Ser criativo é considerado uma das principais características dos novos profissionais. Mais do que tudo, aspectos imensuráveis têm sido valorizados em quem é referência em sua área. Como, por exemplo, a paixão e a criatividade. Porém, será que conseguimos aprender a ser assim ou tudo depende do que você carrega em seu genes? É algo que se aprende ou simplesmente se tem?

Recentemente, li um artigo em que falava sobre “o mito do gênio louco”, publicado pela Aeon. Nele, Christa L. Taylor, pesquisador de pós-doutorado no Yale Center for Emotional Intelligence, faz uma pergunta bastante válida: a criatividade está relacionada diretamente aos transtornos de humor? Afinal, há um crença implícita de que para conseguir ir por um caminho diferente, você não deve estar muito equilibrado mentalmente.

Isso é reforçado por alguns nomes de famosos que lutavam contra algum tipo de distúrbio: Vincent van Gogh, Virginia Woolf, entre outros. Entre astros mais recentes, que infelizmente não estão mais conosco, podemos lembrar de Robin Williams, Chester Bennington (da banda Linkin Park) e Cory Monteith (protagonista da série “Glee”).

É aqui que há uma grande controvérsia. Um transtorno de humor faz com que você seja mais criativo? Não há uma resposta que seja objetiva, embora existam uma série de estudos. Ou seja, não há nada de concreto que estabelece fortemente uma ligação entre os diagnósticos e a capacidade de criar algo novo com uma aplicação prática. No final, acaba se tornando um estereótipo bastante perigoso. Há trabalhos sérios sobre o assunto, porém, a questão é: você não precisa de um para ser o outro.

Criatividade é uma questão de esforço

Nenhuma ideia brilhante surge do nada. Por trás de um “Eureka!”, há muito esforço envolvido. Mesmo que pareça que a solução tenha surgido espontaneamente, na verdade, ela é fruto do repertório que você tem acumulado ao longo do tempo, dos estímulos externos, de todo o esforço que realizou para adquirir determinado conhecimento – mesmo que seja somente correlacionado com a sua “descoberta”.

Não é por acaso que em seu livro Roube Como Um Artista – 10 Dicas Sobre Criatividade, Austin Kleon tenha conseguido despertar muitos insights em seus leitores a partir de técnicas simples. Ele, inclusive, lançou uma versão num formato de diário, no qual é possível fazer atividades que irão estimular o seu pensamento criativo. Não é preciso ir longe para se destacar em um desafio ou propor um projeto diferenciado. Basta sair da nossa “bolha social” e começar a exercitar nossos sentidos e sentimentos, o que inclui intuição e inteligência emocional.

Uma das dicas de Kleon que mais me marcou e mostrou como nos tornamos um somatório de referências é: estude seus heróis. Há sempre alguém que influenciou quem você tanto admira. É um ciclo que, se quiser, pode ser bastante extenso. Nisso, consegue-se apanhar várias características que foram moldando seus escritores, músicos, esportistas e pessoas favoritas. O que não significa que somos uma cópia, mas primeiro uma adição de informações e, depois, uma subtração que traçará nosso estilo.

Bom, mas e se meu herói era alguém com transtorno de humor? Não o coloque dentro de uma caixinha “gênio louco”. Há muito mais em nossas inspirações do que apenas uma parte de suas personalidades. Assim como nós, eles são um somatório. Nem todos que apresentam sintomas de transtornos têm as mesmas habilidades, a mesma história e, muito menos, são idênticos. Procure olhar além, é isso que faz alguém criativo! Fuja do lugar-comum e tente enxergar por um novo ângulo, desprovido de rótulos.

Você é criativo!

O psicólogo Robert Epstein, da Universidade da Califórnia, realizou uma pesquisa no qual ressalta quatro conjuntos que, de fato, contribuem com o aumento de novas ideias. Antes de mais nada, a criatividade pode mesmo se tornar um hábito. Para isso, procure:

  1. Manter sempre um caderno ou gravador em que possa guardar insights.
  2. Participar de novas e desafiadoras tarefas, mesmo que não tenham uma solução.
  3. Fazer aulas de psicologia ou procurar leituras de campos diversos. Quanto mais conhecimento, mais interconexões, que são a base do pensamento criativo.
  4. Estar cercado de pessoas e situações interessantes, tanto na vida pessoal quanto profissional.

Há estudos que comprovam que trabalhar em cima desses quatro tópicos provoca um upgrade na criatividade. Quer ser criativo? Basta começar. Pegar uma estrada diferente, procurar um ponto de partida longe de onde todos estão, questionar o que é aceito por 99% das pessoas. Justamente, esteja entre o 1%. No livro “Tudo o que Você Pensa, Pense ao Contrário”, Paul Arden dá um excelente gancho de direita já no título. Ele nos chacoalha logo ali. Ei, estamos nos achando criativos ou, ao contrário? Bom, é só fazer exatamente aquilo que temos tanta certeza de que está certo. Isso é uma questão de percepção.

Foi neste livro que aprendi uma gloriosa lição. Como uma fã de esportes, fiquei impressionada com a história contada na introdução. Até 1968 havia apenas um jeito de executar o salto com vara, transpondo a barreira de barriga pra baixo. Todos faziam o mesmo. O que aconteceu? Um atleta foi pelo caminho contrário do que era certo. Dick Fosbury, impulsionou a vara e virou de costas com as pernas para o alto. Ele superou o que era até então o recorde.

Comecei a pensar em todos outros nomes – me perdoe pela referências esportivas – que me fizeram aplaudir de pé. O que mais lembro de Ayrton Senna? O quão bom ele era justamente nos dias de chuva. Inusitado. O que me fez escolher um time de futebol americano para torcer? Um jogador chamado Tony Gonzalez que revolucionou a posição de tigh end. Inovador. Todos foram pelo caminho contrário. Como sempre tento reforçar essa questão, certo dia me perguntaram: “então, tenho que estar errado?”. Por que não poderia?

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Janine Costa

Especialista em Inbound Marketing, Planejamento Estratégico de Comunicação e Marketing Digital. Formada em Comunicação, pós-graduada em Marketing para Mídias Sociais e com experiência em agências e clientes de vários portes e segmentos. Também realiza Palestras e Workshops com foco em Inbound Marketing e Produção de Conteúdo Criativo.