Gravidez é doença? Definitivamente não! Mas precisa de todos os cuidados possíveis. Então como conciliar o mercado de trabalho, a carreira profissional, as faltas, ausências, idas ao médico e tantas outras dúvidas que surgem nessa etapa?

O processo da gestação dura 9 meses ou 40 semanas, isso para a ciência (e acredito que apenas para ela).

Para uma grávida, esse período parece infinito. Principalmente quando ela está mergulhada em trabalho, quando as empresas pressionam ou quando há uma “suposta queda no rendimento”.

É impossível negar que o mercado anda concorrido, que a velocidade com que tudo muda, com que o mundo se transforma é assustadora. Mas nenhuma mudança vai fazer o processo de gestação se alterar. Ou, melhor dizendo, se uma grávida não estiver atenta aos níveis de stress e pressão que sofre, ela tem grandes chances de ter um bebê  pré-maturo e tornar um momento especial e único, em algo preocupante e com sérias consequências.

Um estudo desenvolvido em 2017 pelo site Trocando Fraldas  com aproximadamente 11.000 mil mulheres levou em conta  um questionário online, no qual foram feitas perguntas sobre o sucesso profissional relacionado a gravidez, aos receios sobre a decisão de ter filhos, creche e auxílios e outros assuntos relacionados.

Alguns dados são importantes e merecem atenção especial, sobretudo em tempos onde o direito da mulher tem sido debatido com força total e a sororidade (essa palavra bonita é usada para representar a união feminina) tem ganhado destaque:

  • Mais da metade das entrevistadas (56%) considera mais improvável o sucesso profissional de mulheres com filhos.
  • 3 em cada 7 brasileiras têm ou tiveram medo de perder o emprego ao engravidar.
  • Apenas 22% das mulheres mudam seus planos de ter filhos devido ao trabalho, mas dois terços delas apenas adiam.
  • Mais de um terço dos superiores não ficou feliz com a gestação da funcionária e 1 em cada 6 mulheres sentiu que o chefe teria preferido demiti-la por isso.
  • Apenas 62% das mães recentes conseguem voltar ao trabalho com o fim da licença-maternidade. (Pergunta referente as possibilidades de onde deixar o bebê após a licença).
  • Quase metade das brasileiras tem que recorrer a avós ou outros parentes para poder voltar ao trabalho, haja visto também que raramente o pai fica em casa cuidando do bebê.
  • Menos de um quarto das mulheres consegue encontrar uma creche.
  • Em 62% dos casos de doença do filho, a mãe tem que ficar em casa.
  • A chance do pai ficar em casa é 9 vezes menor.
  • A possibilidade de poder conciliar emprego e maternidade é considerada adequada pela maioria das mulheres com uma leve tendência para o lado negativo.

Então como conciliar todas essas emoções, expectativas e responsabilidades?

DIREITOS E DEVERES

Dizer que existem leis que protegem a gestante não basta para garantir que efetivamente os direitos sejam respeitados. Pelo contrário, são inúmeros os casos onde isso não acontece.

No Brasil a licença maternidade garante as mães 120 dias remunerados a 100%  sendo que desse tempo, 28 dias podem começar a ser contados anteriormente ao parto. Para funcionários públicos ou empregados de empresas aderentes ao Programa Empresa cidadã esse tempo pode se estender em mais 60 dias. E isso também vale para situações de adoção de crianças até 12 anos!

É garantido o emprego durante o período de confirmação da gravidez até 5 meses depois do parto (depois disso, você mamãe poderá ser demitida sim. Infelizmente!).

Consultas e ausências justificadas com atestado médico não podem ser descontadas do salário da gestante.

Vai amamentar? São necessárias e garantidas duas pausas de 30 minutos  por dia. No caso de empresas com mais de 30 funcionárias mulheres é obrigatório a presença de uma creche ou do pagamento do auxílio-creche.

Mas para que esses direitos sejam “reclamados” a grávida também tem deveres e eles estão associados ao cumprimento e manutenção do trabalho com qualidade, com assiduidade e com o mesmo empenho que antes da gravidez começar.

Consulte aqui os direitos e deveres ponto a ponto.

MOTIVAÇÃO E NOVAS OPORTUNIDADES

Durante a gestação uma mulher está muito propícia a variações de humor, a pressões psicológicas internas e externas, a percepções equivocadas de suas capacidades e motivações e a uma chuva de sentimentos que muitas vezes são mais negativos do que positivos. E falo por experiência!

Mas é nessa etapa também que temos a oportunidade de abrir o campo de visão e enxergar novas oportunidades para a própria carreira profissional e para a empresa onde atuamos.

Um dos pontos a avaliar é como a empresa onde você está, trata e lida com a gravidez de uma funcionária. Os direitos são respeitados? Há  incentivos e cuidados para que nem o trabalho, nem a gestante sejam afetados negativamente?

Se as respostas para as perguntas a cima forem negativas, talvez seja hora de pensar em mudanças. Uma empresa que não respeita uma funcionária grávida respeitará outras situações que careçam de bom senso e facilidade na resolução de problemas?

Já pensou em trabalhar em empresas do setor infantil?

Em outra pesquisa feita pelo site “Guia do bebê” com empresas do setor infantil como a Pimpolho, Quater e Kuka, uma grande porcentagem das funcionárias eram mulheres, sendo que a Quater apresentou 84% do quadro de funcionárias sendo também mães.

Na Pimpolho, produtora de calçados infantis, as empregadas além de receberem auxílio e todo apoio necessário também recebem um kit de sapatos como estratégia de endomarketing e valorização do funcionário.

Na Quarter uma das estratégias da empresa é valorizar e até mesmo atrair funcionárias para o setor comercial que sejam mães. Ou seja, são funcionárias que realmente vivenciam e conhecem a importâncias dos produtos que estão vendendo, tornando o processo de venda muito mais genuíno e verdadeiro.

Imagine agora que você precisou se afastar totalmente do trabalho devido à uma gravidez de risco, como foi no meu caso. O que fazer?

Entenda suas características pessoais, aproveite o tempo para fazer cursos online, desenvolver competências e trabalhar pontos fracos ainda não explorados.

Durante meu tempo em casa aproveitei para mergulhar no marketing digital, assistir vídeos, fazer cursos, pesquisar, treinar minha escrita e explorar no meu blog pessoal uma das vertentes que eu escolhi trabalhar, mas não tinha muito tempo: O viajante feminina, onde conto minhas experiências como viajante e imigrante voltada para o mundo da mulher, no caso a minha própria gravidez.

E foi mágico! Me ajudou a entender, pesquisar e aceitar cada fase do meu próprio aprendizado como mãe, como profissional da área de marketing e como mulher.

Para muitas mulheres a gravidez é uma pausa na correria e no ritmo frenético que a vida profissional impõe. E essa pausa pode beneficiar, mas nunca parar ou forçar uma estagnação permanente.

Aproveite esse momento para se confrontar com outras perguntas como: Tenho possibilidade de me tornar uma empreendedora? Quais os ramos de atividade tenho experiência, paixão e possibilidades de investir? Quais são os meus talentos? Será que está na hora de tirar aquele projeto antigo do papel?

Encare a maternidade e a gestação (sim são coisas diferentes) como um processo de aprendizado e direcionamento. Metade do copo cheio e não metade vazio.

Deixo como dica um texto muito especial  que me ajudou muito a ver metade do copo bem cheio: Gravidez e vida profissional: Minha experiência do blog da Pri Nunes.

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Sabrina Kelly

Mineira de Belo Horizonte, publicitária em formação, apaixonada por viagens e fotografia. É técnica em Sistemas da Informação pelo Colégio e Faculdade Cotemig e fez um intercâmbio em Jornalismo na Universidade de Coimbra, Portugal. Escreve para a Obvious Maganize, produz conteúdo para e-commerce e é criadora da Loja Virtual Feitio.