O atual contexto de mercado sugere uma alta na criação e desenvolvimento de novos negócios a partir de empreendedores que resolvem buscar autonomia e independência em seu modelo de trabalho, seja dentro de uma empresa ou fora dela, abrindo seu negócio.

Sim, estamos na era dos freelas, dos profissionais autônomos, dos microempreendedores individuais e daqueles profissionais que ganham notoriedade dentro de organizações que buscam a auto-gerência e independência de seus colaboradores. Como característica comum, precisam desenvolver um método de trabalho normalmente atrelado à seu conhecimento ou capacidade direta de execução e orientação. Nessa linha, a demanda e busca pelo desenvolvimento de uma “marca pessoal”, que ajude esse profissional a ser reconhecido e notado, também está em alta.

Recentemente, conversava com uma profissional da área da saúde, que buscava exatamente esse caminho de desenvolver uma marca pessoal original, que fosse representada por uma identidade visual personalizada, com um logotipo específico de acordo com sua atuação, para que pudesse ser usado em redes sociais, e-mails marketing e outras aplicações contributivas com a projeção e consolidação de uma imagem e reputação para aumento de sua atuação.

Nesse bate-papo, “fui brifado” com a formatação de um logo que se formava sendo um retalho de coisas e elementos que não tinham significado compatível com o jeito de atuar dessa profissional. Simplesmente um apanhado de gostos pessoais sendo projetado num logotipo.

Aí, perguntei o que aquela imagem que se desenhava representava de fato.

O que tive de resposta foi um simbolismo superficialmente descritivo e funcional. “Quero esse elemento porque gosto, esse outro sobre ele porque vai ficar legal e essa cor porque tem a ver com minha profissão”.

Na sequência, depois de uma breve explicação sobre marca, branding e construção de significado, questionei sobre qual percepção ela gostaria que o mercado tivesse sobre ela e sobre a imagem projetada por ela. “O que você quer que as pessoas sintam ao lembrarem de você, ao verem seu logo. Pelo que você quer ser lembrada? Qual sua verdadeira marca?”.

E o silêncio permaneceu.

Na verdade, as pessoas e o mercado não estão habituados a pensarem “essência”. Mas sim naquilo que querem mostrar. Porém, ao passo que o número de empresas cresce e a concorrência aumenta, as pessoas se identificarão com aquelas marcas que forem verdadeiras e realmente tiverem alguma essência contributiva com a vida desse consumidor, mostrando algo real, vivo, de verdade. Relevante. Do contrário, ele escolherá a opção mais cômoda e conveniente.

Por isso, antes de pensarmos no nosso logo ou naquela cor que melhor nos representará, precisamos entender qual é o nosso negócio, qual nossa causa, o que me diferenciará da concorrência e tudo isso de forma original e personalizada. É claro que essa condução não é fácil e deve ser considerada e projetada por especialistas, que usarão as ferramentas necessárias para construção de marca.

Porém, é papel de todo profissional que tem (ou quer ter) espírito empreendedor atuar com consistência.

Para isso, é preciso ter a capacidade de identificar a real razão de existir do seu negócio. “O que o mundo, meus clientes ou a empresa que trabalho perdem se eu não existir?”. Note que isso não está atrelado a dinheiro, performance ou lucro, afinal, todo negócio prevê isso. Está atrelado à concepção e origem da sua personalidade, comportamento e intenções. Uma roupa nova, um logo novo ou novo nome são secundários nessa evolução. Trocar ou ter uma perfumaria não faz de você e seu negócio únicos.

A velha máxima de “não basta ser, é preciso (a)parecer”, hoje, pode ser substituída por “é preciso ser para (a)parecer”.

E aí, qual a essência que te representa?

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Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)