pois não desperta o pertencimento.

O público fica inerte as ações e passa a perceber-se como agentes passivos das situações o que inibe o interesse no consumo.

O julgamento vem quando medimos a capacidade de compreensão dos outro a partir da nossa. Quantas vezes você já deixou de falar algo por confabular sozinho em sua mente que as pessoas já sabiam sobre aquilo que iria explicar. E daí  também por vergonha de ser julgado acaba por não abordar assuntos que seriam de suma importância.

Assumir que desconhecemos algo em nossa sociedade competitiva é vergonhoso, queremos saber de tudo e por isso perdemos a oportunidade de aprender.

Ter humildade para perguntar, perseguir a paciência para explicar e, acima de tudo, primar pelo bem comum é a melhor forma de construirmos uma comunicação que todos os dias torna algo óbvio por perspectivas diferentes, assim todo mundo aprende e cresce.

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Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.