Alguma novidade? Parece que não. O escândalo do vazamento dos dados de usuários do Facebook, do Tinder e de outras redes sociais tem sido notícia nos últimos dias e causado muita repercussão mundo a fora.

Grandes marcas encerrando contas nas redes sociais, pessoas comuns aderindo a campanhas de abandono do Facebook. A caráter de exemplo, na última sexta-feira, as páginas da fabricante de carros elétricos Tesla e da companhia de foguetes espaciais SpaceX, cada uma com mais de 2,6 milhões de seguidores,  foram apagadas do Facebook depois do fundador de ambas, o bilionário Elon Musk, cumprir a promessa de deletar as contas.

Mas precisamos pensar bem, os fins desse vazamento de informações sejam eles para publicidade de produtos/serviços de consumo ou intenção de votos, não deveria ser encarado por nós como algo novo. Pois essa prática sempre ocorreu, o que muda agora é a forma como lidamos com isto, visto que a tecnologia possibilita um acesso mais rápido e uma tabulação mais “exata” das nossas informações.

A segmentação de mercado, a busca por informações efêmeras do consumidor a construção de um banco de dados eficaz faz parte da vida de quem lida com as ferramentas do marketing desde a sua criação ainda na década de 50.

O comportamento humano é algo que exige estudo constante, e tudo que fazemos, pensamos ou construímos com base nestas informações fica obsoleto muito rápido.

Estamos sim em um caminho sem volta, nossos dados estão na internet e eles serão usados, isso não é conformismo, mas clareza. Conceber dessa forma os últimos episódios nos ajuda a não sair aderindo a campanhas ou lançando um olhar desesperador e de arrependimento para tudo que vivemos até aqui com as redes sociais.

Quem fornece os dados somos nós mesmos e estes só farão efeito quando usados de forma massiva, informações isoladas não servem para amostragem ou tomada de decisão, isso significa que, estamos à mercê dessa nova forma de viver, pois sempre preenchemos formulários na internet.

Quando o pensamento sobre essa situação é analisado pelo viés do consumidor cidadão comum usuário “inocente” da internet, parece que o caos está instaurado e que existe uma força do mal persuadindo nossas ações e controlando nossos desejos.

Por outro lado, a percepção enquanto comunicadores, pesquisadores e profissionais que dependem da pesquisa para realização de estratégias, devem ser a de fomentar a calma, esclarecer os fatos aos desavisados ou desatentos a essa nova realidade.

Ao sabermos que ninguém ou nada pode nos afetar desde que não tenha recebido nossa permissão para isso, conseguimos ter mais responsabilidade na nossa tomada de decisão, o fato de alguém saber que amo chocolate não habilita essa pessoa a me corromper ao me oferecer uma barra.

Pois o que eu faço e até mesmo quem eu sou, e o que quero pra minha vida precisam estar acima das situações fugazes.

Já é tempo de pararmos de delegar ao sistema a responsabilidade das nossas ações!

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Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.