Essa era digital, de consumidor com voz ativa e de pessoas bem informadas fazendo parte do processo de criação, está tirando muita gente da zona de conforto e forçando os comunicadores, as marcas e os meios de comunicação repensarem suas estratégias. Por isso talvez tem hora que é mais fácil dizer que foi proposital mesmo ou ainda chamar essa geração de “mimimi”, quando alguma coisa dá errado!

Não podemos ser inocentes e pensar que determinados erros grotescos da comunicação simplesmente acontecem, eles foram antes medidos e pesados, mas considerados passiveis de solução e, certamente tiveram o aval de alguém para que a campanha fosse à diante.

Dia da mulher, dia do índio, dia da consciência negra, dia do estudante, dia do homem, dia das crianças, dia das mães. Temos aí alguns exemplos de datas comemorativas que as marcas usam em seus calendários para ações pontuais e, ultimamente, as campanhas mais do que nunca, precisam de uma atenção forte acerca do ponto de vista do que pode dar errado.

E neste momento precisamos refletir: quem está dando as cartas no jogo da comunicação?

Pela lógica atual, e pelo que tenho lido, acompanhado, escrito e estudado, deveria ser uma via de mão dupla e o cliente, lógico, fazer parte deste processo para sentir-se pertencente a ele e, quando uma campanha fosse veiculada, ele conseguir perceber-se ali.

Certo pessoal?

Sinceramente, o estudo do comportamento humano é complexo e precisa ser continuo e segmentar seu público da forma como era feita no passado não é mais o suficiente. Os dados puros não resolvem os problemas, eles só mostram os locais que é preciso depositar mais atenção.

Neste momento em que a discussão de gênero está em pauta, arrisca-se muito quem destaca apenas o homem ou a mulher como parte essencial de um papel na sociedade e o que era pra ser uma homenagem acaba sendo um verdadeiro tiro no pé, por exemplo.

Mas então qual o intuito de estabelecer uma campanha com riscos altos de desaprovação?

Algumas máximas do nosso cotidiano podem responder essa indagação e as deixo como reflexão: “Na dúvida, faça. Pra quem não tem nada, metade é o dobro. Falem mal, mas falem de mim.” Acredito que a comunicação não pode  mais ser construída assim! O que você tem feito para mudar esse cenário?

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Tercia Duarte

Graduada em Hotelaria, especialista em Marketing e em Letramento Informacional é Professora Universitária nos Cursos de Publicidade, Administração, Hotelaria &Turismo. Possui um Blog de publicação semanal da Revista Ludovica sobre comportamento na era digital. Mãe do Fernando desde 2009.