Em seu clássico contemporâneo “Roube como um artista”, Austin Kleon mostra que todos nós podemos ser criativos em diferentes áreas, basta pequenos exercícios simples e constantes. O mesmo acontece na produção de conteúdo. Não é por termos aprendido um padrão que devemos seguir ele pelo resto de nossas vidas. Podemos, igualmente, mudar – nos tornar inovadores e atrativos na forma como escrevemos. Como fazer isso? Seguindo o conselho de Kleon, usei suas dicas e roubei alguns insights adaptados.

Como o próprio Kleon diz, antes de mais nada, tudo que está aqui não é apenas a visão “do agora”, da pessoa que nós somos no momento. Mas são insights que conversam com aquele nosso “eu” que digitou (ou escreveu) a primeira letra de um artigo, uma redação ou qualquer produção textual – até mesmo um bilhete. Que tal começar com a polêmica da palavra “roubar”?

  • Roubar?

Nada é original. Há mais de 200 anos, Lavoisier dizia que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. O que não significa que você pode ou deve copiar descaradamente. Em qualquer área, inclusive na produção de conteúdo, devemos olhar para o lado (e não digo apenas para observar estratégias, mas para buscar referências ou ideias em diversos lugares). A diferença está em saber o que merece a nossa atenção e, como veremos, guardar. Novamente – nunca, jamais, em hipótese alguma, simplesmente copiar.

  • Roubar e colecionar

Nossas “ideias originais” são a combinação de uma série de roubos que fazemos ao longo do tempo. É aí que entram as referências: um parágrafo inicial sensacional de uma reportagem, a forma como um autor conduziu um prólogo, uma metáfora em um filme ou até mesmo como um cliente expôs um problema em uma reunião de trabalho.

  • Quem são seus heróis?

E quem são os heróis dos seus heróis? Crie uma verdadeira busca por referências em prol da criatividade. Aqui, cabe a ideia de criar um “mapa de referências”. Por exemplo: se você gosta muito de George R.R. Martin, de As Crônicas de Gelo e Fogo, pode adicionar no seu mapa J.R.R. Tolkien – autor que influenciou diretamente Martin. Se admirar Neil Gaiman, consegue também incluir Tolkien nesse mesmo levantamento. Dessa forma, cria-se uma rede de referências.

  • Guarde seu tesouro

Você pode até não usar determinada referência numa estratégia ou num artigo neste exato instante. Mas guarde em um caderno, num drive, num card, no que for. Você é um colecionador.

  • Estude seus roubos

Viu um e-mail marketing sensacional? Roube. Isso é copiar? Não, é ser influenciado. “Não se limite a roubar o estilo, roube o pensamento por trás do estilo.”

  • O que é um bom roubo?

É um estudo, é uma forma de honrar ideias e pessoas, são roubos de “vários”. Há crédito, transformação, remix.

Roubar é um exercício de conhecer a si mesmo. É preciso roubar e analisar para ver entre tudo aquilo, entre os seus “heróis”, o que faz de você diferente. Essa é sua chance de ser criativo.

  • Escreva pensando na persona, mas também em você

Esqueça a ideia de que vamos escrever somente sobre o que conhecemos. Ninguém nasce apaixonado por placas eletrônicas, por exemplo (ou são raras exceções). Pense na sua narrativa de outra forma: como posso tornar isso, por mais técnico que seja, em algo inesquecível? Por mais que você não conheça o assunto, você precisa gostar daquilo que está entregando no final.

  • Procrastinação criativa

Escrever e produzir em sequência, como uma máquina, nunca fará de ninguém criativo. Dê um tempo entre um assunto e outro. Pare alguns minutos e se distraia, talvez da distração saia exatamente o que você estava procurando.

  • Nem todos vão entender ou aprovar

Trabalhar com criatividade, principalmente em nichos mais “duros” pode não ser uma tarefa fácil. Mas não desista. Num primeiro momento, você pode ser ignorado ou receber um “ok, mais uma ideia criativa que não iremos executar”. Não se preocupe com isso, continue trabalhando com sua criatividade. Procure agências, empresas, equipes e pessoas que o apoiem.

  • Subtrair

A produção de conteúdo e a criatividade possuem algo em comum: a subtração. Temos que fazer escolhas e muito disso está baseado no que deixar de fora. Liberdade é ótimo, mas saber quais são as limitações fazem com que “bloqueios criativos sejam vencidos”. Escolher uma persona (uma parte do público-alvo) é priorizar. Montar uma jornada (de evolução de conteúdo e conhecimento da persona) é priorizar. Escrever um conteúdo é priorizar. E o que você deixar de fora é que pode ser o que vai tornar seu trabalho diferenciado.

O que você pode roubar disso tudo? O que vamos roubar hoje?

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Janine Costa

Especialista em Inbound Marketing, Planejamento Estratégico de Comunicação e Marketing Digital. Formada em Comunicação, pós-graduada em Marketing para Mídias Sociais e com experiência em agências e clientes de vários portes e segmentos. Também realiza Palestras e Workshops com foco em Inbound Marketing e Produção de Conteúdo Criativo.

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