Refletindo sobre a difícil missão de nos mantermos conectados com nosso propósito, li Sartre, filósofo moderno que diz que “nossa existência precede nossa essência”. Ele nos convida à liberdade, como o maior atalho para buscarmos renovar a nossa causa, mantendo-a sempre viva.

Contrapondo essa reflexão – de certa forma humanística, pois coloca as pessoas ao centro das suas próprias escolhas e decisões com o poder de ditar o ritmo do seu próprio propósito, a realidade capitalista na qual estamos inseridos e a troca comercial entre clientes e fornecedores ou parceiros provoca o assolamento da dignidade humana das pessoas que conduzem essa relação.

Não estou sendo “apocalíptico” não. Basta refletirmos. Veja a sua volta se a maioria das pessoas está super animada, motivada e dando o seu melhor, contribuindo com o próximo e com o ecossistema de forma sustentável. É, parece que as coisas vivem meio fora do eixo, não é?

E não estou fazendo aqui uma critica ao contexto do nosso ecossistema, afinal, sou apaixonado por marketing, branding e comunicação, e a finalidade da minha profissão é ajudar outros negócios a serem valorizados e evoluírem.

Porém, precisamos falar sobre as pessoas. A gente. Nós. Eu, você, seu colega, seu chefe, seu cliente e seu fornecedor.

Infelizmente, a cultura de desenvolvimento de negócios do nosso contexto anula o olhar humanístico verdadeiro e essencial entre as pessoas.

O egoísmo das relações diárias afasta os profissionais de manterem um propósito autossustentável em relação ao mundo e entre si. A importância disso é a evolução da sociedade a partir de um entendimento quase consensual de que não está tudo bem.

Essa reflexão se conecta com a dificuldade que tem sido praticar os ofícios de serviços que envolvem a propriedade intelectual como matéria prima de uma boa estratégia ou peça.

O dia ainda continua com 24 horas e o falso positivo entendimento conveniente de que o whatsapp, por exemplo, resolve tudo, deixa passar a informação de que a tecnologia acelerou a comunicação, mas não proporcionalmente o jeito de se fazer as coisas. Essa discordância provoca um caos nas relações de quem gera demandas e de quem executa. É fácil e rápido pedir e decidir, depois, dizer se gostou ou não. Mas executar continua sendo difícil, porque o cérebro continua pensando dentro de sua capacidade de tempo e ritmo, só que bombardeado com ainda mais informações.

E por mais que nossa raça se apresente como a mais evoluída, ainda não somos máquinas e não conseguimos disputar com elas em performance, porque é isso que exigimos delas.

Minha proposta, aqui, é que reflitamos sobre o jeito certo de fazer as coisas certas, levando em consideração o detalhe de que somos todos pessoas, humanos, seres do nosso próprio tempo. Não do ponto de vista individual de cada um, mas de acordo com o exercício e a prática do consenso nas relações cotidianas, evitando-se conflitos desnecessários.

No ecossistema da informação, da velocidade e do capitalismo, estar para o outro (o que é necessário e não desgasta) pode ajudar – e muito, as pessoas a encontrarem seu propósito, manterem e buscarem sua causa, o que tem sido cada vez mais difícil.

Voltando à Sartre, vale lembrar que “primeiramente o homem existe, se descobre, surge no mundo e só depois se define”. Portanto, seu propósito é aquilo que você quer que ele seja!

banner clique
The following two tabs change content below.

Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)