Para homenagear as mulheres no dia Internacional da Mulher e apostar na diversidade e representatividade, a Mattel lança no dia 8 de março de 2018 a sua nova linha de bonecas: “Barbie Mulheres Inspiradoras” que traz grandes mulheres que revolucionaram a sociedade em diversas áreas.

A linha Barbie Mulheres Inspiradoras traz 14 bonecas baseadas em mulheres que se destacaram pelo seu conhecimento e luta.

Inicialmente serão lançadas as bonecas de Frida Kahlo, a aviadora Amelia Earhart e a física e cientista da NASA Katherine Johnson.

Acima, as bonecas de Katherine Johnson (esquerda) e Amelia Earhart (direita)

Acima, as bonecas de Katherine Johnson (esquerda) e Amelia Earhart (direita)

Durante o resto do ano serão lançadas as versões da atleta de snowboard Chloe Kim, da bailarina chinesa Yuan Yuan Tan, da jogadora de futebol italiana Sara, da chinesa campeã de vôlei Hui Ruoqi, da jogadora de golfe Lorena Ochoa, da boxeadora inglesa Nicola Adams, da jornalista polonesa Martyna Wojciechowska, da chefe de cozinha Hélène Darroze, da ambientalista Bindi Irwin, da filantropa chinesa Xiaotong Guan, das empreendedoras e designers Leyla Piedayesh, da Alemanha, e Vicky Martin Berrocal, da Espanha e Patty Kekins e da diretora de Mulher Maravilhas (2017).

Opiniões dividias

A ação da Mattel dividiu opiniões. Algumas pessoas acharam que a marca está descaracterizando a luta, colocando grandes mulheres dentro da lógica imperialista da beleza e já outras analisam como um avanço da marca, que só apostava em um perfil de beleza feminina: o eurocêntrico, magro, com cabelo liso, loiro, nariz fino e salto alto.

Um dos argumentos, por exemplo, é que a empresa afinou a cintura, arrumou o cabelo e fez a sobrancelha da boneca da Frida Kahlo, uma mulher que justamente representa uma luta contra os padrões estéticos de beleza.

Esta ação da Barbie pode de fato ter descaracterizado grandes mulheres, mas é uma tentativa de gerar diversidade no empoderamento da mulher. Ainda está em uma lógica antiga, mas que sofre constantes mudanças. O próprio mercado infantil mudou bastante. Vemos meninas que preferem jogar bola, videogame, fazer judô entre outras coisas que antes eram rotuladas de masculinas. Ter uma empresa de bonecas como a Mattel, trazendo essa mudança, mesmo que não seja de forma ideal é importante para mostrar que o mundo está mudando e precisa continuar mudando.

Uma reflexão sobre a diversidade do empoderamento feminino

Uma reflexão e análise interessante que gostaria de contribuir para a leitura e que ajuda no entendimento da representatividade e da diversidade do empoderamento feminino é o estudo de arquétipos da psicanálise na personalidade feminina.

Felipe Machado, professor e especialista no assunto aborda que existem arquétipos (energias psíquicas) que estão presentes na personalidade feminina e que podem ser nomeados e entendidos com as Deusas da mitologia Grega. Alguns são:

– Hera: quando uma mulher é empoderada pela liderança e governança;

– Ártemis: quando uma mulher é empoderada pela luta, caça e batalha;

– Atena: quando uma mulher é empoderada pela sabedoria e conhecimento;

– Afrodite: quando uma mulher é empoderada pela beleza e sensualidade.

Dentro disso, existem mulheres em que suas personalidades são baseadas em uma ou mais Deusas. Mulheres que não necessariamente querem se empoderar da beleza, mas sim do conhecimento, por exemplo.

Neste ponto de vista, brinquedos que homenageiam mulheres que construíram sua vida pelo conhecimento, luta, batalha, governança, beleza é importante para as crianças compreenderem que podem crescer sendo o que elas quiserem. Sentir a energia dentro delas e se empoderar do que existe de melhor em si e, por consequência, construir sua vida profissional e pessoal do jeito que sua personalidade permitir. Seja pelo mundo empresarial, seja pelo futebol, pela programação de computadores, pelas forças armadas, pela arte, pelo que for. O importante é não acreditar que só existe um jeito de ser mulher e caso o seu jeito não seja o padrão que ainda é proposto pela sociedade, você precisará obrigatoriamente se encaixar.

A representatividade e a diversidade do empoderamento feminino se torna cada vez mais presente nas campanhas e lançamentos das empresas. E para uma boneca como a Barbie manter o sucesso e a referência para a geração atual é necessária uma leitura mais moderna sobre a mulher. A mulher que deixa de ser objeto e se torna sujeito. Mesmo que essas empresas ainda não façam evoluções ideais, essas mudanças já são significativas se compararmos com as representações femininas das décadas passadas.

E você? O que achou da ação? Conta para a gente.

banner clique
The following two tabs change content below.

Gabriel Dias

Redator publicitário, colunista, estrategista e consultor de marcas. Enxerga o que tem de melhor nas pessoas. Acredita no poder das relações humanas, da empatia e do sorriso. Apaixonado por Branding e por dança de salão.