A tecnologia tem sido fundamental no atual momento de transformação e evolução das empresas, desde o aceleramento de processos, na organização das atividades, até a estruturação de informações e na otimização de investimentos, inclusive, gerando autonomia e eficiência em diversas oportunidades.

Paralelamente, a comunicação também evoluiu e se acelerou, por meio das plataformas digitais. O casamento da opção mais barata, que gera a comunicação mais rápida – e cômoda, com recursos profundos e complexos de status de mensagem e compartilhamento multimídia colocaram, no WhatsApp, a ferramenta essencial para a sobrevivência dos negócios.

Mais do que ser utilizado como um canal de comunicação para clientes, o aplicativo tem sido usado como meio de comunicação para gestão de empresas, em um paradoxo cômodo de atuação com sua capacidade de acelerar as tomadas de decisão de um negócio, como elo de ligação entre líderes, de lideranças e liderados, e colaboradoras, tornando-se o principal e oficial meio interno, em detrimento de práticas “olho no olho”, ou via o bom e velho e-mail.

E, se tudo que tem o lado bom também tem o lado ruim, trago aqui algumas reflexões a partir do que vejo em minhas consultorias no que se refere a más práticas de uso do WhatsApp (Wpp).

  1. Wpp como sala de reunião – em varias oportunidades, substitui o relacionamento físico de lideranças, o que compromete a qualidade das tomadas de decisões, muitas vezes inconsistentes e de última hora, feitas via aplicativo. Eis aí os primeiros sintomas de perda de cultura de planejamento, que, provavelmente, provocará certo caos no médio prazo.
  2. Wpp como meio democrático – já vi várias decisões serem colocadas em discussão e votação em grupos. Quando há muita gente e nenhum mediador, dificilmente algo positivo sai. Lembrando que varias decisões – como aprovações de comunicação – não devem ser democráticas, ok? Esse sintoma mostra desrespeito às políticas hierárquicas fazendo pessoas tere atuações fora do seu quadrado.
  3. Wpp como fábrica de assuntos – trazendo para cá a “tese da síndrome do paralelismo”, criada por Murilo Gun, os grupos de WhatsApp recebem alto número de temas e assuntos ao mesmo tempo, contribuindo para a desorganização das informações. Ele não é uma ferramenta de planejamento. Utilize apenas para acelerar alguns assuntos de execução e decisão rápidas.

Resumindo, o uso irresponsável do WhatsApp dentro das empresas pode provocar a sensação (falsa) de agilidade, quando, na verdade, gera a atuação dominada pela pressa nos diálogos e comunicações, com inconsistência. Esse distanciamento físico prejudica as empresas, principalmente na relação entre líderes e direcionamentos hierárquicos.

A tecnologia e o suporte de ferramentas vieram para auxiliar os processos, não para substituírem os métodos qualificados de atuação. Comunicação (emissor – mensagem – receptor – canal – feedback) tem que ser feita de forma correta, para “evitar os problemas evitáveis” que geram os desgastes e fracassos organizacionais no longo prazo.

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Isaac Zetune

Isaac Ramiris Zetune é jornalista, pós-graduado em marketing político e especializado em branded content. É sócio-diretor da Agência Insane e fundador da plataforma EMPREENDA.SE. (isaac@sejainsane.com.br)