Comunicar é preciso, desenvolver uma comunicação alinhada às mudanças econômicas mundiais então é de extrema importância quando o objetivo é tocar a alma das pessoas. Dito isso, é preciso perceber que os valores almejados por consumidores nas marcas estão em transformação o tempo todo, e isso ocorre, pois os recursos naturais, os custos e os lucros estão sendo relativizados por um conjunto de fatores, assim temos:

Consumidores engajados com questões sociais de toda ordem; pessoas querendo se conectar a algo que realmente lhe entregue valor desde a concepção do produto até o descarte da embalagem, clientes buscando protagonizar a comunicação das empresas e cada vez mais envolvidos nos processos de construção das marcas.

Não há, portanto, uma dissociação acerca do que a economia representa na forma como o consumo é construído, ao constatar que ambos estão atrelados é necessária à compreensão de alguns conceitos novos, são eles:

Economia criativa

Para Décio Coutinho que atua no SEBRAE-GO e é Mestre em gestão de patrimônio cultural e especialista em sociedades pós-industriais e Organizações criativas, tratar economia criativa é valorizar a cultura de um povo perceber a sua essencialidade e conseguir entregar isso para população com o seu devido valor. Dessa forma, ela se consolida por meio dos agentes locais que transferem seu conhecimento que antes só conseguiam fomentar uma economia em pequena escala, mas agora se difere da subsistência de outrora construída por artesãos ou pescadores de uma determinada região.

Ele ainda afirma que Barcelona e Lisboa são cidades onde cultura e criatividade é eixo principal de desenvolvimento. Logo é interessante ainda compreender que a economia criativa está presente em diversas áreas como produção audiovisual, design, arquitetura, cinema e música etc.

E aqui no cenário nacional precisamos lançar o olhar mais curioso e ter uma postura mais voltada ao aprendizado, para conseguirmos assim acompanhar e fazer parte de forma efetiva deste momento de transformação.

Economia criativa é explicada ainda como: “o conjunto de negócios baseados no capital intelectual e cultural e na criatividade que gera valor econômico. A indústria criativa estimula a geração de renda, cria empregos e produz receitas de exportação, enquanto promove a diversidade cultural e o desenvolvimento humano. Ela abrange os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam criatividade, cultura e capital intelectual como insumos primários. Concretamente, a área criativa gerou uma riqueza de R$ 155,6 bilhões para a economia brasileira em 2015, segundo “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” (em PDF), publicado pela Firjan em dezembro de 2016. Na ocasião, a participação do PIB Criativo estimado no PIB brasileiro foi de 2,64% em 2015, quando a Indústria Criativa era composta por 851,2 mil profissionais formais. O SEBRAE atua para transformar a habilidade criativa natural em ativo econômico e recurso para o desenvolvimento de negócios duradouros. E estimular modelos inovadores que desenvolvem a economia criativa brasileira.” Fonte. SEBRAE (2018)

A tradução literal disto, por exemplo, é a percepção das marcas em conjunto com o devido incentivo da população de modo geral com as mudanças de consumo, aos poucos temos bordados da vovó tricô e crochê fazendo parte novamente da moda. Ali quem compra reconhece um pouco da sua própria trajetória construída por mãos de outras pessoas que tiveram a oportunidade de um aprendizado rico.

Na mesma, linha de raciocínio e tendência tem-se a onda do reaproveitamento, o reuso e um novo olhar para o famoso escambo em detrimento do consumo exacerbado de coisas que geralmente são descartadas rapidamente. Diante dessa forma de enxergar a produção e a comunicação dos valores das marcas é preciso dissecar a nova onda da economia em que nada se joga fora e tudo sempre tem uma nova recolocação.

Isto requer criatividade, percepção da realidade do outro, e estudo eficiente para o desenvolvimento de técnicas, para que a adesão e o reconhecimento desta economia sejam traduzidos de forma correta e genuína nas estratégias de comunicação.

Economia circular

A economia circular exige da nossa comunicação uma postura contundente, específica sem frestas para não ser pega por dados alarmantes e sensacionalistas, mas ela ganha força exatamente por mostrar que é necessário repensar o modo como vivemos, criamos padrões de consumo e nos projetamos no mundo.

Assim os seis princípios da economia circular são, renovar; compartilhar; otimizar; circular “conforme o nome já diz”, virtualizar (a crescente do e-commerce e do conceito omnichannel) e substituir que é exatamente valorizar as novas tecnologias e também considerar o uso de material biodegradável nos processos e na produção.

Aqui o consumidor não espera mais ter a posse de um objeto visto que cada vez mais a postura de consumo está pautada no Timeshare (ou tempo compartilhado) que é um conceito em que se compartilham bens entre vários proprietários, desde a divisão do preço da compra, a manutenção e seu uso.

Esse comportamento do consumidor é reflexo da economia circular, que lança para os profissionais de comunicação o desafio da construção de algo cada vez mais forte apoiado em valores globais e reais, que tem como premissa responder indagações do tipo: Quem sou  eu no mundo, e o que faço no tempo em que passo por ele?

banner clique
The following two tabs change content below.

Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.