Existe um segredo para criatividade? Se pudesse dar apenas uma única resposta, falaria: não tenha medo de estar errado ou de que suas ideias serão bobas. No best seller “Não basta ser bom, é preciso querer ser bom”, Paul Arden escreveu dois capítulos que começam com títulos bastante interessantes e relacionados com o que chamamos comumente de “erro” e aqueles famosos bloqueios mentais que nos impedem de ter as “boas ideias”.

Errado pode ser muito bom

O primeiro capítulo é direto e claro: “é certo estar errado”. Arden afirma com bastante convicção que começar errado pode fazer com que, na verdade, aquela sugestão considerada controversa acabe tornando tudo possível. O que isso quer dizer? Que descobertas e inovações não partem da rotina que, algumas vezes, estabelecemos. Também não são originadas a partir de processos e métodos tradicionais e consolidados. Pelo contrário, o que impressiona, provoca o “uau” e modifica o mundo, em geral, vem de alguém que ousou ir por um caminho diferente. Um pouco de transgressão (ou muita!) nos padrões diários pode trazer resultados surpreendentes.

É um princípio que se aplica em diferentes áreas: em conteúdos relevantes, na estratégia de comunicação, na criação de produtos e na própria vida pessoal. Aliás, ter segurança para poder “tentar, falhar e aprender” é um ciclo valorizado justamente por quem busca inovar e otimizar. É icônica a frase “teste rapidamente, falhe rapidamente e ajuste rapidamente”, de Tom Peters, especialista em gerenciamento. Outro exemplo é o  growth hacking, um novo mindset procurado pelas empresas e que foi disseminado pelo setor de tecnologia. Ele tem como objetivo potencializar os resultados e proporcionar o crescimento de um produto, setor ou negócio. Por curiosidade, sua premissa é levantar hipóteses, fazer experimentos, aprender e utilizar o conhecimento adquirido para testar mais vezes.

Entrando em uma esfera completamente diferente, mas que igualmente mostra como é importante testar, chegamos na Copa do Mundo de 1974. Até hoje, mesmo não tendo se consagrada campeã, a seleção da Holanda é lembrada como “O Carrossel Holandês” ou “Laranja Mecânica”. Sem mencionar o time de talentos notáveis – como o estratégico e brilhante Johan Cruyff, sua eficiência tática era admirável. Mas qual o diferencial? A adoção de um estilo de jogo que havia mostrado bons resultados em times diferentes, mas não era o mais popular da época. Os jogadores atuavam em funções diversas, sem posições fixas e com flexibilidade para circular no campo. O foco era o gol. A razão era o gol. Melhorando um esquema que estava sendo desenvolvido em prol de um objetivo, eles entraram para a história do futebol.

Todos os exemplos convergem para um ponto em comum: o errado pode ser a oportunidade de realizar algo memorável. De acordo com Arden, a maioria das pessoas tem medo de assumir o risco e continuam em uma zona de conforto. Com a preocupação no que os outros vão pensar, são sugeridas ideias não tão razoáveis. Porém, em vez de revirar os olhos, devemos permitir considerar as opiniões e tentar melhorá-las, como se fossem um ponto de partida a ser aprimorado. As consequências? Mudar aquilo que chamavam de “errado” ou “ideia sem nexo” para uma nova forma de pensar, fazer e criar.

Cultive ideias bobas

O segundo capítulo de Arden que cabe aqui e que pode estimular sua criatividade é, da mesma maneira, objetivo: “não tenha medo das ideias bobas”. Certamente, nem todos vão conseguir acompanhá-lo ou incentivá-lo, mas isso não deve ser um obstáculo. Mas, caso exista um bloqueio mental, seja por medo ou quaisquer razões, é preciso agir. O conselho dado pelo autor vem de encontro ao “seguir o que consideram certo”. Para superar a “imobilização criativa”, pare de se preocupar em acertar. Para isso, há dois truques que ele nos ensina:

  1. Bloqueio mental? Comece fazendo o oposto do que a situação pede.
  2. Dê uma espiada pela janela, aí mesmo, do escritório. O que chamar sua atenção, qualquer objeto ou acontecimento, deve ser transformado na solução que você está procurando.

Qual caminho errado tomaremos hoje?

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Janine Costa

Especialista em Inbound Marketing, Planejamento Estratégico de Comunicação e Marketing Digital. Formada em Comunicação, pós-graduada em Marketing para Mídias Sociais e com experiência em agências e clientes de vários portes e segmentos. Também realiza Palestras e Workshops com foco em Inbound Marketing e Produção de Conteúdo Criativo.